O carioca Jonas Sá é um nome que já acumula certa bagagem na cena da música popular brasileira. É ele que assina a produção musical de Ava Patrya Yndia Yracema, elogiado disco da cantora Ava Rocha, lançado em 2014. Antes disso, já havia participado do disco Cê, de Caetano Veloso, e trabalhado na produção de Teoria do Kaos, coletânea de canções de Jorge Mautner, que saiu em 2002. Paralelo às atividades de produção, também desenvolve sua própria carreira musical desde 2007, que agora ganha seu terceiro capítulo com o lançamento do disco Puber.
Entender esse novo trabalho de Sá requer, antes, uma rápida passagem pelos trabalhos anteriores. O primeiro deles, que marca a estreia do músico, é Anormal, de 2007. O disco é um compilado de treze canções próprias que se destacam pela sonoridade pop mesclada ao rock, que dão uma cara bastante enérgica ao trabalho. Um dos diferenciais é que, já nessa estreia, o músico fez uso de sintetizadores e outros recursos eletrônicos, que passam a ser elementos frequentes nos seus trabalhos seguintes.
O segundo disco, Blam! Blam!, chegou oito anos depois, em 2015. Fazendo uso de um leque maior de referências musicais, como o soul e o funk, o álbum chama a atenção pelo caráter experimental, perceptível pelo protagonismo que ganham os elementos sintéticos e pela colagem de vários estilos, que fazem a experiência de ouvi-lo pouco previsível. Blam! Blam! também merece referência por inserir mais fortemente a temática erótica no trabalho de Jonas, a começar pela capa, que acabou sendo censurada em serviços de streaming e até em fábricas de CD (o que, vale registrar, atrasou em cerca de um ano o seu lançamento).
O terceiro trabalho de Jonas acaba soando mais intimista que os anteriores, nos dando a impressão de que o artista está mais descoberto, livre para cantar, experimentar e se mostrar enquanto cantor e autor.
O percurso iniciado com esses dois discos deságua agora em Puber, álbum que acaba de sair pelo selo independente Risco, de São Paulo. Nele, estão, inicialmente, três características do trabalho que Jonas construiu até então: o uso de elementos eletrônicos, as referências do pop e do rock e a temática erótica. Porém, é impossível resumi-lo somente a isso.
Se os álbuns anteriores trazem um instrumental bastante explosivo quase em sua totalidade, em Puber, há bastante destaque para a voz e para arranjos que a ajudam nesse protagonismo. É o caso das ótimas faixas “Trem”, bastante nostálgica, e “Imensidão”, cuja união entre vocal, arranjo de instrumentos de cordas e ruídos sintéticos formam um resultado bem interessante. Talvez um pouco por isso, o terceiro trabalho de Jonas acaba soando mais intimista que os anteriores, nos dando a impressão de que o artista está mais descoberto, livre para cantar, experimentar e se mostrar enquanto cantor e autor.
Parte dessa exposição nasce, também, das temáticas trazidas no disco. O músico ainda explora o erotismo e a sexualidade, como em “Mas ninguém sabe” e “Olas de calor”, mas também canta sobre o fim de um relacionamento (“Isso vai passar”), sobre paternidade (“Kim”) e sobre a passagem do tempo (“Imensidão”). São quase como pequenos recortes de desabafos, que não apontam exatamente para uma única direção, mas que, reunidas no álbum, estão em sintonia com a proposta de Jonas Sá de desnudar a si mesmo.
Como o próprio nome do disco sinaliza, Puber é uma transição, uma passagem. Parece ser um álbum que só poderia surgir nesse momento, porque soa como um caminho percorrido naturalmente por Jonas, que recupera elementos de seus trabalhos anteriores, mas longe de tentar repetir a si mesmo.
NO RADAR | Jonas Sá
Onde: Rio de Janeiro, RJ;
Quando: 2007;
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