• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Quem costura quando Mirna costura’: o universo particular de Fabiano Vianna

'Quem costura quando Mirna costura', obra de estreia do artística plástico curitibano Fabiano Vianna, é um sopro de vida num mundo sem esperança.

porJonatan Silva
27 de agosto de 2021
em Literatura
A A
Fabiano Vianna segurando a edição mais recente de 'O Mez da grippe'

Fabiano Vianna segurando a edição mais recente de 'O Mez da grippe', de Valêncio Xavier. Imagem: Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

A literatura de Fabiano Vianna é um passeio pela memória da realidade e da ficção. O artista visual que publicou há pouco sua estreia literária, Quem costura quando Mirna costura, faz dos seus contos um mergulho em um mundo fantástico e idílico, em que é possível traçar um limite entre a inocência e o amadurecimento. Como na obra plástica, Vianna usa a literatura para exercitar as relações que dão corpo ao nosso mundo disforme, se apropriando da cultura popular e do imaginário como forças-motrizes da sua criação.

Seguindo a tradição dos grandes inventores da memória – Sebald, Bolaño ou mesmo Valêncio Xavier –, Fabiano dispensa os gêneros para se debruçar somente sobre as histórias, que flutuam na oralidade. É até difícil enquadrar os textos de Quem costura quando Mirna costura como contos. São, na sua maioria, relatos. Nesse caleidoscópio pulp e folclórico, que extravasa a ideia da literatura pós-moderna, o artista – chamar Fabiano de escritor é também uma redução – encontra um universo próprio, um habitat tão particular que é impossível de ser habitado por outro.

Parte dessa originalidade vem da prosódia, bastante assentada na tradição popular, mas também das influências mais imediatas.

A partir de cenas cotidianas, mas carregadas de uma experiência surrealista, as histórias se cruzam para compor, como na série O Bairro, de Gonçalo M. Tavares, algo impossível de se dissociar. Entre agulhas e carreteis, enterros e tortas, bondinhos que voam e figuras míticas de Curitiba, Vianna foge da narrativa urgente e, deliberadamente, política. Ao mesmo tempo, existe um quê de experimentalismo como “Ping-pong”, o desbravamento da selva de pedra em “Ana e o espelho”, o maior de todos os relatos, ou ainda o enlace familiar em “Cortes e costuras”, “O Morto mais bonito da cidade” e “Olhos de botão”.

Os textos-enigma de Quem costura quando Mirna costura são como a vida escarrada: um mistério impossível de ser desvendado. Isso, obviamente, não significa que a obra é intransponível, ao contrário. Nos passos do Vampiro, Vianna usa da banalidade para falar do espírito e de outras grandezas. É na perseguição do lugar-comum que está o inesperado. “Lineu” e “O Cheiro de mofo” são narrativas-síntese dessa construção tão singular.

Parte dessa originalidade vem da prosódia, bastante assentada na tradição popular, mas também das influências mais imediatas. Há uma combinação de Borges e Calvino, das lendas indígenas com Manoel Carlos Karam, de Milton Hatoum e João do Rio. Quando algo não se encaixa, na verdade, é que o retrato da realidade se dá em sua forma mais ampla e sui generis. Quem costura quando Mirna costura é um livro delicado sem ser piegas, é inteligente e carismático, um sopro de vida em um tempo sem esperança alguma.

QUEM COSTURA QUANDO MIRNA COSTURA | Fabiano Vianna

Editora: Arte & Letra;
Tamanho: 100 págs.;
Lançamento: Julho, 2021.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Arte e LetraBook ReviewFabiano ViannafolcloreGonçalo M. TavaresJorge Luís BorgesLiteraturaLiteratura CuritibanaManoel Carlos KaramQuem costura quando Mirna costuraResenhaValêncio Xavier

VEJA TAMBÉM

O escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski / Divulgação.
Literatura

‘Alguém que Vi de Passagem’: o primeiro amor em tempos de reabertura política

1 de setembro de 2026
O jornalista e escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski.
Entrevistas

Paulo Camargo: “Na ficção, pude avançar por territórios aos quais talvez não chegasse de outra forma”

18 de agosto de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Nova série da Globoplay já foi renovada para uma segunda temporada. Imagem: Conspiração Filmes / Divulgação.

‘Emergência 53’ encontra nas ruas um retrato de um Brasil que precisa ser cuidado

4 de setembro de 2026
O escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski / Divulgação.

‘Alguém que Vi de Passagem’: o primeiro amor em tempos de reabertura política

1 de setembro de 2026
Regina e Gabriela Duarte: duas atrizes postas à prova. Imagem: Reprodução.

A improvável entrevista de Regina e Gabriela Duarte

27 de agosto de 2026
Imagem: Globoplay / Divulgação.

Existir é um gesto político em ‘Meu Nome É Preta’

24 de agosto de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.