• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Televisão

‘Caçador de Demônios’ falha em sustentar seu próprio enredo

Série original do Prime Video, ‘Caçador de Demônios’ até começa com humor macabro e energia própria, mas rapidamente perde o rumo ao tentar equilibrar mitologia, drama familiar e gore estilizado.

porAlejandro Mercado
17 de novembro de 2025
em Televisão
A A
Kevin Bacon encarna Hub Halloran, um caçador a serviço do demônio. Imagem: Amazon Studios / Divulgação.

Kevin Bacon encarna Hub Halloran, um caçador a serviço do demônio. Imagem: Amazon Studios / Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Há algo de sedutor na premissa de Caçador de Demônios: Kevin Bacon como um caçador de fugitivos ressuscitado pelo próprio Diabo para capturar demônios à solta em uma pequena cidade sulista. O ponto de partida tem o charme absurdo de uma graphic novel nunca adaptada e a promessa de um horror cômico que se leva pouco a sério. De fato, seus primeiros episódios cumprem bem essa proposta — e é justamente aí que reside a frustração. A série começa acelerada, afiada e divertida, mas, à medida que a trama avança, parece perder o controle do próprio veículo, como se o motor que a impulsionava desde o início subitamente engasgasse na metade do percurso.

Bacon interpreta Hub Halloran com precisão: um sujeito cansado, meio derrotado, que carrega no corpo — e depois no cadáver — os sinais de uma vida que nunca saiu do lugar. É difícil pensar em alguém melhor para encarnar um herói relutante que desperta dentro de uma parede com um corte ainda aberto no pescoço, acendendo um cigarro pelo ferimento. Esse humor mórbido, apoiado na fisicalidade do ator, sustenta grande parte do charme inicial da série, que combina vísceras exageradas, timing cômico e um olhar irreverente sobre o sobrenatural.

O problema é que Caçador de Demônios não mantém essa energia por muito tempo. Com apenas oito episódios de meia hora, a temporada corre para desenvolver mitologia, criar vínculos emocionais e estabelecer conflitos que exigiriam fôlego maior. O resultado é um atropelo narrativo em que subtramas entram e saem sem ritmo, personagens deixam de evoluir e a atmosfera que antes tinha leveza e irreverência passa a se levar a sério demais. Há uma evidente mudança de tom: o procedural macabro e divertido dá lugar a uma urgência desmedida sobre salvar o mundo, como se a sala de roteiristas tivesse decidido pisar no acelerador sem saber muito bem aonde queria chegar.

A mitologia da série também sofre com essa pressa. Os demônios — que inicialmente funcionam como criaturas bizarras e grotescas à la Buffy — tornam-se cada vez menos definidos. Muitos são apenas borrões de CGI sem personalidade, e seus hospedeiros humanos raramente têm profundidade suficiente para gerar tensão real. A cosmologia é propositalmente nebulosa, mas falta uma lógica mínima para que o espectador consiga se orientar. Tudo parece inventado à medida que a trama demanda, sem consequências claras, sem regras consistentes e sem um mundo realmente habitável além do conceito inicial.

Ainda assim, há momentos que funcionam. A presença de Beth Grant como Kitty, mãe de Hub, injeta humor ácido e timing impecável; sua reação quase protocolar ao fato de o filho ter voltado dos mortos é um dos exemplos de como a série poderia ter explorado melhor a comicidade intrínseca ao absurdo. Midge, representante do inferno que também toca uma confeitaria, é outro achado — sua existência por si só já sustenta um tipo de fantasia mundana que a série só explora pela metade. Mas ambas acabam empurradas para margens da história conforme o roteiro desloca a atenção para tramas menos interessantes, especialmente o romance não resolvido entre Hub e a ex-esposa Maryanne, que nunca chega a adquirir densidade dramática.

A subtrama musical envolvendo o antigo duo country formado por Hub e Maryanne, por sua vez, é tão deslocada que beira o involuntariamente cômico. É possível entender a tentativa de atribuir aos personagens uma história comum, uma ferida emocional, um passado compartilhado que justifique a tensão que os move. Mas nada disso é suficientemente desenvolvido para justificar as cenas de nostalgia musical — que funcionam mais como curiosidade desconfortável do que como elemento dramático.

Caçador de Demônios tem carisma, tem estética própria, tem um protagonista interessante e até momentos de direção inventiva. Mas não consegue costurar suas ambições em um todo coeso.

O sentimento predominante, na soma de todas essas escolhas, é o de um desperdício de potencial. Caçador de Demônios tem carisma, tem estética própria, tem um protagonista interessante e até momentos de direção inventiva. Mas não consegue costurar suas ambições em um todo coeso. O início promissor — que abraça o horror absurdo, o deboche e a violência estilizada — acaba suplantado por uma narrativa que tenta ser maior do que a própria estrutura permite. Quando o último episódio chega, a impressão é a de que a série acelerou demais, derrapou nas curvas e, antes de entender a pista em que estava, já havia perdido tração.

Cancelada ainda em sua primeira temporada, Caçador de Demônios deixa a sensação de que poderia ter sido mais: mais engraçada, mais ousada, mais estranha, mais bem resolvida. Em vez disso, optou por ampliar demais seu escopo e perdeu a vantagem competitiva que tinha — justamente aquela que estava nas pequenas coisas, nos detalhes absurdos e na capacidade de rir de si mesma. Há boas ideias aqui, algumas até memoráveis, mas elas se dissipam no calor da pressa. No fim, o diabo pode até estar nos detalhes — mas a série parece ter ignorado justamente os que importavam.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Que tal apoiar a Escotilha? Assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 15,00 mensais. Se preferir, pode enviar uma contribuição avulsa por PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: Caçador de DemôniosKevin BaconPrime VideoSérie

VEJA TAMBÉM

Steve Martin no auge de sua carreira. Imagem: A24 / Divulgação.
Televisão

‘Steve! (martin)’ revela a carreira genial e errante do grande humorista

26 de dezembro de 2025
Irregular, 'Adultos' se sai bem quando se leva menos a sério. Imagem: FX Network / Divulgação.
Televisão

‘Adultos’ observa a GenZ com humor irregular

24 de dezembro de 2025

FIQUE POR DENTRO

Steve Martin no auge de sua carreira. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Steve! (martin)’ revela a carreira genial e errante do grande humorista

26 de dezembro de 2025
Irregular, 'Adultos' se sai bem quando se leva menos a sério. Imagem: FX Network / Divulgação.

‘Adultos’ observa a GenZ com humor irregular

24 de dezembro de 2025
Néstor Cantillana e Antonia Zegers comandam a trama de 'O Castigo'. Imagem: Leyenda Films / Divulgação.

‘O Castigo’ transforma a maternidade em um território de culpa e silêncio

23 de dezembro de 2025
Stellan Skarsgård e Elle Fanning dividem a tela em 'Valor Sentimental'. Imagem: Mer Film / Divulgação.

‘Valor Sentimental’ não salva ninguém

22 de dezembro de 2025
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.