• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Colunas Espanto

Como os monstros deixaram os tratados de zoologia para habitar a ficção

porRodolfo Stancki
3 de agosto de 2016
em Espanto
A A
Demônio Marinho desenhado por Ambroise Paré, médico autodidata do século XVI.

Demônio Marinho desenhado por Ambroise Paré, médico autodidata do século XVI.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Em algum momento entre a Idade Média e a Idade Moderna, viajantes europeus passaram a diferenciar criaturas fantásticas de animais reais que habitavam regiões inóspitas. No livro Esquecidos por Deus – Monstros no mundo europeu e iberoamericano (séculos XVI-XVIII), a historiadora Mary Del Priori afirma que no período, quando a razão ainda não dominava o mundo ocidental, seres fabulosos habitavam as artes e as narrativas literárias, interferindo diretamente no imaginário social.

Admito que possa não existir nenhum tipo de relação formal entre os fenômenos descritos acima, mas é tentador explicar essas possíveis coincidências como um processo de canibalismo mútuo entre nosso imaginário social e nossa produção cultural.

Com a revolução científica e o olhar do Renascimento para o mundo material, a existência de criaturas míticas gradativamente deixou de fazer parte dos tratados de zoologia. Um dos motivos foi a popularidade da obra de Francis Bacon pelas sociedades científicas europeias. Esses grupos abraçaram a epistemologia empírica, que afirmava que o conhecimento deveria sair da experimentação e da observação.

Stephen T. Asma, autor de On Monsters: An Unnatural History of Our Worst Fears, diz que o próprio Bacon alertava que os leitores deveriam saber diferenciar os depoimentos dos amantes das fábulas. O filósofo defendia que um ser desconhecido só fosse admitido como científico quando desenhado a partir de uma história séria e crível e de um relato confiável.

O imaginário monstruoso acabou se voltando para o campo do drama. Asma afirma que um dos caminhos pelo qual seguiram as aparições de quimeras, sereias e faunos foi o entretenimento. No século XVIII, taxidermistas europeus importavam carcaças de animais, que eram alteradas para parecerem estranhas e exibidas para o público. O empresário norte-americano P. T. Barnum contratava pessoas com algum tipo de deficiência e as apresentava como seres extraordinários em um circo no século XIX. No mesmo período, monstros apavoravam os franceses nos sanguinolentos espetáculos franceses do Teatro Grand Guignol.

O nascimento do horror enquanto gênero narrativo da ficção é mais ou menos desse período de racionalização da ideia do monstro pela ciência. Trata-se de uma literatura que, desde o século XVII, se volta para às classes populares. Movimento semelhante à literatura de cordel, na Espanha, e ao colportage, na França. As raízes formais do horror na literatura estariam no século XVIII, cujo ponto de origem consensual seria O Castelo de Otranto, de Horace Walpole.

De lá para cá, temos a história do gênero que discutimos semanalmente por aqui.

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Esquecidos por DeusHistória do horrorHorrorMary Del PrioreO Castelo de OtrantoOn Monsters: An Unnatural History of Our Worst FearsStephen T. Asma

VEJA TAMBÉM

Cena do filme 'Godzilla Minus One'. Imagem: Divulgação.
Espanto

‘Godzilla Minus One’ emociona com a vida e não com a destruição

3 de abril de 2024
Cena do filme 'Somente Deus por Testemunha'. Imagem: Reprodução.
Espanto

‘Somente Deus por Testemunha’ horrorizou sobreviventes do Titanic

16 de fevereiro de 2024
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

'O Estrangeiro' ganha nova adaptação dirigida por François Ozon. Imagem: Divulgação.

‘O Estrangeiro’ de Ozon e o risco da fidelidade

27 de abril de 2026
'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.