• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Bonsai’: Alejandro Zambra e as polaroides manchadas

'Bonsai', de Alejandro Zambra, é um retrato idílico e idealista da geração pós-ditadura militar.

porJonatan Silva
16 de outubro de 2019
em Literatura
A A
'Bonsai': Alejandro Zambra e as polaroides manchadas

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Viver é estar num instante. Não mais que um instante. E cabe à literatura, e também a outras linguagens, fotografar e interpretar esses mesmos instantes. Kafka olhou o mundo pelo buraco da fechadura em um quarto escuro. Borges, cego da visão, imaginou que tudo fosse uma grande biblioteca. Bolaño pensou o mundo em convulsão de tantas revoluções. E Alejandro Zambra viu a vida como um bonsai. Bonsai, seu primeiro livro publicado por aqui, é uma narrativa simples: Emilia morre e Julio fica sozinho. E essa configuração já fica combinada no primeiro parágrafo. Não tem volta.

É nesse intervalo – entre nascer e morrer – que a vida acontece. Nada mais óbvio. Mas é também sobre esse intervalo que Zambra cria um dos textos fundamentais da literatura latino-americana contemporânea. Bonsai é uma novela sobre mutações e sobre orbitar em torno do outro. Sua cadência narrativa – é sempre como uma conversa, um murmúrio no ouvido do leitor – dá um tom intimista e de proximidade. Entretanto, existe sempre algo impossível de alcançar. Talvez, a felicidade.

A ideia do inatingível vai percorrer a prosa do autor como uma obsessão. Está nos contos de Meus documentos ou nas relações de A vida privada das árvores. É, sem dúvida, o seu zahir. É nesse limite, entre as realizações e os fracassos, que Zambra faz o percurso dos personagens. A morte de Emilia não é o que leva Julio à solidão: essa seria a sua condição inexoravelmente. Ambos estão sujeitos à danação. É com gente real, pessoas de carne viva que chora e sangra, que a literatura do chileno é erguida. Por isso, há tantos limites, físicos e psicológicos, como um bonsai. Ou seja, o livro é uma metáfora viva.

Bonsai é, acima de tudo, um visão emocionante de existência idílicas e idealistas, mas cujo fim é encarar a verdade uma hora ou outra.

Bonsai não é um catálogo de elevações à potência máxima. Zambra formaliza as sensações e os desprendimentos de seus personagens. É preciso ler para além das linhas. As situações mais simples – ler juntos Macedônio Fernández ou fingir ter devorado Em busca do tempo perdido – se transformam em exegeses de uma beleza única. São retratos, polaroides manchadas, da vida real.

Passado e presente

Alejandro Zambra é um dos grandes autores da sua geração. Sua literatura reflete as angústias da geração pós-ditadura: são homens e mulheres cujas inseguranças são sintomas dos regimes militaristas, ao mesmo tempo em que tentam se libertar das amarras com o passado. São realidades duras onde passado e presente se confundem em linhas tão tênues e instáveis.

Bonsai é, acima de tudo, um visão emocionante de existência idílicas e idealistas, mas cujo fim é encarar a verdade uma hora ou outra.

BONSAI | Alejandro Zambra

Editora: Cosac & Naify;
Tradução: Josely Vianna Baptista;
Tamanho: 93 págs.;
Lançamento: Maio, 2012.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: A Vida Privada das ÁrvoresAlejandro Zambraamérica latinaBonsaiBook ReviewCosac NaifyFranz KafkaJorge Luís BorgesLiteraturaLiteratura ChilenaMeus DocumentosResenhaRoberto Bolaño

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.