• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Caninos Amarelados’: o livro das máscaras

'Caninos Amarelados', de Mario Filipe Cavalcanti, é um contraponto na literatura contemporânea, tão pautada pela presunção e falta de talento.

porJonatan Silva
10 de fevereiro de 2017
em Literatura
A A
'Caninos Amarelados': o livro das máscaras

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Cortázar deu a lição – o conto precisa vencer por nocaute, tem que ser rápido e preciso, jogar o leitor no chão em poucas palavras – e o escritor pernambucano Mario Filipe Cavalcanti parece ter seguido à risca os ensinamentos do mestre portenho. Caninos Amarelados (Cepe, 106 páginas), seu livro mais recente, não deixa dúvidas de que Cavalcanti é o nome ao qual devemos prestar atenção.

Com uma narrativa e uma sintaxe muito próprias, o autor consegue criar uma atmosfera pessoal e lírica para contar suas histórias que, em geral, tratam dos mesmos temas: as máscaras das convenções sociais, a identidade do indivíduo, o amor como escape e as situações limítrofes entre realidade e ilusão. São imagens etéreas e, às vezes, pouco nítidas, que vistas do ponto certo permitem o vislumbre racional e estarrecedor da realidade.

“Estava uma tarde muito quente e seus fluídos dançavam com os fluídos do ar sem ele saber”, ataca o primeiro conto do livro, “Iniciação”, logo em sua linha inicial. E é quase impossível não pensar nos Cronópios e Famas cortazianos, por exemplo. Apesar das pequenas semelhanças ou influências, Mario Filipe não se abraça ao pré-estabelecido, como “Inócuo” e “Free”, dois contos que já fazem parte do recheio do bolo.

O narrador de Cavalcanti é sempre o artista da fome kafkiano, alguém capaz de levar às últimas consequências mesmo o que for mais pífio e banal.

“Post scriptum” é um réquiem metalinguístico, uma espécie de brincadeira mórbida – ou humor negro – em um país no qual o hábito de leitura da população não chega a três livros por ano. Já “Ab Ovo” remonta, ainda que levemente, à tradição da poesia concreta que, por sinal, parece estar esquecida e empoeirada em algum baú da história da literatura brasileira – que merece ser aberto.

Estreito

Os contos de Caninos Amarelados são estreitos, muito diretos e longe dos lugares-comuns e clichês que abundam a literatura contemporânea. Ainda que não exista um fio a conduzir os textos, Mario Filipe Cavalcanti estabelece certa unidade, seja pela temática (como dito acima), seja pelo estilo conciso e cosmopolita. O que chama a atenção é que, contra tudo, Mario Filipe, que tem somente 25 anos, não soa pretensioso e sabe exatamente onde está pisando (algo cada vez mais raro).

“Uso uma máscara ridícula de um escritor que quer ser lido”, dispara em uma das histórias. O narrador de Cavalcanti é sempre o artista da fome kafkiano, alguém capaz de levar às últimas consequências mesmo o que for mais pífio e banal. Há, na maioria dos casos, um pequeno pavio que, ao ser acesso, dispara uma grande artilharia.

Existe sempre a fome, uma fome de arte e de vida, uma fome que não pode ser satisfeita com pão e vinho – uma fome que não está pronta a milagres.

CANINOS AMARELADOS | Mario Filipe Cavalcanti

Editora: Cepe;
Tamanho: 106 págs.;
Lançamento: Março, 2016.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Caninos AmareladosCepecontosCríticaCrítica LiteráriaJulio CortázaLiteraturaLiteratura BrasileiraMario Filipe CavalcantiResenha

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.