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‘All Her Fault’ acerta quando mira o privilégio

Minissérie estrelada por Sarah Snook, ‘All Her Fault’ parte de premissa forte e encontra bons atritos nas relações de gênero e classe, mas perde força quando transforma culpa em mecanismo repetitivo de suspense.

porAlejandro Mercado
10 de abril de 2026
em Televisão
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Sarah Snook e Jake Lacy são a família Irvine em 'All Her Fault'. Imagem: Universal Studios / Divulgação.

Sarah Snook e Jake Lacy são a família Irvine em 'All Her Fault'. Imagem: Universal Studios / Divulgação.

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Adaptar obras literárias para o formato seriado não é uma estratégia nova, mas ganhou força com o boom das plataformas de streaming. O roteiro é parecido para All Her Fault, minissérie em oito episódios criada por Megan Gallagher a partir do romance homônimo da irlandesa Andrea Mara. Originalmente distribuída pela Peacock, chegou ao Brasil através do Prime Video, onde rapidamente chamou a atenção pelo elenco estrelado: Sarah Snook, Dakota Fanning e Jake Lacy.

A produção, um thriller no melhor estilo noir doméstico, acompanha o desaparecimento do pequeno Milo (Duke McCloud), filho de Marissa (Snook) e Peter Irvine (Lacy), fato que transforma a rotina banal de classe alta da família em uma espiral de pânico, acusações e autopreservação. Apesar dessa roupagem de pesadelo parental, a série encontra substância mais interessante na forma como dinheiro, casamento e poder reorganizam a culpa dentro de uma família rica.

All Her Fault inicia com uma mãe chegando para buscar seu filho na casa de um amigo após uma tarde brincando por lá. No entanto, essa mãe descobre estar na casa errada quando a mulher à porta afirma nunca ter ouvido falar naquela criança. Em questão de minutos, o universo parece desabar. O ponto de partida rapidamente coloca o espectador em estado de alerta. A produção surfa bem essa força primária, cuja ameaça é concreta, o medo é reconhecível e a atmosfera de descontrole se instala facilmente. Mas é depois que a trama se assenta que os problemas surgem, em especial quando o roteiro precisa transformar essa tensão inicial em desenvolvimento dramático.

O roteiro, conduzido majoritariamente pela própria Megan Gallagher, abusa das técnicas básicas do gênero: retenção de informações, suspeitos que se acumulam, pistas (ou falsas pistas) em diálogos supostamente importantes. Porém, o que ocorre é mais uma confusão entre tensão e retenção, com elementos sendo segurados tempo demais e, na sequência, sendo entregues de modo atropelado, a custo de uma consistência que a narrativa não possui. O suspense segue por todos os oito episódios, mas menos intenso – e, principalmente, menos elegante.

Quem se desgasta bastante com esse efeito é Sarah Snook, que tenta compensar com uma atuação bastante física, cuja performance parece sempre à beira de um colapso. Sua trajetória em Succession mostrou que ela sabe interpretar mulheres em combustão silenciosa, e isso é visto em All Her Fault. Sua Marissa ganha vida, em grande parte, justamente por causa de seu talento, já que o texto, por si só, oferece menos do que parece. Snook se agarra no que tem, ainda que a série pareça não fazer o mesmo por ela.

A minissérie cresce quando para de insistir em dar holofote somente ao enigma que envolve o sequestro da criança e mira as lentes para observar o entorno social agora desestabilizado. É nesse instante que a produção parece ganhar mais vida. O roteiro tem a seu favor uma boa abordagem sobre as relações de gênero, sobretudo na forma como homens e mulheres ocupam lugares diferentes dentro da ideia de família, responsabilidade e cuidado, indo além de apenas apontar o machismo estrutural. Nos instantes em que opta por mostrar os pequenos gestos que sustentam essa engrenagem, a minissérie acerta em cheio. Peter e Richie (Thomas Cocquerel), por exemplo, são expressões perfeitas de uma lógica conhecida: o homem que terceiriza o trabalho emocional do lar, mas preserva para si a posição de motor familiar, ainda que não participe da estrutura da casa com a mesma intensidade que sua companheira.

All Her Fault sabe que imagem quer projetar de si mesma, mas demora muito em transformá-la em experiência dramática convincente.

Essa abordagem nada delicada surge em especial nas cenas aparentemente banais da série. A culpa materna deixa de ser somente tema para assumir a posição de tecnologia social, que organiza o olhar da polícia, da imprensa, dos homens e das outras mães. É, sem sombra de dúvidas, quando os episódios de All Her Fault atingem seu ponto máximo. Os privilégios que cercam o universo retratado não operam somente como suporte ao suspense, mas mostram como conforto e instabilidade podem coexistir com naturalidade assustadora: o dinheiro pode blindar muita coisa, mas não impede que o ressentimento circule, tampouco é capaz de esconder as microviolências.

Todavia – e aqui é a hora do porém -, essa abordagem interessante convive com a dificuldade que All Her Fault tem para construir personagens secundários com o mesmo rigor. Ainda que alguns tenha presença de tela, eles possuem pouco brilho, enquanto há os que pareçam entrar em cena apenas como deixa para que o roteiro discorra alguma tese sobre maternidade, casamento ou vício. Essa escolhe empobrece o conjunto e, ao invés de ampliar o campo emocional da história, faz com que coadjuvantes fiquem restritos a uma função menor. Há acertos, como no núcleo dos Irvine com seus traumas e ressentimentos familiares; mas também há equívocos, como Colin (o amigo sempre à disposição) e o Detetive Alcaras, que parecem existir apenas para forçar a engrenagem da minissérie quando parece que as coisas vão emperrar.

Quem chega ao final dos 8 episódios percebe que ali pelo meio a produção estica demais situações que já entregaram o que tinham para dar, ao mesmo tempo que desenvolve mal certas revelações. All Her Fault sabe que imagem quer projetar de si mesma, mas demora muito em transformá-la em experiência dramática convincente. A sensação é de quem já subiu até o topo da montanha, está cansado, mas sabe que agora tem que descer. Em outras palavras: você segue assistindo porque quer saber onde tudo vai dar, mas o impulso já não tem a mesma motivação inicial. Funciona em partes, mas deixa a impressão de que poderia ser melhor.

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Tags: All Her FaultMinissériePrime VideoSarah SnookSeriado

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