O som não é subjetivo. O som que um instrumento musical produz expressa emoção, intenção e sentido. Ou seja, o som é também uma linguagem e ela carrega marcas e referências de seu autor. Decifrar o fio condutor da estilística deste idioma é o desafio da professora, pesquisadora e acordeonista Marina Camargo.
Com o suporte da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Marina Camargo e o músico Marcelo Pereira colocaram o pé na estrada percorrendo o país passando por cidades no Nordeste, do Sudeste e do Sul atrás dos mais importantes acordeonistas-compositores da atualidade. Um documento histórico que interpreta as influências de cada artista, buscando compreender o universo sonoro do Brasil contemporâneo.
‘A sanfona é o instrumento que está no litoral, na roça, nas festas e nas casas’.
O resultado desta rica andança que conta com a participação de Toninho Ferragutti, Renato Borghetti, Luciano Maia, Gabriel Levy, Edith de Camargo, João Pedro Teixeira, entre outros, está no livro, blog e CD Acordeom Brasileiro. O livro possui dois volumes: um com entrevistas com 14 instrumentistas e compositores de várias regiões do país, consequentemente com estéticas e histórias bem diversas, e outro com as partituras das principais obras desses artistas, tiradas de ouvido pela própria Marina, já que essa prática de escrever a partitura não é muito comum nesse universo. Um CD com a gravação destas músicas, interpretadas pela acordeonista, acompanha o material. Alguns registros em vídeo também estão disponíveis no site do projeto.
“Hoje em dia, o acordeom está presente na música brasileira em vários estilos diferentes. Além do meio regional com a música gaúcha, o forró e o sertanejo de raiz, onde ele é o principal timbre desses estilos e de onde nunca saiu, podemos encontrar o instrumento na chamada “nova MPB”, na música instrumental, no choro, em concertos com orquestras sinfônicas, nos sambas e gafieiras, no sertanejo universitário, no frevo, na Bossa Nova e bandas autorais de diversos estilos. Ou seja, o acordeom hoje ultrapassou a barreira dos gêneros musicais para tornar-se, parafraseando Hermeto Pascoal, um acordeom universal”, comenta Marina.
Como grandes mestres, Dominguinhos e Sivuca são citados em diversas entrevistas, quase a maioria. Na conversa com o fortalezense, Adelson Vianna, ele reforça: “Muito intuitivo, muito criativo o Dominguinhos. Muito. Sivuca também adaptou peças pra sanfona, músicas clássicas que ele fazia com muita maestria. E emocionava também. Era muito estudioso. Eu tenho um amigo que conviveu com ele e disse que ele dormia com a sanfona no peito. Então é muito amor ao instrumento. Então a gente tem que se espelhar neles”.
O show de lançamento será no próximo sábado, 10 de novembro, às 17h, no Sesc Paço da Liberdade, em Curitiba. Entrada gratuita.






