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Home Música

David Crosby: o poder criativo resultante da morte

porAngelo Stroparo
6 de setembro de 2018
em Música
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David Crosby e seu If I Could Only Remember My Name

David Crosby na capa do álbum ‘If I Could Only Remember My Name’: compositor consegue converter a dor de uma perda trágica numa sensível obra-prima musical. Imagem: Reprodução.

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Se você amasse uma pessoa, de fato – e não vamos discutir aqui o que vem a ser isto -, e, do nada, ela se fosse para sempre? Em 1969, Christine Hinton, namorada de David Crosby, pegou o carro e saiu para levar o gato ao veterinário. O pet, como é próprio dos bichanos, de repente se assustou com qualquer coisa e pulou no colo da moça.

Muitos consideram a carreira solo do compositor irregular. Mas em ‘If I Could Only Remember My Name’, Crosby acerta a mão.

A garota perdeu o controle do carro, bateu de frente contra um ônibus, e, sim, morreu ali mesmo, na hora. Crosby, cuja fama de doidivanas não decepcionaria, pirou de vez. Confinou-se em casa, entupiu-se de pó e compôs um disco memorável chamado If I Could Only Remember My Name (numa tradução livre, “Se eu Pudesse Ao Menos Lembrar Meu Nome”), lançado no ano de 1971.

Já pelo título original desta obra-prima, é possível imaginar o pulso, energia criadora, sei lá, que surge decorrente dessa dor arrasadora que bate na nossa porta depois de levar alguém que amamos, sem dar ao menos uma chance ao “adeus”. Crosby teve a ajuda dos amigos Graham Nash, Santana, Jefferson Airplane e Joni Mitchell, no registro.

David Crosby sempre foi bem mais festejado quando esteve junto ao supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young, ou com os Byrds.

https://www.youtube.com/watch?v=_SOUthbEAuA

As parcerias são mesmo um fator notável no disco (outra façanha de Crosby, na verdade, por ter juntado tanta gente fundamental no movimento folk): além dos já citados Graham Nash e Neil Young (Crosby, Stills, Nash & Young) o álbum teve as participações de Jerry Garcia, Phil Lesh, Bill Kreutzmann e Mickey Hart (Grateful Dead); Joni Mitchell; Grace Slick, Paul Kantner, Jack Casady e Jorma Kaukonen (Jefferson Airplane); Gregg Hollie e Michael Shrieve (Santana); David Freiberg (Quicksilver Mesenger Service) e Laura Allan.

https://www.youtube.com/watch?v=heEEw_I2in0

Obra incontornável, sem dúvida, mas, sobretudo para os que têm tempo para curtir, viajar  e pensar com o som. “Laughing”, “What Are Their Names” (praticamente todas as participações especiais estão nesta faixa) e “Song with No Words (Tree with No Leaves)” são exemplos de toda harmonia que as canções oferecem ao ouvinte. É emocionante. Ouçam esse disco.

Segundo Henry Miller, a melhor coisa a se fazer, caso o efeito desejado seja esquecer uma mulher, é escrever, fazer literatura. Neste caso, Crosby fez If I Could Only Remember My Name, creio, não para esquecer, mas, superar e prosseguir, talvez. Assim, parafraseando Otto, no seu não menos genial Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranquilos, se “até pra morrer você tem que existir”, penso que Crosby criou um elo e trouxe da morte à existência plena, neste disco, a memória de sua amada morta. E prosseguiu.

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Crítica MusicalCrosby Stills Nash & YoungDavid CrosbyfolkIf I Could Only Remember My NameMúsicaNeil YoungResenhaThe Byrds

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