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Home Crônicas Paulo Camargo

O dia em que a cidade me salvou

porPaulo Camargo
23 de fevereiro de 2016
em Paulo Camargo
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"O dia em que a cidade me salvou", crônica de Paulo Camargo.

Imagem: Reprodução.

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As cidades são vivas e dialogam com as pessoas. O tempo todo. Por isso, qualquer transformação mais profunda invariavelmente passa por elas, nasce delas, que vão além de meros cenários para nossa existência. São organismos pulsantes e em constante, e por vezes imperceptível, processo de mutação. Somos, sim, muito do resultado dessas mudanças, que, por sua vez, também absorvem nossas histórias – sejam elas constituídas de grandes feitos, acontecimentos triviais ou retumbantes fracassos – como matéria viva. As cidades, enfim, somos nós.

Deveria ser inevitável pensar na cidade não apenas como uma extensão de nossa casa, ou espaço geográfico onde decidimos (ou não) viver, estudar, trabalhar e constituir família, seja ela de que tipo for. É tudo isso, sem dúvida, porém muito mais: configura-se como uma parte visível e invisível, porém indissociável, do que somos. Talvez por conta desse seu caráter múltiplo, ao mesmo tempo concreto e imaterial, os rumos que uma cidade irá tomar nos afeta. Interfere, talvez até de forma definitiva, no roteiro do filme de cada um.

O escritor italiano Italo Calvino, em sua obra-prima, o romance As Cidades Invisíveis, cria um diálogo imaginário entre Marco Polo, “o maior viajante de todos os tempos”, e Kublai Khan, imperador dos tártaros de lendária reputação, que faz ao explorador veneziano um pedido insólito, e tentador. Como não tinha meios de enxergar toda a extensão de seus domínios, o monarca quer que o navegador lhe conte o que viu de seu mundo, servindo-lhe como uma espécie de sonda capaz de tudo ver e perscrutar. Mas, sobretudo, de contar.

Talvez por conta desse seu caráter múltiplo, ao mesmo tempo concreto e imaterial, os rumos que uma cidade irá tomar nos afeta.

Tal qual uma Xerazade, narradora das Mil e Uma Noites Árabes, Polo opta pela invenção. Mergulha no abismo da ficção para descrever, em detalhes absurdos que nem mesmo ele sabia ser capaz de criar, 55 cidades nas quais teria pisado. São visões que combinam referências concretas, presentes na memória do navegador, mas também elementos que flutuam, a esmo, semeados no imaginário do narrador – e, é claro, do próprio Calvino – pelas várias artes já existentes naquele mundo, como a literatura e a pintura, e de outros futuros, sobretudo o cinema.

Quem não for capaz de sonhar com cidades invisíveis, que existam apenas na própria cabeça, decerto não conseguirá reinventar a sua própria, que também deve ser construída de sonhos, desejos e de um tanto de loucura. E esse poder de interferir nesse destino coletivo é uma aventura digna de um Marco Polo. Parecido com o que encarnei sem querer quando, no centro velho do Rio de Janeiro, quase me rendi ao desespero de não conseguir me encontrar há alguns anos. Fui surpreendido por um “grafiti-oráculo” em um viaduto, que já não existe mais. Ele dizia: “Viva intensamente. Ou desista”. Era a cidade dialogando comigo.

Tomei a minha decisão e sobrevivi para contar.

Tags: As Cidades InvisíveiscidadeCidadesCrônicaescolhasgrafitiItalo CalvinoKublai KhanMarco Polo

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