• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Cinema

‘Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria’: a maternidade em ruínas

Rose Byrne, indicada para o Oscar de melhor atriz, brilha em 'Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria', filme de Mary Bronstein, como uma mãe sobrecarregada à beira de um colapso.

porMaura Martins
29 de janeiro de 2026
em Cinema
A A
Rose Byrne brilha em 'Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria'. Imagem: A24 / Divulgação.

Rose Byrne brilha em 'Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria'. Imagem: A24 / Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

É justo dizer que a atriz australiana Rose Byrne (mais conhecida pelas séries Damages e Physical, além de participações menores em franquias como X-Men) está se especializando em um tipo específico de papel: o de mulheres – quase sempre mães – que estão à beira de um colapso. Em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, da diretora, roteirista e atriz Mary Bronstein, esse talento é aproveitado ao máximo em um filme estranho e incômodo, justificando a indicação de Byrne ao Oscar de melhor atriz.

Embora focado principalmente na experiência da sua personagem, que se chama Linda, o fato é que Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria é um filme essencialmente sombrio e que aborda a maternidade no aspecto que ela tem de mais revoltante: a sobrecarga que, quase sempre, cai sobre as mulheres. E o longa de Bronstein trata isso de maneira brutal e algo fantasiosa, exagerada, em que o drama da protagonista mistura realidade e delírio.

Na história, Linda é mãe de uma menina que tem um sério problema gástrico, que precisa dormir ligada a um aparelho conectado a um tubo inserido em sua barriga. Ela faz um acompanhamento em um hospital, e precisa ganhar peso para poder tirar a sonda. O pai (Christian Slater, que durante quase todo o tempo aparece só como uma voz ao telefone) está longe, trabalhando. Em suma, Linda está totalmente sozinha, e as coisas só vão piorar.

Uma mãe à beira de um ataque de nervos

Logo entendemos que Linda está muito, muito cansada. Já na primeira cena, nos é esclarecido que ela precisa acompanhar a filha no tratamento e que ela é acusada de não ajudá-la a evoluir em sua condição física. Linda é tida como insubmissa, como alguém que contraria as recomendações médicas.

Em seguida, ao retornar para casa, soma-se ao estresse o fato de que o teto do seu apartamento ruiu e a casa está inundada. Mãe e filha então precisam se mudar para um motel barato enquanto a reforma é feita, aos trancos e barrancos. O caos só segue aumentando – e Linda está sozinha e sobrecarregada. E cansada.

O filme vai evoluindo para uma espécie de body horror misturado com drama, em que o estado mental deteriorado de uma mãe vai aos poucos moldando a sua realidade externa, que o mundo concreto se funde com os delírios.

Além disso, ela trabalha. E por uma ironia do destino, veja só, é uma terapeuta, que convive diariamente com pacientes com questões mentais, incluindo uma puérpera com uma paranoia severa que requisita tratamento psiquiátrico, e que não consegue se separar do filho. Tudo o que Linda quer é alguns minutinhos de paz para se afastar um pouco enquanto a filha dorme para beber vinho e fumar maconha, mas nem isso ela consegue.

Há muitas mensagens sutis no filme de Mary Bronstein. Muitos homens circundam Linda – o marido, o terapeuta dela (vivido por Conan O’Brien), um funcionário solícito do motel (A$AP Rocky), os pacientes. Eles estão sempre prontos a dar conselhos e dizer o que ela deve fazer, mas nunca estão de fato ajudando. Além disso, os homens nunca têm problema em colocar limites (note as cenas em que um paciente briga por conta de um atraso em seu horário), mas a Linda nunca é permitido negociar nada.

Outra escolha interessante de Bronstein é o enquadramento sempre próximo do rosto de Rose Byrne. Há um foco nos seus sentimentos do ponto de vista físico, na visceralidade manifestada pelo desconforto que emerge do contato com as piores sensações.

Isso faz com que um filme vá evoluindo para uma espécie de body horror misturado com drama, em que o estado mental deteriorado de uma mãe vai aos poucos moldando a sua realidade externa, que o mundo concreto se funde com os delírios, tornando tudo um grande devaneio. Nesse sentido, há certas similares com Mãe!, filme de Darren Aronofsky, outra obra que lembra um pesadelo materno.

Em suma, é um filme feito não para agradar, mas para incomodar. Não à toa, foi dirigido e roteirizado por uma mulher: Mary Bronstein declarou que começou a planejá-lo quando passou um período acompanhando a filha que estava internada. Para quem conseguir atravessá-lo, será uma jornada e tanto, mas não exatamente prazerosa.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Que tal apoiar a Escotilha? Assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 15,00 mensais. Se preferir, pode enviar uma contribuição avulsa por PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: CinemaConan O'BrienMary BronsteinOscarRose ByrneSe Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria

VEJA TAMBÉM

Jessie Buckley e Paul Mescal em 'Hamnet'. Imagem: Focus Features / Divulgação.
Cinema

‘Hamnet’ investiga o luto como matriz da arte

28 de janeiro de 2026
Néstor Cantillana e Antonia Zegers comandam a trama de 'O Castigo'. Imagem: Leyenda Films / Divulgação.
Cinema

‘O Castigo’ transforma a maternidade em um território de culpa e silêncio

23 de dezembro de 2025

FIQUE POR DENTRO

A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Adam Scott e Britt Lower mergulham mais nas entranhas da Lumen durante a segunda temporada de 'Ruptura'. Imagem: Fifth Season / Divulgação.

‘Ruptura’ cresce sem se explicar e se torna mais perturbadora

30 de janeiro de 2026
Rose Byrne brilha em 'Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria'. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria’: a maternidade em ruínas

29 de janeiro de 2026
Jessie Buckley e Paul Mescal em 'Hamnet'. Imagem: Focus Features / Divulgação.

‘Hamnet’ investiga o luto como matriz da arte

28 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.