• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

A experiência de ‘A intrusa’, de Izabela Leal

porAdriano Abbade
1 de junho de 2018
em Literatura
A A
Izabela Leal - A intrusa

A poeta Izabela Leal, autora de 'A intrusa'. Imagem: Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Alguns textos literários conseguem manipular e embaralhar de tal maneira os limites de gênero, forçando deslocamentos e abrindo fissuras na linguagem, que em alguns casos não resta outra atitude ao leitor senão superar o estranhamento provocado pela escritura, pela implosão das formas ou pela dispersão da unidade. Embora não seja uma exclusividade de nossa época, características como o hibridismo e a tendência a uma ação interdisciplinar podem ser percebidos com certa frequência, tanto na literatura quanto em outras linguagens e produções artísticas contemporâneas.

'A Intrusa', vencedor do Prêmio Rio de Literatura 2016
‘A Intrusa’, vencedor do Prêmio Rio de Literatura 2016. Imagem: Divulgação

É o caso de A intrusa (Editora Garamond, 2016) livro de estreia de Izabela Leal, vencedor do Prêmio Rio de Literatura 2016. O texto que se assemelha à estrutura de uma peça de teatro (cenas, coro, dramatis personae) ao longo de setenta e duas páginas, também dialoga abertamente com outros discursos como a crônica, os fait divers, o diário, a prosa poética e até mesmo o discurso jurídico. Uma jornada na qual o leitor se depara com uma linguagem flutuante, movediça, subtraída por um movimento em direção ao silêncio, ao não lugar. Nesse sentido, trata-se de um livro que rebela-se contra definições simplificadoras. “Seria antes uma performance curvatura do corpo apresentação da voz”, diz a protagonista.

Não seria equivocado apontar o recorte e a colagem como métodos aos quais Izabela Leal recorre para compor algumas das 44 cenas de A intrusa. Duas personagens povoam a obra, a narradora e “ela”, a intrusa. Duas vozes inconstantes, permanentemente instáveis. Uma voz vinda de outro lugar, inominada, rompante, espraiada. Tal é a escritura de Izabela Leal, tecida entre bordas e margens, que não designa interlocutor, existe e fala através de flashs, insights, agenciamentos. Pura linha abstrata, como diz Deleuze e Guattari ao comentar In the Cage, de Henry James. Se há linearidade nas datas que acompanham as cenas de A intrusa, elas se perdem nas imagens e no conteúdo da narrativa. “Enredo desconexo narrativa extraviada intriga fugidia trama mal articulada”.

Imagens que evocam o fotógrafo cego Evgen Bavcar, a apropriação do verso de T. S. Eliot (october is the cruellest month) para referir-se ao mês em que faleceu a cineasta Chantal Akerman, menção às irmãs Bronte e a Hilda Hilst são algumas das referências implícitas ou explícitas dispersas pela obra da poeta.

Ao caracterizar a personagem “ela” como “não catalogável”, é como se a narradora falasse de sua própria linguagem, “uma voz estranha sem melodia”. Sobre A intrusa, o poeta paraense Ney Ferraz Paiva escreveu que se trata de uma obra que “amplia, clandestinamente, uma zona instável do poético”.

Em outros momentos surgem cenas violentamente realistas, políticas e atuais. Em sua dimensão, a arte pode situar e abordar assuntos que nos cercam, desvelando realidades embotadas ou conscientemente silenciadas pelo poder. “A cidade está doente. a repressão é nossa vacina”, presente na cena 23, expõe a coerção como dispositivo pelo qual o Estado procura solucionar questões de ordem política e social. Como Vieira, personagem de Glauber Rocha em Terra em Transe, que encontra na repressão policial um meio de sanar contradições sociais.

Outra cena em que a realidade invade o jogo literário, a narradora descreve os impactos do naufrágio do navio Haidar, ocorrido em outubro de 2015 no município paraense de Barcarena, onde uma embarcação afundou com cinco mil bois vivos no porto de Vila do Conde. Quase três anos após o ocorrido, a empresa Minerva Foods ainda não foi responsabilizada pelo desastre ambiental. “Toneladas de carne apodrecida. carcaças. o cheiro sufocava. ar irrespirável. uma pequena cidade. nas ruas as pessoas com máscaras. consumo de carne putrefata”. Eis uma experiência literária da qual o leitor não sai ileso ou mesmo indiferente, ao contrário, o estranho eco da voz da narradora e a presença fugidia da intrusa permanecem reverberando após a queda do pano.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]A INTRUSA | Izabela Leal

Editora: Garamond;
Tamanho: 72 págs.;
Lançamento: Dezembro, 2015.[/box]

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: A IntrusaBook ReviewCrítica LiteráriaLiteraturaLiteratura BrasileiraPoesiapoesia brasileiraprosaResenhaReview

VEJA TAMBÉM

O escritor sul-africano J.M. Coetzee, vencedor do Nobel de Literatura. Imagem: Divulgação.
Literatura

Em ‘O Polonês’, Coetzee faz da paixão um ensaio sobre a morte

13 de fevereiro de 2026
Sigrid Nunez com seu gato durante a década de 1980. Imagem: Reprodução.
Literatura

Sigrid Nunez dá voz à macaquinha de Virginia Woolf em biografia ficcional

11 de fevereiro de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Festival movimentará o Ibirapuera por quatro dias em maio. Imagem: C6 Fest / Divulgação.

C6 Fest 2026: entre lendas, inquietação estética e novos rumos da música global

19 de fevereiro de 2026
Margot Robbie e Jacob Elordi em 'Morro dos Ventos Uivantes'. Imagem: MRC Film / Divulgação.

‘O Morro dos Ventos Uivantes’ é ousado, exuberante e… raso

18 de fevereiro de 2026
O escritor sul-africano J.M. Coetzee, vencedor do Nobel de Literatura. Imagem: Divulgação.

Em ‘O Polonês’, Coetzee faz da paixão um ensaio sobre a morte

13 de fevereiro de 2026
Sigrid Nunez com seu gato durante a década de 1980. Imagem: Reprodução.

Sigrid Nunez dá voz à macaquinha de Virginia Woolf em biografia ficcional

11 de fevereiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.