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O que olhos veem, o coração sente

Música e fotografia por décadas caminham juntas. Um único clique pode engrandecer o artista, não só pela sua canção, mas pela atitude e comportamento. A coluna de hoje lembra de imagens que foram eternizadas pelas lentes de alguns fotógrafos. 

porKaty Mary
22 de junho de 2015
em Música
A A
O que olhos veem, o coração sente

Imagem: Reprodução.

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Ontem passei uma tarde maravilhosa com Leonard Cohen. Tomamos um espresso, fumamos um cigarro, arrumei sua gravata, que, aliás, era de um azul de muito bom gosto, conheci sua coleção de chapéus. Aproveitei, já que ele resolveu pegar o violão, e pedi para que cantasse “There is a War”.

Tudo isto aconteceu graças a Sharon Robinson, parceira musical de Cohen há anos. Durante a turnê que fizeram juntos, em 2014, Sharon resolveu registrar alguns momentos. Deles nasceu o livro On Tour with Leonard Cohen. Foi por meio dessa obra-prima, que mantive em meu colo por cerca de uma hora, sentada em uma confortável poltrona de uma livraria, é que pude me transportar para o mundo de Leo.

Assim como acontece com a música, a fotografia também pode nos tirar do chão e nos levar para onde quisermos. Olhando para uma imagem podemos sentir cheiros, ouvir ruídos, rir ou chorar, e imaginar qual música era entoada no momento do clique. Tudo é possível por meio uma fotografia. É nela que está o olho do fotógrafo que capta imagens que nem imaginamos porque estamos absorvidos pelo som.

Música não é só o ouvir. É o ver também. Quando não existia o videoclipe e a MTV, tudo o que tínhamos, além da música, era a capa do disco e as imagens nas revistas. Pode virar o século, mudar a tecnologia, criar-se um novo formato para ouvi-la, um novo canal de comunicação, não importa, a fotografia sempre irá habitar nossa memória. Muitas vezes como uma magia e não só como arte, diria Roland Barthes.

A fotografia nos ajuda a definir música e músicos. Uma fumaça que vem do Jazz, um batom que vem do Glam, um cabelão que vem do Metal, uma tachinha que vem do Punk, um batom preto que vem do Gótico. Fotografar a música. Transportá-la do palco, do estúdio para um pôster, uma capa de revista ou de um disco, de uma camiseta, de um bottom. Ela torna-se sua.

Pela mão de um fotógrafo, muita coisa é imortalizada. Os olhos azuis de Sinatra, captados pelas lentes de Phill Stern; os olhos verdes e azuis de Bowie, focados por Mick Rock. E o rebolado de Elvis Presley, imortalizado por vários fotógrafos, dentre eles, Bob Campbell? A bochecha gigante de Dizzy Gillespie, clicada por Herb Ritts, e os gritos de uma beatleamaníaca que Giorgio Lottip correu para captar?

Nunca vi tantas vezes a foto de Laurie Anderson dando um afago em Lou Reed como no dia em que o cantor morreu, em 2013. Guido Harari foi o cara que conseguiu colocar tanta delicadeza naquela imagem. Foi por causa de Guido que certa vez quase roubei. Dei de cara com um livro recheado de fotografias dele na prateleira de importados de uma livraria. A vontade era de colocar dentro do casaco e sair correndo.

A fotografia nos ajuda a definir música e músicos. Uma fumaça que vem do Jazz, um batom que vem do Glam, um cabelão que vem do Metal, uma tachinha que vem do Punk, um batom preto que vem do Gótico.

Há fotografias que te sugam. Lembrando ainda de Barthes, em sua obra A Câmara Clara, que fala sobre esse momento. É o Punctum – a sensação de agitação interior ao ver uma imagem. Uma espécie de picada, que mortifica. E quando isso acontece não há imagem feia, mal feita, de mau gosto. Sid Vicious vazando sangue, captado pelas lentes de Bob Gruen, em 1977, não é bonito. Mas tem a fúria do punk, a ira que sentimos quando ouvimos ou pogamos.

Além de Guido Harari, que não imortalizou só Lou Reed e Laurie Anderson, mas muito mais gente (é só dar um google). Há Annie Leibovitz, responsável por capas inesquecíveis da revista Rolling Stone; Jenny Lens, a rainha da fotografia punk (onde havia quebradeira lá estava Jenny); Mick Rock, que fotografou muito o Bowie e por isso já vale uma vaga no céu; Kevin Cummins, responsável por imagens imaculadas do Joy Division; Anton Corbijn, que só não fotografou Deus porque está sem espaço na agenda; Terry O’Neill, que fez a sessão de fotos do álbum Diamond Dogs, do Bowie, fotografando exaustivamente o cão que dá pulos; e Bob Gruen, o homem que flagrou a intimidade do rock. Grandes babados dos bastidores, festas, camarins e quartos de hotel saíram dos rolos de filme de Bob.

Antes de ir embora, duas coisas. Primeiro, há um livro chamado Music Box que contém mais de 300 fotos do universo da música e uma lista imensa de fotógrafos. Vale a pena o investimento. Segundo, vou desdobrar a conversa sobre o tema “fotografia na música”. Assim, semana que vem escreverei sobre um dos fotógrafos que citei na minha lista de preferidos.

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