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‘Não Me Abandone Jamais’ é drama perturbador sobre clonagem humana

'Não Me Abandone Jamais' é uma história de ficção científica distópica que consegue trazer para a tela a ambientação opressiva.

porPaulo Camargo
11 de julho de 2019
em Cinema
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Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knighley: nascidos para morrerem jovens. Imagem: Divulgação.

Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knighley: nascidos para morrerem jovens. Imagem: Divulgação.

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Há vários bons motivos para ver Não Me Abandone Jamais (2010), competente adaptação para o cinema do sombrio romance homônimo do escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro, vencedor do prêmio Nobel de Literatura e autor de Vestígios do Dia, filmado em 1993 por James Ivory. O cineasta norte-americano Mark Romanek, famoso pelos videoclipes que dirigiu para Madonna e a banda R.E.M., consegue trazer para a tela a ambientação opressiva, intrigante e triste do livro, com ótimas atuações e uma narrativa envolvente.

Embora seja tecnicamente uma história de ficção científica, Não Me Abandone Jamais se aproxima mais de uma distopia, aos moldes de Gattaca e Filhos da Esperança.

Nos anos 1980, num idílico colégio interno no interior da Inglaterra, um grupo de pré-adolescentes vive sob intensa disciplina, dedicado a seus afazeres es­­colares, mas também encontrando tempo para as descobertas da idade, como o amor e o desejo. Quem narra a história é uma das ex-alunas da instituição, Kathy, vivida por Carey Mulligan (de Educação), na fase adulta.

Ela, sua melhor amiga Ruth (Keira Knightley, de Desejo e Reparação) e Tommy (Andrew Garfield, de A Rede Social), por quem ambas são apaixonadas, começam a viver um delicado, porém já cruel jogo amoroso triangular, apenas ofuscado pela insólita situação a que estão submetidos.

Num primeiro momento, tem-se a impressão de se tratar de uma escola à la Harry Potter sem bruxos ou aulas de mágica, mas com amplos e imponentes refeitórios e códigos comportamentais rígidos. Não é bem isso no fim das contas.

Um dos pontos altos de Não Me Abandone Jamais, além do bom roteiro e das atuações competentes do elenco, é a direção de arte, propositalmente anacrônica

A escola, na verdade, é uma fazenda de criação de humanos, educados e bem alimentados, mas destinados a serem doadores de órgãos até o fim da vida, que não chega a ultrapassar os 20 e poucos anos. Num comentário contundente contra a possibilidade de um dia, por meio da clonagem, crianças virem a ser geradas para fins de pesquisa, Kathy, Ruth, Tommy e seus colegas não conhecem seus pais biológicos e ignoram por que vieram ao mundo, até que uma de suas professoras, numa crise de consciência, lhes revela o que de fato são. Foram gerados, alimentados e educados com dedicação para que se tornem indivíduos saudáveis e, assim, possam salvar vidas de pessoas como nós, numa revolução médica que elevou a vida média da população a mais de cem anos.

Um dos pontos altos de Não Me Abandone Jamais, além do bom roteiro e das atuações competentes do elenco, é a direção de arte, propositalmente anacrônica– na década de 90, quando os personagens já são adultos.  A Inglaterra na qual os personagens vivem parece ter parado no fim dos 60. A melancólica e belíssima trilha sonora de Rachel Portman, vencedora do Oscar por Emma, também ajuda a construir o clima soturno, mas bastante envolvente do filme de Romanek.

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Tags: Andrew GarfieldCarey MulliganCrítica CinematográficaKazuo IshiguroKeira KnghtleyMark RomanekNão me abandone jamais

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