• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Crônicas Henrique Fendrich

Nos altos de Mafra

porHenrique Fendrich
14 de dezembro de 2016
em Henrique Fendrich
A A
Nos altos de mafra

Mafra. Foto: Reprodução / Google.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Pois se eu fui para Rio Negro, como não haveria de ir para Mafra? Basta atravessar a ponte, o que é feito com espantosa naturalidade, como se do lado de lá não estivéssemos sujeitos a outras leis, outro prefeito, outro governador. Já estive em Mafra outras vezes, mas há muito tempo, e uma coisa é estar em Mafra de carro, e outra, bem diferente, é estar a pé. Não é uma cidade feita para pedestres, tampouco para ciclistas, e mesmo os motoristas devem primeiro verificar se possuem câmbio e freios em bom estado antes de se aventurarem por suas ruas.

Existe uma região conhecida como Alto de Mafra, mas o Alto de Mafra é uma ilusão. Não existe o Baixo de Mafra. Até a praça da cidade fica numa subida. Para ir à igreja, o cidadão tem que subir um morro tão grande que já chega lá em cima beatificado. O melhor aplicativo para conhecer a cidade é o Google Mountain. Não se pode ficar em pé sem que as pernas escorreguem lentamente. A altitude parece ter contribuído para que a equipe de futsal da cidade vencesse a última Copa Santa Catarina.

Ainda não se chegou a um consenso sobre qual seria o meio da cidade, motivo pelo qual existem três lugares reivindicando o nome de centro para si. O resultado é que não há bem nenhum centro, não obstante os esforços da administração municipal, que chegou a construir um coreto na praça da subida. Mesmo lá, tem-se sempre a impressão de estar a caminho, de ainda não ter chegado ao centro de verdade, e por isso a gente segue em frente, para cima, para o alto, até se cansar e dar meia-volta.

O Alto de Mafra é uma ilusão. Não existe o Baixo de Mafra. Até a praça da cidade fica numa subida.

Todo o equilíbrio da cidade encontra sua explicação em uma antiga cruz erguida pelo monge João Maria. De início, eram 19 cruzes, mas elas foram caindo uma a uma, devido ao acidentado relevo da cidade, e só sobrou aquela que está na praça, de onde regula constantemente o nível do Rio Negro para que nunca transborde e inunde a cidade. Em 1983, durante um cochilo da cruz, o Rio Negro subiu quase 15 metros, inundando bairros, destruindo edificações e deixando milhares de desabrigados.

O acesso à cidade de Rio Negro foi interrompido, e com ele a possibilidade de almoçar, haja vista que não existem restaurantes em Mafra. Quem quiser comer precisa atravessar a ponte. Quem quiser dormir a um preço justo também. Quem quiser usar computador, idem. Em Mafra eu apenas trabalhei e caminhei, era em Rio Negro que eu restaurava as minhas energias. O antigo sebo que eu visitava em Mafra na minha infância não existe mais, tem placa e tudo na frente, mas não abre, não funciona.

Em Mafra tem sinaleiro, um único sinaleiro, que é tudo o que a cidade precisa, de resto todos se entendem como em Rio Negro, cada um cedendo e esperando a sua vez. O Papai Noel chegou à cidade justamente no dia em que eu voltei para casa. Tenho razões para acreditar que ele não apareceu e nem aparecerá na triste vila improvisada ao lado da rodoviária, um punhado de cabanas para famílias cheias de crianças que não têm outro lugar para morar. É Santa Catarina, é sul do Brasil, é quase Europa e, no entanto, ali estão famílias entregues à miséria. Tende bom ânimo, foi por vocês que aquele menino nasceu. Tende bom ânimo, crianças pobres de Mafra.

Tags: CrônicaMafraRio NegroSanta Catarina

VEJA TAMBÉM

"Drama da mulher que briga com o ex", crônica de Henrique Fendrich.
Henrique Fendrich

Drama da mulher que briga com o ex

24 de novembro de 2021
"A vó do meu vô", crônica de Henrique Fendrich
Henrique Fendrich

A vó do meu vô

17 de novembro de 2021
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Zezé Motta em 'Xica da Silva'. Imagem: Terra Filmes / Divulgação.

‘Xica da Silva’ permanece um espelho incômodo do Brasil que continuamos tentando compreender

3 de agosto de 2026
Chiwetel Ejiofor em 'Backrooms: Um Não-Lugar'. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Backrooms: Um Não-Lugar’ explora a solidão da geração Z em terror inovador

28 de julho de 2026

Como a Copa do Mundo de 2026 reacendeu a saudade da televisão

24 de julho de 2026
'Uma Infância Alemã', filme de Fatih Akin. Imagem: Rialto Film / Divulgação.

‘Uma Infância Alemã’ investiga como o fascismo se instala no cotidiano

24 de julho de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.