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‘A Invenção de Morel’: desejo de eternidade

Em 'A Invenção de Morel', clássico da literatura fantástica, Adolfo Bioy Casares compõe uma obra que Jorge Luis Borges classificou como “perfeita”.

porEder Alex
3 de maio de 2017
em Literatura
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Adolfo Bioy Casares é um dos grandes autores argentinos

Adolfo Bioy Casares. Foto: Divulgação.

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A história é sobre um cara que vai parar numa uma ilha do Pacífico bastante isolada, com edificações abandonadas, motores ainda em funcionamento, máquinas esquisitas, gente estranha circulando por todos os lados e onde ocorrem eventos aparentemente sobrenaturais. Se tivesse a queda de um avião, daria até pra dizer que parece Lost, né?

Lançado pela extinta editora Cosac Naify (que Deus a tenha), com tradução Samuel Titan Junior, e relançado pela editora Biblioteca Azul, com tradução de Sergio Molina, A Invenção de Morel tem todo um jeitão de ficção científica, já que a tecnologia tem um papel fundamental na narrativa, mas ele também segue uma linha detetivesca, já que o narrador aos poucos vai explorando a ilha para tentar descobrir os seus mistérios. Portanto, encaixá-lo ali na prateleira de literatura policial talvez não fosse de todo errado.

O problema (nisso de dar nome aos bois e aos gêneros literários) é que esta pequena história vai muito além da ficção científica e da literatura policial, já que ela aborda intrincadas questões filosóficas, o que não facilita em nada a vida de quem separa os livros na estante. O próprio Jorge Luis Borges, que era bem amigo do também argentino Adolfo Bioy Casares, não chega exatamente a uma classificação no texto de apresentação do livro, então eu é que não vou me atrever.

O narrador é um homem condenado sabe-se lá por qual crime (o tom de pesadelo remete um pouco ao coitado do Josef K., de O Processo, do Kafka), que escapou da polícia e resolveu se esconder numa ilha mesmo sendo informado de que coisas meio bizarras rolavam por lá. Quase tudo depõe contra este narrador não muito confiável que registra suas andanças num diário, desde o próprio editor ficcional que acrescenta notas no rodapé em que questiona a veracidade de algumas informações, até os relatos do próprio narrador sobre seus sonhos, delírios e desmaios. Sempre num tom quase de alucinação, o personagem que cria estar isolado, passa a ver pessoas circulando por lá bem de boa como se aquilo fosse a Ilha de Caras.

O detalhe interessante é que ele simplesmente não é percebido por aquelas pessoas e, pior, com o passar dos dias, as ações delas começam a se repetir. Isso nos faz pensar primeiramente em duas possibilidades:

  1. ele está preso no dia da marmota lá do Feitiço do Tempo, ou
  2. o avião caiu, todos morreram e a ilha é o purgatório.

O detalhe interessante é que ele simplesmente não é percebido por aquelas pessoas e, pior, com o passar dos dias, as ações delas começam a se repetir.

Depois é provável que o leitor elabore mais umas quatro ou cinco teorias não tão baseadas em séries e filmes norte-americanos, só que logo em seguida, quase como se o autor tirasse sarro da nossa obviedade, ele coloca o próprio personagem meio maluco para enumerar as possíveis soluções para o mistério. Todas equivocadas, é claro (ou não, né? Já que o narrador é um tanto esquisito).

Mas felizmente, Casares não era J. J. Abrams e sabia muito bem o que estava fazendo com aqueles mistérios todos. O tal Morel do título é uma das pessoas que circula pela ilha. Ele criou [INTERROMPEMOS ESSA RESENHA PARA INFORMAR QUE: o livro é de 1940 e ganhou mais de uma versão para o cinema, a internet foi inventada nos anos 60, mas mesmo assim há a possibilidade que você ainda não tenha lido nem assistido nada a respeito de A Invenção de Morel e talvez considere a informação a seguir como um spoiler, tipo dizer que o Bruce Willis é um fantasma no Sexto Sentido, então siga por conta e risco] uma máquina que capta, digamos que, a essência das pessoas e consegue eternizá-las. Há uma explicação pseudocientífica no livro, mas grosso modo, é como se ele tivesse gravado a vida de todas aquelas pessoas, não apenas num vídeo, mas numa reprodução total da existência, com cheiros, sensações, alma e tudo. O lado negro da força é que, uma vez “filmado” por essa máquina, não é possível sobreviver, o pobre fulano vai se desintegrando aos poucos e já era. Portanto, aquelas pessoas não estão mais lá há muito tempo, é como se o narrador estive numa ilha que funciona como um puta cinema 4D com projeção eterna do mesmo filme e ao saber disso toma uma decisão que, para mim, foi absolutamente surpreendente e genial e do caralho e etc.

Esse apreço pelo eterno, praticamente uma inveja de Deus, presente na criação da máquina, essa vontade de capturar o presente/passado de modo a retê-los, abrindo mão do futuro, com o objetivo de negar a efemeridade das paixões, da felicidade e da própria vida enfim, é o que move também o ato do personagem registrar tudo no diário que lemos. O que nos leva questionar, é claro, se não seria a própria literatura essa máquina cheia de desejo de eternidade.

A INVENÇÃO DE MOREL | Adolfo Bioy Casares

Editora: Cosac Naify | Biblioteca Azul;
Tradução: Samuel Titan Junior | Sergio Molina;
Tamanho: 112 págs.;
Lançamento: 2006| Outubro, 2016.

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Tags: A Invenção de MorelAdolfo Bioy CasaresBiblioteca AzulClássicos da LiteraturaCosac NaifyCríticaCrítica LiteráriaLiteraturaLiteratura ArgentinaLiteratura FantásticaReview

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