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‘Kingsman: O Círculo Dourado’ não está à altura do original

Segundo filme da franquia inaugurada em 2015, 'Kingsman: O Círculo Dourado' tem roteiro forçado e sem a originalidade do primeiro episódio.

porPaulo Camargo
28 de setembro de 2017
em Cinema
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'Kingsman: O Círculo Dourado' não está à altura do original

Imagem: Reprodução.

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Em 2015, quando Kingsman: Serviço Secreto chegou aos cinemas, o filme de Matthew Vaughn foi recebido com entusiasmo: tratava-se de uma releitura cheia de frescor de filmes de espionagem à la 007, aliando generosas pitadas de humor a bem-vindo comentário social, ao discutir o conceito de classes na Grã-Bretanha. E sem abrir mão de cenas de ação inventivas, muito bem encenadas.

O êxito comercial e de crítica do longa original pavimentou o caminho para uma franquia. O segundo episódio, Kingsman: O Círculo Dourado, chega hoje aos cinemas brasileiros após promissora estreia nos cinemas norte-americanos no último fim semana, quando arrecadou perto de US$ 40 milhões. Pena que, apesar de reunir muitos dos ingredientes de seu antecessor, algo tenha dado errado e a receita, meio que desandado.

O filme reencontra o jovem agente secreto Eggsy (o carismático Taron Egerton) já estabelecido como espião: ele atua sob o codinome Galahad na organização Kingsman, uma espécie de paródia da Scotland Yard. O serviço é agora alvo do maior cartel de drogas do mundo. Quem o controla é Poppy Adams, vivida por ninguém menos do que a grande Julianne Moore, de longe a melhor coisa do filme. Ela traz à personagem nuances das quais só uma atriz de sua estatura é capaz. Sarcasmo e maldade nas medidas certas.

Bem-sucedida em um primeiro momento, Poppy desmantela a Kingsman, o que obriga Eggsy e seu chefe, Merlin (Mark Strong), a recorrer aos Statesman, braço norte-americano da organização, para evitar que os planos de legalizar as drogas da diva traficante se concretizem. Ela “apenas” pretende dominar o mundo, sob a fachada de respeitável mulher de negócios.

A ressurreição de Harry Hart (Colin Firth), que teria morrido no primeiro filme, é muito forçada.

Se, por um lado, o filme marca pontos ao discutir com humor afiado temas urgentes como criminalização e guerra às drogas, lançando um olhar corrosivo em direção da jequice representada pelo atual governo dos Estados Unidos, o roteiro se perde no meio da travessia do Oceano Atlântico, rumo aos Estados Unidos.

A ressurreição de Harry Hart (Colin Firth), que teria morrido no primeiro filme, é muito forçada. Ele teria sobrevivido ao tiro na cabeça do primeiro filme, perdido a memória e transformado em prisioneiro pelos Statesman. Embora a presença de Firth no elenco seja quase sempre um selo de qualidade, a solução encontrada para trazê-lo de volta à franquia é absurda no mau sentido e coloca em risco a originalidade de todo o conceito da franquia: a inesperada morte do personagem era um trunfo, uma bem-vinda solução dramática para a trama original. Desfazê-la é um erro.

No todo, Kingsman: O Círculo Dourado não é ruim. Mantém alguns dos traços subversivos que fizeram do capítulo anterior um sucesso, sobretudo as brincadeiras com os clichês do gênero espionagem. Mas é inferior e, por isso, um tanto frustrante.

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Tags: 007CinemaColin FirthCrítica CinematográficaCrítica de CinemaespiãoestreiafranquiaJulianne MooreKingsman: O Círculo DouradoMatthew VaughnResenhaSubversãoTaron Egerton

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