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Home Crônicas Paulo Camargo

Como nossas mães e avós

porPaulo Camargo
25 de setembro de 2018
em Paulo Camargo
A A
"Como nossas mães e avós", crônica de Paulo Camargo.

Imagem: Reprodução.

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Sou um desajustado. Recuso-me a bater continência. Ou a dizer amém sem saber por quê. Fiz a primeira comunhão por conta própria sem aula de catecismo, durante uma festa de Dia das Mães no colégio de freiras onde estudava. Fui lá e comunguei. Daí fui conversar com uma das irmãs do Sagrado Coração de Maria e contei minha façanha. Ela ficou em silêncio por um ou dois minutos. Até me perguntar: “Onde está Deus?”. “Em todo lugar, dentro de mim. Acho”, respondi. Um sorriso e um afago, seguidos de muito alívio. Estava feito meu ajuste de contas com meu Deus, que nunca foi seletivo, e nem mesmo sei que rosto tem, nem se é homem ou mulher. Apenas que está no mundo, na pedra e no céu. Nas formigas e no vento, também. Só não reside na intolerância, senão deixa de servir para mim. Vira capitão. Daí, estou fora!.

Mas, voltando ao desajuste, acho que devo sofrer desse mal. Pelo menos é o que pensa o general Mourão, para quem governar o país é algo como uma aula de equitação ou adestramento de equinos. Ele parece gostar de cavalos, mas não tenho bem certeza de que esses animais gostem muito dele. Ele pisa pesado e fala como quem dá coices. Para o militar, que sonha ser vice-presidente do Brasil, filhos criados por mães e avós estão fadados ao fracasso. Devo ser um fracassado, então, além, é claro, de desajustado.

Tudo que sou e consegui na vida devo a duas mulheres. Talvez nem estivesse aqui escrevendo não fosse por elas.

Tudo que sou e consegui na vida devo a duas mulheres. Talvez nem estivesse aqui escrevendo não fosse por elas. Tive um pai ausente, que hoje vejo todos os dias e a quem sempre amei à distância. Se estamos tão próximos hoje é porque não desaprendi a amar, a sentir. Quem fazia essa lição de casa comigo era minha mãe, que trabalhou muito para que pudesse estudar, ler livros, escutar música, ver filmes, viajar, ver o mundo e trabalhar. E não desaprendesse a amar. Ela sempre fez questão de manter a janela aberta para mim e dizia: “Olha!”.

Minha avó me levava ao cinema. Vi com ela ….E o Vento Levou e Tubarão. Dois excelentes motivos para amá-la até o fim dos tempos, sem falar de sua maravilhosa lasanha de berinjela à milanesa. Mas ela era bem mais do que isso: ela cuidava de mim. O mundo, e as pessoas que o habitam, precisam de quem cuida uns dos outros com zelo, carinho, atenção. Pouco importa a configuração da família. Pai e mãe. Pai e pai. Mãe e mãe. Apenas avô e avó. Só pai ou só mãe. Família é um conceito amoroso, portanto elástico.

E me pergunto: ser ajustado em relação a quê? A quais normas? A modelos comportamentais que oprimem e não libertam, condicionam e não despertam ao voo, às descobertas? Famílias de verdade sentam ao redor da mesa para ver o filho criar a sua arte, exercer a sua individualidade, existir em sua plenitude. Esperam que sejam felizes, sinceros, empáticos, solidários. E não ajustados.

Tags: avósCrônicafamíliafelcidadeGeneral Mourãomãesplenitude

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