• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Confissão de um assassino’: uma narrativa no espelho

Novela de Joseph Roth, publicada em 1936, ‘Confissão de um assassino’ é uma prosa elegante e que reflete os tempos assombrosos do passado e do futuro.

porJonatan Silva
25 de setembro de 2020
em Literatura
A A
Confissão de um assassino, de Joseph Roth

Detalhe da capa de 'Confissão de um assassino', publicado pela editora Mundaréu. Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Roberto Bolaño (1953 – 2003) costumava dizer que toda os gêneros literários não eram nada mais que desdobramentos da literatura policial. Essa teoria, que fica bastante clara em Monsieur Pain, Putas assassinas e Pista de gelo, já existia antes mesmo que o escritor chileno a colocasse no mundo. Confissão de um assassino, novela de Joseph Roth (1894 – 1939) escrita durante o seu exílio em Paris – quando a perseguição aos judeus já começava a se acentuar –, remete a essa tradição invisível, mas também às condições do próprio escritor – um homem em fuga quase que perpetuamente.

Narrado em uma única noite, em um bar de expatriados russos – que abandonaram o país após a Revolução de 1917 –, Confissão de um assassino remonta os eventos que fizeram do camponês Golubtchik um homem mergulhado em paixão e desespero. A partir de elementos do romance noir, Roth constrói um breve tratado sobre o entendimento da natureza humana, explorando o egoísmo, as vaidades e as vulnerabilidades que se escondem sob o verniz da coragem e do desajuste social.

O centro da narrativa de Joseph Roth é imersão no espírito do tempo, alimentado de um certo olhar sobre o futuro. Golubtchik resume bem as estruturas sociais – filho ilegítimo de um príncipe com a esposa de um guarda florestal e, posteriormente, atirado aos leões ao ser obrigado a servir a polícia secreta do czar – e dá corpo a certo sentimento de inadequação, como os que permeariam a obra fílmica e literária de Pasolini (1922 – 1975). Ao mesmo tempo, esse sujeito ora infame e ora encantador, fruto das relações de poder e dominação, sintetiza as ideias de Rousseau (1712 – 1778) sobre o nascimento do mal e da corrupção como exterior à gênese do homem.

Roth constrói um breve tratado sobre o entendimento da natureza humana, explorando o egoísmo, as vaidades e as vulnerabilidades que se escondem sob o verniz da coragem e do desajuste social.

Em seu livro, Roth é capaz de iluminar cada detalhe em uma prosa elegante e brutal. E ao se apropriar dessa aparente antítese, o escritor faz do seu narrador uma Sherazade, alguém que conta histórias para não morrer e para impedir que a tragédia também recaia sobre aqueles que o ouvem.

Paralelos

Publicado em 1936, Confissão de um assassino funciona bem como um manifesto de sobrevivência durante um dos tempos mais duros para o povo judeu. Em paralelo, reflete as inúmeras impossibilidades pessoais de Roth, dos progroms, ao abismo do alcoolismo e à solidão imposta pelo exílio. Como um retrato de si, os personagens de Roth são homens jogado à própria sorte, carregados pelas marés políticas e econômicas.

Como Bruno Schulz (1892 – 1942), escritor e pintor polonês assassinado a tiros por um oficial nazista, Joseph Roth expunha na sua literatura os colapsos do cotidiano que levam o homem à tentativa, quase sempre fracassada, de escapar da realidade. As obras de ambos se entrelaçam na ficção como um elemento de interpretação da realidade. A diferença, porém, está na abordagem: Schulz se debruça sobre o onírico, o absurdo kafkiano, o terror à margem, enquanto Roth busca uma prosa realista e que esmiúça até mesmo aquilo que parece banal e apagado.

A despeito de ser uma obra com várias marcas temporais, é impossível não pensar no sentido figurativo de Confissão de um assassino como uma premonição do repeteco avassalador da barbárie. São muitos os pontos de contato, mas, acima de tudo, o revisionismo, o ódio construído através da mentira e da necessidade irrefreável pela invisibilidade do outro.

Confissão de um assassino é uma novela sedutora, mas é também um espelho do tempo, capaz de conjugar passado e futuro de uma maneira assombrosa e bela.

CONFISSÃO DE UM ASSASSINO | Joseph Roth

Editora: Mundaréu;
Tradução: Marcus Tulius Franco Morais;
Tamanho: 160 págs.;
Lançamento: Julho, 2020.

Compre o livro e ajude a Escotilha

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Book ReviewBruno SchulzConfissão de um assassinoCrítica LiteráriaEditora MundaréuJean-Jacques RousseauJoseph RothjudeuLiteraturaprogromsResenhaRoberto Bolañoromance noir

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.