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‘Meu Nome É Lucy Barton’: Elizabeth Strout silenciosa

Elizabeth Strout apresenta 'Meu Nome É Lucy Barton', obra em que esmiúça a relação entre mãe e filha confrontando mágoas e amores incondicionais.

porAlejandro Mercado
17 de novembro de 2016
em Literatura
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Elizabeth Strout

Imagem: Reprodução.

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Indubitavelmente, Elizabeth Strout possui uma das escritas mais desafiantes e desconfortantes da literatura contemporânea norte-americana. A ferocidade com que suas linhas nos guiam a universos repletos de raiva, frustração e melancolia fizeram dela uma autora premiada.

Com Olive Kitteridge, ganhou o Pulitzer e viu sua obra ser adaptada à televisão, ganhando o mundo e amplificando sua mensagem. Seu novo livro lançado no Brasil, desta vez pela Companhia das Letras (Amy & Isabelle saiu pela Bertrand Brasil), com tradução de Sara Grünhagen, talvez esteja colocado em posição diametralmente oposta à obra anterior.

Em Meu Nome É Lucy Barton, acompanhamos a história da escritora Lucy, a quem as palavras seriam não apenas o trabalho mas a vocação, um propósito de vida cuja certeza foi adquirida ainda durante o período escolar. Contudo, ainda que obras opostas, existem pontos que as conectam, como uma solidão e uma tristeza adjacentes, permeando ambas as personagens.

O ponto de ruptura está justamente na relação com a solidão. Lucy escolhe a literatura como refúgio para que nem ela nem os leitores sintam-se sós, escolhe a literatura como uma nova maneira de se expressar e ser vista pelo mundo, que difere da infância pobre e sofrida na pequena cidade de Amgash, Illinois. Acontece que sua escolha gera o distanciamento da família, especialmente de sua mãe.

Neste ponto, Meu Nome É Lucy Barton torna-se, também, um livro sobre o amor incondicional entre mãe e filha.

Neste ponto, Meu Nome É Lucy Barton torna-se, também, um livro sobre o amor incondicional entre mãe e filha. Na trama, Lucy está hospitalizada em virtude de uma misteriosa infecção. Seu marido, além de cuidar das duas filhas do casal, tinha pavor de hospitais, onde vira o pai falecer quando era apenas um menino. Foi então que ele ligou para a mãe de Lucy, para que ela viesse até Nova York e cuidasse da filha. Havia anos que não se falavam, então as noites que passam juntas no hospital são incômodas pelo reavivamento da memória, o encontro ocasional com o passado, o embate entre a mágoa e o amor incondicional da mãe – e também da filha, diga-se.

Boa parte do livro caminha nesses diálogos indiretos entre mãe e filha, em que nem tudo pode ou consegue ser dito abertamente. Desta forma, ambas vivem constantemente tensas, pisando em ovos, procurando formas de se conectarem sem que necessitem abordar assuntos desconfortáveis a elas, como o estranho fato do irmão ler livros infantis e morar em um celeiro, sobre a rígida educação dos pais ou sobre o fato de Lucy morar em Nova York e elas não terem mantido uma relação. Ambas acabam criando maneiras até engraçadas para dialogarem, como a criação de apelidos e perfis para as enfermeiras.

Strout trabalha arquétipos para compor este olhar literário sobre a relação mãe-filha e acerta ao não entregar facilmente o que o leitor espera da obra, deixando de lado a redenção e trazendo doses homeopáticas de emoção e sofrimento. Uma obra silenciosa e vibrante sobre tudo o que é imperfeito.

MEU NOME É LUCY BARTON | Elizabeth Strout

Editora: Companhia das Letras;
Tradução: Sara Grünhagen;
Tamanho: 138 págs.;
Lançamento: Julho, 2016.

COMPRE o livro e ajude a Escotilha

Tags: Amy & IsabellearquétipoBertrand BrasilCompanhia das LetrasCrítica LiteráriaElizabeth StroutLiteraturaLiteratura ContemporâneaMeu Nome É Lucy BartonOlive KitteridgePulitzerSara Grünhagen

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