• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Um Amor Incômodo’: o segredo da esfinge

porJonatan Silva
6 de outubro de 2017
em Literatura
A A
Elena Ferrante - Um Amor Incômodo
Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Em O Estrangeiro, de Camus, a morte da mãe de Meursault para mostrar ao mundo a liquidez das relações mais íntimas. No texto, a frieza do protagonista ao comparecer ao velório é o ponto-chave para entender que a morte daquela mulher anônima é uma ruptura com os tênues laços familiares. A misteriosa Elena Ferrante usa a mesma premissa – a morte da mãe – em Um Amor Incômodo para criar uma narrativa sobre essência e gênese. Quando Delia descobre que Amalia, a mãe, foi encontrada morta em circunstâncias pouco comuns, vestindo somente sutiãs muito caros, precisa tentar encontrar quem fez ou o que poderia tê-la levado ao um.

[box type=”note” align=”alignleft” class=”” width=”350px”]

Leia também
» ‘A Filha Perdida’: a história de uma mulher com sede
» Fama e anonimato

[/box]

Como é comum na obra da escritora italiana, [highlight color=”yellow”]o livro é um retrato intenso das relações inconstantes e instáveis entre mulheres de personalidade forte[/highlight] e que querem, a qualquer custo, se colarem em evidência. O corpo boiado de Amalia é a dinamite que detona a tranquilidade em que Delia vivia. Ao voltar para sua cidade, ela reencontra a irmãs, que estão mais interessadas em acabar com as formalidades fúnebres e regressar para suas casas. O verniz familiar não pode – e não deve – ser quebrado ou arranhado. E as três conseguem fazer isso muito bem, o que deixaria a Hannah de Woody Allen completamente envergonhada.

Um amor incômodo é marcado pelas estranhezas que tomam conta do dia a dia de Delia. Como na Tetralogia Napolitana, ou em A Filha Perdida, Ferrante cria um jogo de opostos. Ora é Amalia que se coloca à frente da filha como uma criatura autoritária e superior, ora é Delia que subjuga a mãe. Ao longo do livro, sujeitos escusos contribuem para esse ambiente tão insólito: o tio Filippo, que julga a irmã morta; Caserta, amigo da família e amante de Amalia; ou o pai de Delia, um homem à sombra da esposa.

Se Camus faz de seu clássico uma ode ao distanciamento, Elena Ferrante consegue o efeito contrário: a morte é o que une e alimenta Delia a refazer sua relação com a mãe.

Se Camus faz de seu clássico uma ode ao distanciamento, Elena Ferrante consegue o efeito contrário: [highlight color=”yellow”]a morte é o que une e alimenta Delia a refazer sua relação com a mãe – ainda que postumamente.[/highlight] É preciso coragem, e certo instinto selvagem, para reatar ao invisível e ao inominável. Delia, ao encontrar Antonio, também se liga ao seu passado mais íntimo. É com frieza que ela vai para cama com o amigo de infância – como se houvesse um acordo tácito entre ambos e fosse imprescindível cumpri-lo a cada (re)encontro.

É impossível ficar indiferente em Um Amor Incômodo, justamente porque é um livro sobre relações e quebras de amarras. Delia gostaria de, como Meursault, se sentir livre, mas não consegue. Isso só pode acontecer depois que o “mistério” for relevado – e se for. Como em um filme de David Lynch, o mais importante não são as respostas, e sim as perguntas que fazemos quando estamos lendo. Um Amor Incômodo é um livro sobre a esfinge, não sobre o segredo.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]UM AMOR INCÔMODO | Elena Ferrante

Editora: Intrínseca;
Tradução: Marcello Lino;
Quanto: R$ 22,90 (176 págs.);
Lançamento: Março, 2017.

[button color=”red” size=”small” link=”http://amzn.to/2yM2BDH” icon=”” target=”true” nofollow=”true”]Compre na Amazon[/button][/box]

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Albert CamusCríticaCrítica LiteráriaDavid LynchEditora IntrínsecaElena FerranteLiteraturaLiteratura ItalianasextaUm Amor IncômodoWoody Allen

VEJA TAMBÉM

A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.
Literatura

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Juliana Belo Diniz desafia o biologicismo e recoloca o sofrimento mental em seu contexto humano. Imagem: Juliana Veronese / Divulgação.
Literatura

‘O que os psiquiatras não te contam’ e a urgência de devolver complexidade à saúde mental

19 de dezembro de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Álbum foi o mais ouvido globalmente no Spotify. Imagem: Divulgação.

Em ‘Debí Tirar Más Fotos’, Bad Bunny transforma nostalgia em trincheira cultural

9 de fevereiro de 2026
Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.