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‘Anomalisa’ surpreende mais pelo ‘como’ do que pelo ‘o que’

Um dos diretores de ‘Anomalisa’, animação em stop motion, é o cérebro responsável pelo roteiro de obras como ‘Quero ser John Malkovich’, ‘Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças’ e ‘Adaptação’.

porTiago Bubniak
23 de fevereiro de 2021
em Cinema
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Anomalisa, de Charlie Kaufman

Cena do filme 'Anomalisa'. Imagem: Reprodução.

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Alguns filmes atiçam a sensibilidade mais pela forma que pelo conteúdo. É o caso de Anomalisa (2015). Nesta animação em stop motion com temática adulta dirigida por Charlie Kaufman e Duke Johnson, o espectador acompanha a trajetória de Michael Stone (voz de David Thewlis), renomado palestrante sobre atendimento ao cliente. Contraditoriamente, ele é bastante apático em sua vida pessoal, considerando tudo e todos à sua volta um poço de tédio. Mudanças acontecem quando ele conhece uma fã bastante retraída: Lisa (voz de Jennifer Jason Leigh, vista em Os Oito Odiados, de 2015, de Quentin Tarantino). A atração que Michael sente por ela é instantânea.

Exposto isso é possível comentar a relação entre forma e conteúdo. O que se apreende da história, entre tantas coisas, é o incômodo de acompanhar pessoas anestesiadas conduzindo a existência no modo automático e sem emoção; a interessante descoberta do porquê do título do filme; a deficiência de autoestima; e a bizarrice do processo de apaixonar-se e desapaixonar-se rapidamente.

Mas tudo isso é pouco, convém dizer. Sobretudo quando se lembra que um dos diretores é Charlie Kaufman, a mente criativa responsável pelo roteiro de obras instigantes como Quero ser John Malkovich (1999), Confissões de uma Mente Perigosa (2002), Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004) e Adaptação (2002).

O que se apreende da história, entre tantas coisas, é o incômodo de acompanhar pessoas anestesiadas conduzindo a existência no modo automático e sem emoção.

Por outro lado, o investimento em sagacidade parece ter sido mais direcionado à forma. É interessante o recurso utilizado para tornar todas as demais pessoas tristemente iguais sob a percepção de Michael. Outro elemento gritante é o fato de a finalização dos personagens ser mal feita, uma referência à imperfeição humana. Isso fica mais claro quando se observa que os objetos, ou seja, tudo aquilo que não é humano, tem um tratamento melhor elaborado.

As dimensões dos personagens são desproporcionais, os traços são rústicos e, em certo momento, em uma cena diante de um espelho, acontece algo que joga na cara do espectador que se trata de um filme. Ou, mais especificamente, de uma animação. Há nudez frontal e uma cena de relação sexual não explícita, mas sem cortes. Na média, Anomalisa não encanta tanto quanto outros trabalhos com a assinatura de Kaufman. No entanto, é um filme que está bem distante de, simplesmente, ser considerado raso.

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Tags: AnomalisaCharlie KaufmanCinemaCríticaCrítica CinematográficaCrítica de CinemaDavid ThewlisFilm ReviewJennifer Jason LeighMovie ReviewResenhaReview

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