Discussões calorosas tomaram conta das redes sociais e da mídia nas últimas semanas. No centro da polêmica, entre outras questões, o papel da cultura na formação das crianças e dos adolescentes. Na véspera do 12 de outubro, a coluna “Vale um Like” propõe uma reflexão diferente.
Independentemente de crenças ou valores, é fato que meninos e meninas são sempre muito subestimados. A extrema proteção muitas vezes inibe potencialidades e gera medo, angústia e insegurança.
Dar voz à garotada, acreditem, é sempre surpreendente. A Folha de S. Paulo, por conta do Dia das Crianças, promoveu uma série de entrevistas com pequenos moradores da maior metrópole do país. No bate-papo, intitulado “Criança do Dia“, entraram em pauta assuntos de destaque no noticiário: reforma da Previdência, situação dos refugiados, cracolândia, cultura digital, escola/educação, entre outros temas. Participaram da ação garotos e garotas de 6 a 12 anos, alunos de colégios públicos e particulares. Fica a dica, vale a pena acompanhar o especial, pois o resultado é extremamente positivo.
Mesmo com iniciativas pra lá de interessantes como o projeto Criança do Dia, [highlight color=”yellow”]ainda pecamos muito com a molecada no dia a dia.[/highlight] A falta de sensibilidade e de tempo está formando cidadãos céticos em relação ao mundo à sua volta.
Por mais incrível que pareça, faz falta um abraço para essa turma. Um colo de verdade, não apenas cobranças pela necessidade de cumprir uma agenda diária digna dos mais renomados executivos do planeta. A ausência de afeto é compensada pelos bens proporcionados, pelos investimentos em educação e outras oportunidades.
Recentemente, dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelaram que, na faixa etária dos 15 aos 19 anos, o suicídio já é a terceira causa de morte de jovens no Brasil. Vivendo em seus próprios mundos, esses meninos e meninas partem para atos extremos deixando para trás dúvidas, indagações e uma dor sempre muito difícil de explicar.
Com a ausência de diálogo e o extremo isolamento digital, nossas crianças e adolescentes tornam-se sobreviventes e respondem a expectativas que muitas vezes passam bem longe dos seus anseios. No silêncio, guardam para si problemas, dúvidas e a dificuldade de se posicionar em um mundo cada vez mais individualista.
Com a ausência de diálogo e o extremo isolamento digital, nossas crianças e adolescentes tornam-se sobreviventes e respondem a expectativas que muitas vezes passam bem longe dos seus anseios. No silêncio, [highlight color=”yellow”]guardam para si problemas, dúvidas e a dificuldade de se posicionar em um mundo cada vez mais individualista.[/highlight]
Então, antes de sair apontando o dedo e argumentando sobre o que é bom ou não para seu filho, irmão, sobrinho, primo ou afilhado, faça um pequeno exercício. Você realmente já conversou com ele sobre arte, sobre a vida, seus gostos e desejos?
Compartilhamos tanto pelas redes sociais, mas somos incapazes de dividir momentos especiais. Seja uma boa sessão de teatro, a famosa matinê de cinema ou até mesmo a tarde de autógrafos do livro do youtuber que é simplesmente o cara pra ele (a). Antes de criticar, procure entender, trocar, revisitar.
Revisitar? Sim, isso mesmo. Como comentei em um texto recentemente publicado neste espaço, parece que os adultos pulam o “abismo da adolescência e infância” sem olhar para trás. Uma pena.
Se é Dia das Crianças, escolha o melhor presente para a data: carinho, atenção e respeito em doses bastante exageradas. Permita-se essa troca de experiências, esse novo olhar sobre a vida e as formas de se relacionar.
Tenha certeza que nesse mar de argumentos estapafúrdios e de tanta intolerância, é dessas figurinhas especiais que muitas vezes vêm as melhores respostas e soluções. Por um mundo mais leve, vale a pena todo mundo se permitir ser criança novamente.
Em tempo: se é dia de celebrar, a trilha sonora da coluna fica sob responsabilidade de Milton Nascimento e Fernando Brant – na interpretação de Bituca e Rita Lee: “O Menino Maluquinho”. Um feliz 12 de outubro a todos nós!