• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Silêncio’: a profissão de fé de Shusaku Endo

'Silêncio', de Shusaku Endo, apresenta a devoção daquele que é chamado de Graham Greene japonês, graças ao seu acento católico na literatura.

porJonatan Silva
30 de junho de 2017
em Literatura
A A
'Silêncio': a profissão de fé de Shusaku Endo

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

“Somos mais quando nos abrimos aos demais”. A frase do jesuíta P. Pedro Arrupe (1907 – 1991), provincial da Companhia de Jesus entre 1965 e 1983, parece se encaixar como uma luva para a missão que a congregação empreendeu no Japão durante o século XVII e que adaptada para a ficção por Shusaku Endo em Silêncio, publicado originalmente em 1963. Inspirado em fatos reais, o livro narra a saga de Cristóvão Ferreira, que vai às terras nipônicas para espalhar a fé católica por meio do pensamento jesuítico. Para tentar salvá-lo do suplício, a igreja envia P. Sebastião Rodrigues.

Endo recria um momento seminal para a expansão do cristianismo na Ásia, justamente um período em que os cristãos precisavam esconder sua religião ou seriam brutalmente dizimados – em sessões pouco misericordiosas de tortura e assassinato. O romance, que combina o caráter epistolar à narrativa linear, é uma profissão de fé do escritor, que nunca conseguiu esconder seu fervor católico. Graças a isso, é considerado por muitos o Graham Greene japonês. Cada detalhe da obra parece criado como um diamante – lapidado obstinadamente e com um único objetivo.

À parte de suas preferências religiosas, Endo faz de P. Ferreira um mártir, um homem que padeceu por seus ideais e precisa ser resgatado e levado de volta à Europa. Silêncio percorre os caminhos que os sacerdotes trilharam para encontrar o amigo. Ainda que o texto esbarre em algumas burocracias narrativas, impostas pelo tema e recorte histórico, Shusaku é sábio ao criar um reflexo interessante da luta do império japonês contra a ocidentalização.

No final, o que se vê é um trabalho de criação único e interessante, sem ser panfletário.

Rodrigues simboliza o idealismo e a pureza, ao passo que P. Ferreira carrega o conformismo e a consternação. A trama de Endo se sustenta nessas duas imagens antagônicas, mas justificáveis de acordo com a situação. Como Haruki Murakami, escritor japonês mais popular em nossos dias, o autor de Silêncio não é tão oriental quanto manda a etiqueta literária, deixando às claras suas influências do “novo mundo”. Não que isso faça diferença, entretanto, causa certo espanto ao levarmos em conta o quanto isso é importante por lá.

Criação

Silêncio foi um projeto pessoal de Endo, consumindo horas de pesquisa, escrita e reescrita. O empenho foi a chave para a fascinação de outro sujeito entusiasmado pelo cristianismo: Martin Scorsese, que transformou o livro em uma película homônima. Ambos têm em comum a devoção por Jesus Cristo e o desejo de torná-lo Arte, isso mesmo, com “a” maiúsculo. Em certa medida, os dois conseguiram.

Shusaku Endo mantém o ar poético da situação – conversão, martírio – e Scorsese explora o flagelo físico e mental, colocando em evidência a violência e a dor, características que fazem parte de seu bestiário. No final, o que se vê – nas duas peças – é um trabalho de criação único e interessante, sem ser panfletário.

SILÊNCIO | Shusaku Endo

Editora: Planeta/Tusquets;
Tradução: Mário Vilela;
Tamanho: 272 págs.;
Lançamento: Janeiro, 2017.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Companhia de JesusCrítica LiteráriaEditora TusquetsHaruki MurakamijesuítasLiteraturaLiteratura JaponesaMartin ScorseseP. Pedro ArrupeShusaku Endosilêncio

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.