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Home Crônicas Paulo Camargo

Não aponte o dedo!

porPaulo Camargo
24 de abril de 2018
em Paulo Camargo
A A
"Não aponte o dedo!", crônica de Paulo Camargo.

Imagem: Reprodução.

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Isso, aponte o dedo! Julgue e sentencie! O mundo vai ficar tão mais simples, menos desafiador, se você ir logo separando os times. De um lado, os que têm razão, e comungam das suas crenças, sem questioná-las muito, as repetindo como um mantra, em uma espécie de culto religioso, no qual o que vale é a certeza coletiva, e não a dúvida individual, o questionamento. Lá no outro extremo, separados por um muro alto, ainda que por vezes invisível, estão os outros, aqueles que pensam ao contrário, portanto errado, que ruminam na escuridão da ignorância, do não compreender o que é certo, elevado.

Esse querer tudo julgar de forma implacável tem vindo acompanhado, no Brasil em que vivemos, de uma intolerância absurda a críticas de qualquer ordem. Hoje vivemos em um crescendo da lógica do pensamento autoritário nas mínimas coisas. O cara vai lá, faz um post perguntando para seus “amigos” numa rede social o que acharam de seu trabalho e, ao primeiro sinal de desaprovação, ele surta. Sente-se pessoalmente ofendido porque, no fundo, queria apenas elogios, massagens no ego em uma Ilha da Fantasia artificial. Alguém ousou tirá-la da tomada.

Esse querer tudo julgar de forma implacável tem vindo acompanhado, no Brasil em que vivemos, de uma intolerância absurda a críticas de qualquer ordem. Hoje vivemos em um crescendo da lógica do pensamento autoritário nas mínimas coisas.

O país anda nos cascos. Garras afiadas, prontas para o ataque, e nem mesmo se sabe se há por que brigar. A agressividade se justifica, se há tanta ausência de autocrítica, de sensatez no ar? Quando se busca tão desesperadamente ter razão, é porque, de alguma forma, ela se perdeu no meio do processo, e foi substituída por algo perverso: a necessidade de falar mais alto, e assim emudecer o outro, e não convencê-lo por meio de argumentos sólidos. Vencer no grito é sempre perder, porque significa usurpar o direito à voz. É excluir, bloquear, tentar de todas as formas invisibilizar, fazer de conta que não existe.

No fundo, quem assim age é, além de autoritário, patético. Porque controlar o mundo, por mais que se tenha a ilusão de deter nas mãos algum tipo de poder, é impossível. Ele não cabe em nossas vontades. Os autoritários, a história ensina, estão fadados, mais cedo ou mais tarde, ao isolamento, à inviabilidade. Julgar pode ser apontar o dedo para si próprio.

Tags: autoritarismoBrasilCrônicajulgamentopensamentoi autoritárioperversidadesensatez

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