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‘Invisível: Uma Novela’: a obsessão de um homem invisível

Romance de estreia de Antônio K., 'Invisível: Uma Novela' emoldura de referências pop ao clássico da literatura policial.

porJonatan Silva
17 de fevereiro de 2017
em Literatura
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invisivel: uma novela antonio k.

A literatura policial de Antônio K. Foto: Reprodução.

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Borges dizia que a literatura policial era uma das poucas invenções de nossa época e que é quase impossível que uma obra literária não participe dela em alguma medida. Leitor inveterado do gênero, o autor de O Aleph criou com Adolpho Bioy Caseres o pseudônimo Honorio Bustos Domecq para escrever somente narrativas policiais. E talvez seja o gênero que mais se adapta à contemporaneidade, aos avanços tecnológicos e às convenções dos tempos.

Invisível: Uma Novela (e-book independente, 37 páginas), do iniciante Antônio K., é uma produção camaleônica, repleta de referências pop e às produções clássicas do gênero. A narrativa, que bem poderia ser um conto longo ou uma novela, relata a obsessão de um escritor fracassado e anônimo por uma mulher desconhecida – a quem chama de Nicole por acreditar que existe alguma semelhança com a cantora Nico.

A obsessão é um tema recorrente na literatura, mas poucas vezes foi explorado com tantos detalhes. Antônio K. faz do leitor a testemunha de uma trama macabra e pouco convencional, contada pelos olhos do protagonista. Há um quê da Trilogia de Nova York, de Paul Auster, de Amor Sem Fim, de Ian McEwan, e até mesmo de The Following, primeiro longa de Christopher Nolan.

Assim, Invisível é uma grande colcha de retalhos sobre a neurose de um homem apaixonado – algo que Stephen King fez muito bem em Misery. Como na obra de Manguel, K. concebe um amante detalhista, um homem capaz de perceber as peças mais íntimas desse quebra-cabeça bizarro:

“Meu rosto estava colado no caderno vermelho, tão perto que sentia o cheiro do papel e da tinta da caneta. Tão perto que pude ver pequenas falhas nas linhas das páginas que formavam a pauta”.

Antônio K. não julga a inteligência do leitor, que percebe o jogo de espelhos que o protagonista encabeça acaba até mesmo fazendo parte da trama e das elucubrações de um desvairado.

Adiante:

“Entre luz e fusco, tudo há de ser breve como este instante. Machado estava com a razão e pouco a pouco a solidez da minha solidão se desmancharia no ar. Aquele era um dia como hoje, quente e com gente por demais nas ruas. Eu tinha a vantagem da multidão. Mais uma vez, invisível. Nicole saíra de casa muito cedo, mas eu já estava lá – chegara ainda mais cedo e esperara até o momento que ela descera a pequena escada a caminho da calçada. Os cabelos balançavam com as folhas das árvores em uma cadência compassada como se um metrônomo ditasse o ritmo”.

Narrador

Invisível não esconde que o narrador é subjetivo, mostrando apenas as suas percepções e seu olhar sobre algo que ele próprio vivenciou. Antônio K. não julga a inteligência do leitor, que percebe o jogo de espelhos que o protagonista encabeça acaba até mesmo fazendo parte da trama e das elucubrações de um desvairado.

Enfim, Antônio K., que tem menos de Kafka do que seu nome sugere, é um escritor habilidoso, capaz de lapidar o absurdo puro e simples e, claro, transformá-lo em uma história atraente e desconcertante – no melhor sentido da palavra.

INVISÍVEL: UMA NOVELA | Antônio K.

Editora: Independente;
Tamanho: 37 págs.;
Lançamento: Dezembro, 2016.

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Tags: Antônio K.Christopher NolanCríticaCrítica LiteráriaFranz KafkaIan McEwaninvisívelLiteraturaLiteratura BrasileiraLiteratura IndependenteLiteratura ParanaensePaul AusterStephen King

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