• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Desesterro’: a pulsão negativa de uma tragédia

porJonatan Silva
5 de fevereiro de 2016
em Literatura
A A
Escritora Sheyla Smanioto

Escritora Sheyla Smanioto. Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Não existe amor no sertão. Tampouco na cidade grande. Essa é a impressão que deixa Desesterro (Record, 304 págs.), romance de estreia de Sheyla Smanioto e que levou o prêmio SESC de Literatura no ano passado. A história de uma família – formada por tantas marias – em um rincão do Brasil é o retrato de país azedado pelas diferenças e pelas feridas que nunca fecham.

A primeira imagem do romance já é doída: Tonho, o marido de (Maria da) Penha desconta em todos os cachorros a raiva que sente de sua própria vida. “Ele assobia, o Tonho. Chama o cão assim bem perto. O cão vacila, abaixa o rabo. O cão vacila, acaba que vai. Quer saber por que chamam. Ele acerta nas costas do bicho e fica ganindo baixinho. O cão, não o Tonho. O cão devagarzinho se vai morrendo.”

E o leitor se sente tão agredido quanto o cão. Aos poucos, Desesterro apresenta cada uma das marias – Penha que é mãe de Maria Aparecida (Cida) que é mãe de Maria de Fátima que é mãe de Scarlett Maria – e a vida vai seguindo como a “Quadrilha” de Drummond e, no final, é Tonho que não ama ninguém e se lança no mundo levando consigo a filha.

A morte é o que traz luz às vidas daqueles que sobram. E os que sobram não conseguem enxergar a devassidão em que estão imersos, como se houvesse andassem sempre dentro de um pântano.

A morte de Cida é o elemento-chave a desestabilizar a família e tirá-la do chão. O fim de uma vida é o contato mais forte com a realidade. A morte é o que traz luz às vidas daqueles que sobram. E os que sobram não conseguem enxergar a devassidão em que estão imersos, como se houvesse andassem sempre dentro de um pântano.

Êxodo rural

Smanioto constrói seu castelo de areia em duas cidades fictícias, Vilaboinha e Vila Marta, e vai contra a maré a literatura atual, centrada no cenário urbano, nos dramas simples e cotidianos – cada vez mais afastada da raiz agrária brasileira como um êxodo rural. A força do livro está no registro da angústia dos personagens, gente simples e de fala errada, que se perde nas ideias que criam de um mundo que não existe. E assim, passado e presente se confundem em uma névoa onírica e proposital.

Ainda que Desesterro seja um romance sobre a força escondida nas mulheres, o livro não carrega nenhum quê feminista. Não existe bandeira. É como se a sensibilidade de uma Clarice que escreveu “O Ovo e a galinha” encontrasse a humanização que permitiu a um Graciliano Ramos criar Vidas Secas.

Por isso não existem sobras, nada parece estar no texto por acaso. Um mundo em que todos têm pés de barro não pode ser perfeito, não pode ser obra do mesmo deus que ofereceu a tantos outros o universo privilegiado da abundância de todas as coisas. Apesar de tantas ausências, Smanioto estabelece um paralelo entre as várias noções de mundo cabíveis em um lugar tão desigual como o Brasil.

DESESTERRO | Sheyla Smanioto

Editora: Record;
Tamanho: 304 págs.;
Lançamento: Outubro, 2015.

[button color=”red” size=”small” link=”https://amzn.to/2IlkdxZ” icon=”” target=”true” nofollow=”false”]Compre com desconto[/button]

fb-post-cta

Tags: bookBook ReviewClarice LispectorCríticaDesesterroGraciliano RamosLiteraturaLiteratura BrasileiraPrêmio SESCRecordResenhaSheyla SmaniotoVida Secas

VEJA TAMBÉM

O escritor sul-africano J.M. Coetzee, vencedor do Nobel de Literatura. Imagem: Divulgação.
Literatura

Em ‘O Polonês’, Coetzee faz da paixão um ensaio sobre a morte

13 de fevereiro de 2026
Sigrid Nunez com seu gato durante a década de 1980. Imagem: Reprodução.
Literatura

Sigrid Nunez dá voz à macaquinha de Virginia Woolf em biografia ficcional

11 de fevereiro de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Claire Danes e Jared Leto em 'My So-Called Life'. Imagem: ABC Productions / Divulgação.

‘My So-Called Life’: a série adolescente perfeita que parece nunca ter existido

25 de fevereiro de 2026
Músico vem ao Brasil pela primeira vez mostrar sua personalidade e o legado que carrega. Imagem: Pål Hansen / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Baxter Dury

25 de fevereiro de 2026
Amaarae é novo forme do pop contemporâneo, fundindo R&B, música eletrônica e alté. Imagem: Jenna Marsh / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Amaarae

24 de fevereiro de 2026
A menor de idade Eloá Pimentel, vítima de um sequestro aos 15 anos. Imagem: Reprodução.

‘Caso Eloá: Refém ao Vivo’ revisita um dos piores circos montados pela imprensa brasileira

23 de fevereiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.