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‘Saber Rider e os Star Sheriffs’ é uma divertida e obscura surpresa, apesar de sua complicada história de produção

Adaptação americana de um anime japonês, 'Saber Rider' é um fascinante samba do crioulo doido - e isso não é algo ruim!

porDavid Ehrlich
16 de julho de 2018
em Televisão
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'Saber Rider e os Star Sheriffs' é uma divertida e obscura surpresa, apesar de sua complicada história de produção

Imagem: Reprodução.

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Por algum motivo, sou fascinado por histórias que misturam duas ou mais ideias que aparentemente não têm nada a ver umas com as outras. Talvez porque reconheço o desafio em transformar uma mistura estranha de palavras em uma história boa. É fácil juntar as palavras “tartaruga” e “ninja”, mas contar uma história envolvente em cima dessa mistura é outros quinhentos.

Uma mistura bastante popular ao longo das décadas tem sido a de faroeste com ficção científica. Provavelmente o produto mais conhecido dessa mistura é o gênero steampunk, mas não é sobre ele que escreverei agora. Hoje abordarei outro gênero, os faroestes espaciais, curiosamente comuns entre desenhos animados nos anos 80, como Bravestarr e Galaxy Rangers. Mas não é sobre esses que escreverei hoje. No lugar, escreverei sobre um faroeste espacial relativamente obscuro, porém um dos melhores do gênero: Saber Rider e os Star Sheriffs.

Embora tenha se tornado bastante popular em alguns países europeus como Alemanha e Grécia no fim dos anos 80 e começo dos 90, por aqui foi exibido apenas por um tempo no SBT, e com a exceção de um DVD com dois episódios, nunca foi lançado em vídeo ou streaming. Portanto, talvez seja um pouquinho difícil encontrar a série completa, ainda mais em português… Porém garanto que a procura vale a pena!

Uma espécie de testamento das primeiras incursões do estilo anime na cultura ocidental.

E como que é afinal esta série? Bem, a história se passa em um futuro distante, no qual a humanidade passou a colonizar outros planetas em um sistema semelhante ao Velho Oeste. E com semelhante, quero que você visualize aquele cenário desértico com caubóis e tudo o mais… Porém acrescente armas laser, naves espaciais e até robôs. A história gira em torno dos tais Star Sheriffs, uma unidade de operações especiais designada a proteger estas colônias espaciais de alienígenas invasores chamados de “Outriders” a bordo da Ramrod, uma nave capaz de se transformar em um robô gigante.

Confesso que pode soar um tanto besta no papel, porém ao de fato assistir a série percebe-se que ela é bem mais que isso, e o resultado final é um tanto incrível. As sequências de ação são grandiosas e, nos episódios mais importantes, um tanto extravagantes (embora não muito variadas, uma vez que a série deixa evidente que seu orçamento não foi dos maiores); a ambientação captura perfeitamente aquela sensação de faroeste apesar das naves e robôs; a história mantém o espectador curioso – especialmente nos episódios mais tardios, quando a narrativa se torna mais consistente – sem deixar de ser um puro enredo de bem vs. mal; e a trilha sonora… Ah, a fantástica trilha sonora! Especialmente o grudento tema da série, que quem assistiu à série deve estar cantarolando agora mesmo, ou então se lembrando do solo de guitarra que toca no fundo enquanto o narrador dá a sinopse do episódio.

Não podemos esquecer também dos personagens, que vão além de meros estereótipos rasos para formar um time que efetivamente se completa, com as características e a personalidade de cada um sendo necessárias para eles triunfarem em cada episódio: Saber, o comandante, é o herói galante de cavalo e espada; Colt, responsável pelas armas da Ramrod, é o cowboy descontraído e bom de mira; o esquentadinho piloto de corrida Fireball torna-se o piloto da nave durante as missões; e April, a criadora de todo o projeto da Ramrod, fica a cargo da navegação.Mas vamos finalmente tirar o elefante branco da sala, que é a história de sua produção. Isso porque Saber Rider não é uma série original, e sim uma adaptação de um anime chamado Mosqueteiro Estelar Bismark, produzido em 1984 pelo estúdio japonês Pierrot, e que, três anos mais tarde, teve seus direitos de distribuição internacional comprados pela WEP (a mesma companhia responsável pela distribuição de Voltron). A WEP, porém, não fez apenas uma simples tradução para o inglês: adaptou-a às demandas do mercado americano, fazendo várias mudanças severas na identidade da série.

Além de censurar quaisquer referências a coisas como morte e álcool do roteiro, esta nova versão inclusive mudou a origem dos vilões (que, no original, recebem o nome um tanto estranho de Deathculas): ao invés de serem meros seres alienígenas de outro planeta que viram poeira ao morrerem, ele vêm de uma dimensão paralela, e ao invés de morrerem, são transportados de volta à sua dimensão toda vez que são feridos. A mudança chegou a tal ponto que a WEP inclusive exigiu a produção de cinco novos episódios que justificassem esta nova origem.

Mas, de uma forma estranha… Isso só torna a série mais fascinante. Como uma espécie de testamento das primeiras incursões do estilo anime na cultura ocidental, um capítulo inicial na lenta história dessa mudança cultural que viria a revolucionar a TV americana. As mudanças feitas, questionáveis ou não, permitiram a Saber Rider mostrar um nível maior de violência que outras animações da época, e não é que dão um toque diferente e até ironicamente engraçado quando assistido atualmente? Se tiver a chance, dê ao menos uma conferida.

Tags: AnimaçãoAnos 80CríticaFaroeste EspacialPierrotResenhaReviewSaber Rider e os Star SheriffsSBTSérieWEP

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