• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Gog Magog’: viver é barulhento

Em 'Gog Magog', Patrícia Melo parte da briga entre dois vizinhos para explorar o potencial homicida das pessoas comuns e a banalização da violência.

porEder Alex
14 de março de 2018
em Literatura
A A
'Gog Magog': viver é barulhento

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Um carro fecha o outro numa rua, um dos motoristas saca um revólver, sai do veículo e atira.

Jovens discutem na saída de uma balada, trocam socos, um deles cai, bate a cabeça numa quina e morre.

Um senhor reclama do jovem que ligou o som do carro muito alto, o jovem manda o senhor à merda, o senhor vai até a cozinha de casa, pega uma faca de cortar carne, volta até o carro e crava o metal no pescoço do jovem.

Notícias como essas pululam aos montes no noticiário policial. Tanto que não chegam a chocar mais, pois é algo que já se espera quando você acessa o site de algum jornal, liga a TV na hora do almoço ou simplesmente se atenta ao papo da vizinhança (um desses três exemplos aconteceu a alguns metros da minha casa). Enfim, são coisas que se ouve enquanto você mastiga e reclama do tempo abafado.

Gog Magog (editora Rocco), o novo livro de Patrícia Melo, tenta esmiuçar alguns desses aspectos da barbárie urbana, principalmente esse momento em que a pessoa deixa de ser um cidadão comum e acaba por se tornar um assassino.

Se por um lado o cidadão passou a questionar e tomar para si a defesa dos seus direitos, por outro lado, em algumas situações, desenvolveu-se uma espécie de obsessão que acaba por sobrepujar o bom senso e até mesmo a civilidade, por mais paradoxal que isso pareça.

O protagonista é um professor de escola pública que leciona biologia e se arrasta num casamento falido com uma enfermeira meio sinistra que curte manter no celular as fotos dos pacientes terminais de quem ela cuida. A vida já não ia muito bem e piora consideravelmente com a chegada de seu vizinho do andar de cima, o Sr. Ípsilon. Do teto começam a vir barulhos infernais do Sr. Ípsilon andando, batendo, correndo, pulando, arrastando móveis etc e isso irrita sobremaneira o professor, tanto que ele precisa tomar uma atitude para recuperar o seu tão adorado silêncio.

Além dessa questão da brutalidade oculta e do quanto a vida em comunidade pode ser barulhenta pra caralho, o livro discute essa nova tomada de consciência a respeito do direito individual. Se por um lado o cidadão passou a questionar e tomar para si a defesa dos seus direitos, por outro lado, em algumas situações, desenvolveu-se uma espécie de obsessão que acaba por sobrepujar o bom senso e até mesmo a civilidade, por mais paradoxal que isso pareça. Em outras palavras: o outro tem obrigação de respeitar os meus direitos, nem que para isso eu tenha que matá-lo.

Percebe-se uma fina camada de humor ao longo de toda a narrativa, uma vez que o ridículo do cotidiano (dois vizinhos brigando, cutucando o teto, etc) vai ganhando contornos absurdos e violentos (tipo filme dos irmãos Coen) e a lógica da coisa toda vai ficando cada vez mais estapafúrdia, pois há também o emprego de elementos científicos, forenses, penais e psicológicos (com direito a uma referência nominal a Pokémon), que demonstram de certa forma a sociedade, representada aqui pela irônica visão racional de um sujeito que cometeu um ato irracional, virando o microscópio para si mesma numa tentativa de compreender suas próprias doenças.

Ao nos apresentar criaturas tão miseráveis, Patrícia Melo nos coloca num universo ficcional em que a proximidade humana é possível não através das relações de afeto, mas sim da indiferença ou da violência. Trata-se do ser humano que só se reconhece na solidão ou com o sangue de outrem sob suas unhas. O resto é ruído.

GOG MAGOG | Patrícia Melo

Editora: Rocco;
Tamanho: 176 págs.;
Lançamento: Novembro, 2017.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: assassinatobarulhoBook ReviewCríticaCrítica LiteráriaDramaEditora RoccoGog MagogLiteraturaLiteratura Brasileira ContemporâneaLiteratura ContemporâneaPatrícia MeloResenhaReviewruídoViolênciavizinhos

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.