• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Televisão

Os impactos sociais do telejornalismo sensacionalista

Programas como ‘Brasil Urgente’ e ‘Cidade Alerta’ alteram a rotina do cidadão brasileiro, impactando de diferentes formas a percepção da realidade.

porTaiany Gonçalves
6 de novembro de 2018
em Televisão
A A
Joel Datena comandando o programa Brasil Urgente, da Band

‘Brasil Urgente’, apresentado por Joel Datena, é um dos telejornais sensacionalistas da TV brasileira. Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Já falei algumas vezes aqui na coluna sobre a abordagem do newsmaking, os critérios de noticiabilidade e o agendamento dos telejornais brasileiros. Todos os recursos utilizados no fazer jornalístico objetivam atingir o público, seja informando-o ou influenciando-o.

Essa regra se aplica ainda com mais veemência aos telejornais policiais sensacionalistas, sobretudo no âmbito da influência. Os fatos escolhidos para serem noticiados somados à forma que as matérias vão ar e são abordadas pelos âncoras (que atuam mais como juízes do que como mediadores) constroem e transmitem uma realidade violenta e sangrenta capaz de impactar a vida dos cidadãos.

O clima de medo e de paranoia é instaurado diante desses programas. Se me permitem, posso exemplificar o que digo com uma curta história familiar. Minha avó, que vive em uma cidade do interior e é telespectadora fiel desses telejornais, começa a fechar as janelas e as portas de casa durante a exibição dessas matérias policiais sensacionalistas. Nos dias em que, por algum motivo, ela não assiste a esses programas telejornalísticos, tudo fica em paz. Sem desespero para trancar a casa. E assim é em muitos lares brasileiros.

Os fatos escolhidos para serem noticiados somados à forma que as matérias vão ar e são abordadas pelos âncoras constroem e transmitem uma realidade violenta e sangrenta capaz de impactar a vida dos cidadãos.

Geralmente, os apresentadores desse tipo de programa se prendem a uma mesma notícia por um longo tempo, além de retornar ao assunto no(s) dia(s) seguinte(s). E tempo é o que não falta, já que são telejornais que duram horas. O Brasil Urgente, por exemplo, tem 3 horas e 20 minutos de duração e o Cidade Alerta, 3 horas. É uma quantidade suficiente de horas capaz de rotular o país como um reduto da violência e influenciar as conversas e as atitudes cotidianas a partir do medo, insegurança e paranoias que são despertados em cada telespectador.

Além dessas sensações de constante ameaça, outro sentimento despertado no público é o da grande repulsa em relação aos criminosos. É incutida uma ideia equivocada de justiça, de que violência se combate com violência. A agressão verbal, por parte dos âncoras, direcionada aos sujeitos praticantes de algum crime, não só contribui para a revolta dos cidadãos como constrói um pensamento irracional, que não possui um mínimo de embasamento nos direitos humanos.

Todos os traços apelativos desse tipo de programa corroboram para uma construção e espetacularização da realidade. Não quero dizer que os assassinatos, estupros, roubos, entre outros temas selecionados por esses telejornais, não aconteçam, mas que a sua grande recorrência unânime nesses meios e sua abordagem agressiva constroem uma única realidade, sendo essa a de violência por toda a extensão territorial brasileira. A imagem que se tem é de um Brasil única e extremamente violento, no qual os sujeitos errantes merecem uma severa e bárbara punição, enquanto os “cidadãos de bem” devem ficar atentos e temerosos a todo tempo para evitar que o mal aconteça.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Para continuar a existir, Escotilha precisa que você assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 8,00 mensais. Se preferir, pode enviar um PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: brasil urgentecidade alertaSensacionalismotelejornalTelejornalismo

VEJA TAMBÉM

Claire Danes e Jared Leto em 'My So-Called Life'. Imagem: ABC Productions / Divulgação.
Televisão

‘My So-Called Life’: a série adolescente perfeita que parece nunca ter existido

25 de fevereiro de 2026
A menor de idade Eloá Pimentel, vítima de um sequestro aos 15 anos. Imagem: Reprodução.
Televisão

‘Caso Eloá: Refém ao Vivo’ revisita um dos piores circos montados pela imprensa brasileira

23 de fevereiro de 2026

FIQUE POR DENTRO

Josh O'Connor e Paul Mescal dão vida aos personagens da história criada por Ben Shattuck. Imagem: Film4 / Divulgação.

‘A História do Som’ transforma silêncio e música em gesto de amor contido

3 de março de 2026
Autora tem provocado intensos debates na esquerda francesa com sua obra. Imagem: Reprodução.

‘Fazer justiça’ analisa o avanço do punitivismo dentro dos movimentos progressistas

2 de março de 2026
A escritora argentina Aurora Venturini. Imagem: Nora Lezano / Reprodução.

A união feminina como sobrevivência em ‘As Primas’

27 de fevereiro de 2026
Zach Condon retorna com o Beirut após quase 12 anos. Imagem: Lina Gaisser / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Beirut

27 de fevereiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.