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Roteiro e tema tornam ‘Filhos do Ódio’ um filme digno de atenção especial

Inspirado em fatos e tendo Spike Lee na produção, ‘Filhos do Ódio’ conta a história de Bob Zellner, neto de um integrante da Ku Klux Klan que se torna ativista da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos nos anos 1960.

porTiago Bubniak
16 de novembro de 2021
em Cinema
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Roteiro e tema tornam ‘Filhos do Ódio’ um filme digno de atenção especial

Bob Zellner (Lucas Till) questiona o ambiente de preconceito e ódio onde cresceu e torna-se defensor da luta antirracismo. Imagem: Divulgação.

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O filme Filhos do Ódio (2020) já começa com um homicídio por enforcamento. Ou, no mínimo, com uma tentativa de homicídio por enforcamento. O desfecho só é exibido bem depois. Até lá, o roteiro escrito pelo próprio diretor da obra, Barry Alexander Brown, trata de contextualizar o que está sendo exposto diante dos olhos – e das consciências – do espectador. Trata-se de uma parte da biografia de Bob Zellner (Lucas Till), neto de um membro da Ku Klux Klan que, nos Estados Unidos dos anos 1960, questiona o contexto de preconceito e ódio onde cresceu e torna-se um ativista em favor dos direitos civis dos negros. A história é inspirada em fatos, retirada do livro The Wrong Side of Murder Creek, de autoria de Zellner e Constance Curry.

Spike Lee, cineasta bastante conhecido pela sua luta contra a discriminação racial, é um dos produtores executivos do filme. Mesmo com um elenco que, em geral, entrega atuações que deixam a desejar, Filhos do Ódio tende a crescer diante dos olhos de quem assiste tanto pelo seu roteiro bem estruturado quanto pela importância do tema que trabalha.

Não é difícil tecer relações entre os contextos distintos do Brasil de hoje e dos Estados Unidos dos anos 1960, por exemplo, quando o assunto é racismo e a necessidade de luta contra ele.

O roteiro dá uma boa ideia da trajetória que Zellner percorre desde as complicações provocadas por um simples trabalho de faculdade sobre relações raciais até o seu protagonismo como um dos líderes brancos das marchas antirracismo nos Estados Unidos na década de 1960. Para uma melhor experiência, contudo, é importante que o espectador tenha um conhecimento prévio mínimo sobre o contexto histórico e social do período em que a trama transcorre, já que o roteiro concentra-se mais no percurso de Zellner que nas explicações, por exemplo, sobre quem foi Rosa Parks (Sharonne Lanier), como os protestos começaram e qual foi o papel de Martin Luther King nisso tudo.

O tema, por sua vez, permanece atualíssimo e bastante propício para debate. Não é difícil tecer relações entre os contextos distintos do Brasil de hoje e dos Estados Unidos dos anos 1960, por exemplo, quando o assunto é racismo e a necessidade de luta contra ele. Basta lembrar de suástica sendo apresentada em câmara de vereadores do Rio Grande do Sul e do aumento no número das mortes da população negra, apenas para citar duas situações recentes.

Nesse sentido, Filhos do Ódio torna-se atemporal e universal, mesmo com seu recorte narrativo datado e restrito a um país. Pela força da mensagem que carrega, o filme supera suas falhas de interpretações medianas e artificiais para projetar-se como um grito de apoio em favor do combate às injustiças e desigualdades.

Tags: Barry Alexander BrownCinemaCríticaCrítica CinematográficaCrítica de CinemaFilhos do ÓdioResenhaReviewSpike Lee

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