• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Longe da Água’: um doloroso despertar via escrita de Michel Laub

'Longe da Água', de Michel Laub, é uma história sobre três jovens marcados por uma tragédia. Um romance absolutamente sensível sobre culpa e amadurecimento.

porEder Alex
20 de julho de 2016
em Literatura
A A
'Longe da Água': um doloroso despertar via escrita de Michel Laub

O autor Michel Laub. Imagem: Fabio Braga/Folhapress.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

A vida nos cobra o seu preço por nos tornarmos adultos. O fantástico mundo dos boletos e das reuniões de condomínio se abre diante dos olhos dos jovens que guardam dentro de si não apenas a expectativa de um futuro cheio de possibilidades que ainda estão se moldando, como também a memória de um passado que já está bastante definido e que às vezes é um tanto cruel em sua imobilidade. Há um jogo de sombras no meio deste caminho que parece interessar o gaúcho Michel Laub, um dos melhores escritores da literatura brasileira contemporânea.

Em Longe da Água, publicado pela editora Companhia das Letras, ficamos conhecendo o narrador e o seu melhor amigo, Jaime. Os dois adolescentes estão surfando em Albatroz, um balneário do Rio Grande do Sul, quando um acidente ocorre e acaba por marcar de forma dilacerante a vida do protagonista.

Já com 30 anos e emocionalmente destroçado, o narrador procura relembrar aquele período tão importante de sua vida, a escola, a família e também a ex-namorada de Jaime, Laura. O livro é bem curtinho, mas Laub consegue nos apresentar com bastante precisão um curioso panorama do amadurecimento destes personagens.

O livro é bem curtinho, mas Laub consegue nos apresentar com bastante precisão um curioso panorama do amadurecimento destes personagens.

O autor procura compreender os efeitos de uma tragédia na vida de uma pessoa e o faz de uma maneira muito sensível, observando o caráter mais humano da questão, a partir do peso das memórias construídas a partir de uma experiência traumática e das dificuldades de lidar com o mundo depois disso: “estar diante do psicólogo com curso de pós-graduação é o mesmo que acatar os conselhos solidários, as pessoas que se aproximam com as frases de programa, você não pode guardar essas coisas, você precisa desabafar: o mundo inteiro espera por um diálogo esclarecedor, um diálogo de cura, todos acham que é uma tarefa simples, um mecanismo que você aciona para que a alegria e a disposição subitamente tomem conta, e todos possam ficar alegres também, todos possam se alegrar da própria alegria”.

Esta cicatriz psicológica vai sendo esmiuçada através de uma história que oscila entre o passado e o presente, num crescente tom de tensão e desolamento. Vemos aqui um escritor que possui um invejável apuro técnico, numa obra em que as frases são muito precisas e fogem de qualquer afetação. Não que o autor seja frio ou meramente objetivo, pelo contrário, ele encontra ranhuras na simplicidade cotidiana e arranca dali um lirismo profundo e às vezes inesperado, tudo isso de uma maneira muito cristalina para o leitor. Tal como André de Leones (leia a crítica aqui), Michel Laub é um escritor bastante seguro e que tem pleno controle da estrutura narrativa fragmentada, algo que ele conseguiu aperfeiçoar de forma ainda mais brilhante naquele que talvez seja o seu melhor trabalho até o momento, o excelente Diário da Queda.

Longe da Água nos crava no peito aquela angústia de sentir que o passado jamais mudará, independentemente do que façamos no presente. E, você sabe, nem todo mundo se orgulha daquilo que já foi um dia. Resta-nos então o conforto do esquecimento, mas mesmo que o passado deixe de doer, sabemos a cicatriz estará sempre lá.

LONGE DA ÁGUA | Michel Laub

Editora: Companhia das Letras;
Tamanho: 120 págs;
Lançamento: Abril, 2004.

Compre o livro e ajude a Escotilha

Tags: Companhia das LetrasCríticaCrítica LiteráriaLiteraturaLiteratura BrasileiraLiteratura ContemporâneaLonge da ÁguaMichel LaubResenhaReview

VEJA TAMBÉM

A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.
Literatura

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Juliana Belo Diniz desafia o biologicismo e recoloca o sofrimento mental em seu contexto humano. Imagem: Juliana Veronese / Divulgação.
Literatura

‘O que os psiquiatras não te contam’ e a urgência de devolver complexidade à saúde mental

19 de dezembro de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.