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‘Scream Queens’ e a alienação juvenil

'Scream Queens' abusa da metalinguagem e fala diretamente com os jovens.

porRodrigo Lorenzi
29 de setembro de 2015
em Televisão
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'Scream Queens' e a alienação juvenil

Imagem: Reprodução.

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Uma jovem adolescente está em seu quarto, celular nas mãos, quando recebe um SMS: “Teria coragem de abrir a porta?”. Temerosa, porém curiosa, a garota resolve descobrir quem é. Estranhamente, se depara com alguém vestido de Diabo, usando uma máscara assustadora. Ao invés de achar suspeito, a jovem volta ao celular e os dois começam a enviar mensagens, ensaiam uma dança e trocam olhares sensuais, até que ele digita: “Agora eu vou te matar!”. A garota, ainda no celular, responde: “O quê? Espera aí!”. Logo ela recebe uma facada no peito, mas antes de morrer precisa entrar em seu Twitter para avisar seus seguidores que está sendo assassinada. Após tuitar, consegue morrer em paz.

A cena, que aconteceu logo no primeiro episódio de Scream Queens, já dita o tom e o que podemos esperar da nova antologia de Ryan Muprhy, juntamente com Ian Brennan e Brad Falchuk, as mentes por trás Glee. E como já era de se esperar, Murphy conduz sua narrativa com diálogos verborrágicos, alfinetadas que incomodam e escancara a alienação juvenil em um produto que pretende criticar a sociedade atual sem se levar a sério, nas entrelinhas, exigindo um pouco de atenção do seu público.

Na história, voltamos a 1995, quando uma das integrantes da fraternidade feminina Kappa Kappa Tau dá a luz no meio de uma festa e morre logo em seguida, por negligência de suas colegas, que se recusam a ajudá-la porque a melhor música estava tocando na pista de dança. Em 2015, a mesma universidade onde ocorreu a tragédia é abalada por uma série de assassinatos cometidos por uma estranha pessoa vestida de Diabo. Agora, a Kappa Kappa Tau é governada pela rainha “bitch” Chanel Oberlin (Emma Roberts) que vê prazer em humilhar tudo e todos que cruzem o seu caminho. Quando a ex-Kappa e atual reitora Munsch (Jamie Lee Curtis) ordena que todos os alunos do campus podem se inscrever para participar da fraternidade, a universidade fica em polvorosa, com cada um tentando fazer parte do tão cobiçado grupinho das meninas populares.

Há uma linha tênue separando diálogos provocativos de diálogos que encorajam o público a rir de quem é diferente.

É nessa micro-sociedade hedonista que Murphy faz o que sabe de melhor. Chamam a atenção diversos personagens secundários que dão voz a um texto afiadíssimo e provocativo. Grace (Skyler Samuels) a bondosa garota que pretende seguir os passos de sua mãe entrando na fraternidade; Zayday (Keke Palmer) colega de quarto de Grace, corajosa e dona de si; uma garota surda chamada Tiffany (Whitney Meyer), obcecada por Taylor Swift; a menina de pescoço quebrado chamada Hester (Lea Michele), que adora assuntos mórbidos; a feminista “Predatory Lez” (Jeanna Han), que problematiza cada frase ou ato; e Jennifer (Breezy Eslin), uma vlogueira que faz reviews de… velas, entregando diálogos como: “Eu chamo esta vela de Experiência Nancy Meyers, porque quando ela aquece cheira a menopausa. Eu amo.”, em referência aos filmes da diretora Nancy Meyers, que na maioria das vezes tem como protagonistas atores mais velhos. Todas essas personagens ganham os melhores diálogos e servem para soltar comentários espertinhos sobre questões raciais, diferenças entre classes, gênero e sexualidade, temas recorrentes nas criações de Murphy.

Tudo é debochado e propositalmente trash, numa clara inspiração aos filmes dos anos 80, com uma vontade séria de Murphy por resgatar a metalinguagem dos filmes de horror adolescentes, iniciada nos anos 1990 por Kevin Williamson na franquia Pânico. Há, também, uma homenagem aos fãs de filmes slasher, com Jamie Lee Curtis voltando à cena em uma história de serial killer, após protagonizar por anos a franquia Halloween. Inspirada, a atriz aparece extremamente a vontade, se divertindo em cada cena. O elenco, inteiro formado por carinhas conhecidas do público adolescente, flui muito bem, diferente de sua série-irmã Scream, que tem uma proposta parecida, mas falha em um texto ruim e atuações sofríveis.

Porém, não se sabe ainda se Scream Queens pretende satirizar a futilidade juvenil ou apenas representá-la, num guilty pleasure eficiente, mas que não quer problematizar a questão. Há uma linha tênue separando diálogos provocativos de diálogos que encorajam o público a rir de quem é diferente. Em determinada cena, fica muito fácil zombar da garota surda quando ela não entende o que está acontecendo ao seu redor e começa a cantarolar Taylor Swift, situação que parece cômica no momento, mas que, na verdade, é apenas ofensiva. Há, também, uma fragilidade na narrativa central, com uma história clichê que pode não se sustentar por muito tempo, se transformando numa série sem linearidade, apenas soltando frases de efeito que não seguram a audiência por muito tempo.

Scream Queens não é uma série que pretende agradar o público em geral, sendo estrategicamente direcionado aos jovens. Enquanto alguns verão uma crítica mordaz, outros verão apenas sadismo. Ryan Murphy, entretanto, já deu provas de que sabe falar com seu público de maneira inteligente, mesmo perdendo a mão no decorrer de diversas temporadas. E mesmo que Scream Queens seja apenas uma divertida série para assistir sem compromisso, a sensação de desconforto ao se deparar com diálogos afiados acusam que, disfarçado por um ritmo ágil e engraçado, o texto não é fácil de ser digerido. Basta saber se Murphy conseguirá manter o ritmo e ainda cuidar de mais duas de suas criações, também antologias (American Horror Story e American Crime Story), tomando cuidado para não cair na repetição, já que muito do universo adolescente já foi abordado em Glee, na maioria das vezes com maestria.

Em tempo, mesmo com todo o marketing pesado, a estreia amargou míseros 4 milhões, números bem abaixo do esperado pela FOX americana.

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