• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Crônicas Yuri Al'Hanati

O momento definidor

porYuri Al'Hanati
29 de janeiro de 2018
em Yuri Al'Hanati
A A
O momento definidor

Ilustração: Sergio Simabukuro/Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Se é comumente aceito o argumento de que a reunião das experiências formam uma vida, é igualmente verdade que há, em cada geração, momentos-chave, definidores do rumo coletivo de pessoas unidas pela idade, pela localização geográfica ou por outro fator gregário. Digo isso porque cada vez mais me pego pensando sobre o último romance de Milton Hatoum, A Noite da Espera, o primeiro volume de uma trilogia ambiciosa que procura, por meio da ficção de um roman à clef, investigar a formação política e intelectual de um grupo de jovens criados em Brasília durante a ditadura militar do Brasil.

No livro, Hatoum deixa entrever as relações promíscuas entre o poder público e o privado que sempre foram regra no Brasil, mas também a proximidade entre situacionistas e revolucionários em um quadro polarizado que não causa estranhamento algum a um jovem alheio à história recente do país. Por meio de anotações em um diário e trechos de comentários feitos quase uma década mais tarde, com o protagonista morando já em Paris, o escritor tece a teia emaranhada de ambições e decepções de um projeto de nação solapado pela roda viva do jogo de influências que colocou o véu negro da noite de 20 anos sobre o governo. Pois penso que algum caderno nesse sentido deveria ser confeccionado com a maior urgência nos tempos atuais também, muito embora há quem ainda chame o Brasil de democracia.

No livro, Hatoum deixa entrever as relações promíscuas entre o poder público e o privado que sempre foram regra no Brasil, mas também a proximidade entre situacionistas e revolucionários em um quadro polarizado que não causa estranhamento algum a um jovem alheio à história recente do país.

A própria noção de democracia, e nossa busca tresloucada por um conceito arquetípico, dificilmente aplicável em um território da magnitude do nosso, de acordo com alguns estudiosos da área, é fruto de uma geração reprimida por um estado burocrático-autoritário que gerou não apenas seus opostos, mas sua prole direta, desde a oligarquia do Norte e do Nordeste ao gérmen da ideia de que a real necessidade do país, para além de dar voz a todos, é uma mão de ferro que ponha tudo nos trilhos. Escapa ao cidadão comum a noção de responsabilidade republicana, e quem sabe isto também seja o peso da mão pesada daquele Estado. Mas quem é que pode mensurar uma coisa dessas sem medo do equívoco?

Vivemos novamente em tempos polarizados, ideologizados, sem espaço para discussões sérias e gradações de cinza. Para onde vamos a partir daí eu não sei, mas tenho a convicção de que este é o momento que nos definirá. Por isso fazer história é tão cioso, ou deveria ser. Não é hora de brincar com o Brasil.

Tags: a noite da esperaCrônicadefinidor da geraçãoDitadura MilitargeraçãoMilton Hatoummomento chavemomento políticopolarização política

VEJA TAMBÉM

James Gandolfini em Família Soprano
Yuri Al'Hanati

O mistério da morte

5 de abril de 2021
Wood Naipaul
Yuri Al'Hanati

Aprender a ser Biswas

29 de março de 2021
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Espetáculo celebra 25 anos da companhia curitibana. Imagem: Ethel Braga / Divulgação.

‘História’ traz memória como campo de batalha

12 de junho de 2026
Filme se passa no litoral gaúcho. Imagem: Reprodução.

Crítica: ‘Vento Norte’, o vento que antecedeu o Cinema Novo – Olhar de Cinema

11 de junho de 2026
Filme de Rafhael Barbosa faz parte da Mostra Competitiva Brasileira na 15ª edição do Olhar de Cinema. Imagem: Olhar Filmes / Divulgação.

Crítica: Os mistérios da ausência em ‘Olhe para Mim’ – Olhar de Cinema

9 de junho de 2026
Milla Fernandez é autora e estrela em 'TIP
 (Antes que me Queimem Eu Mesma me Atiro no Fogo)'. Imagem: Divulgação.

‘TIP’: retrato vivo de uma atriz em chamas

8 de junho de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.