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Mia Couto: Moçambique, morte e magia

Em 'Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra', Mia Couto mescla lenda, legado e intriga em narrativa mágica sobre a terra e os ritos de luto.

porLuciano Simão
21 de agosto de 2017
em Literatura
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Mia Couto: Moçambique, morte e magia

Imagem: Reprodução.

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Inserido no amplo âmbito da literatura fantástica, o realismo mágico, tradicionalmente ligado à cultura latino-americana, encontra solo fértil na mitologia e tradição dos mais diversos povos – do Japão de Murakami à Índia de Salman Rushdie. Em Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra (última edição: Companhia das Letras, 2016), o moçambicano Mia Couto explora as convenções do gênero para construir um poderoso retrato do legado cultural de seu país.

Neste romance, o autor comprova ser merecedor do Prêmio Camões, com o qual foi homenageado em 2013. Impulsionada pela força da prosa, poética e repleta de recursos sonoros aplicados com maestria, a obra fantástica de Mia Couto nos apresenta o universitário Marianinho, protagonista e narrador do livro, que abre seu relato com a seguinte passagem: “A morte é como o umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de anterior existência”.

Tudo flui e evolui: ao término da trama, ninguém permanece igual ao que era no início – assim como o leitor.

Pois é essa cicatriz que marca cada uma das personagens da história. As relações humanas com a finitude – em especial com a Morte, apresentada como força da própria natureza, física e concreta como a chuva – formam o cerne temático do romance. Forçado a retornar à Luar-de-Chão, sua ilha natal, para se encarregar dos ritos fúnebres do avô, Marianinho narra, de forma episódica, as intrigas familiares que sucedem a morte súbita do patriarca. As tradições, a história e o legado familiar são outros temas recorrentes no livro, sempre abordados com a plasticidade descritiva da literatura fantástica.

De fato, os aspectos fantásticos permeiam toda a narrativa, reforçados pelo caráter quase onírico da prosa, que utiliza o mágico como matéria-prima da realidade. Mesmo apostando em aliterações e consonâncias como seus principais artifícios sonoros, a cuidadosa técnica literária de Mia Couto evita o excesso. Graças ao fluxo harmônico da narrativa, a leitura não se torna cansativa, e a trama avança rumo ao clímax em um crescendo constante.

Uma ilha, um país

Ainda que a linguagem e a abordagem fantástica das temáticas centrais tomem destaque na análise do romance, não é possível ignorar a força das personagens, memoráveis em suas extravagâncias e peculiaridades. Mesmo em um livro pouco extenso, o autor constrói a tridimensionalidade de cada membro da família de Marianinho, dos tios e habitantes da vila ao falecido patriarca da família. Tudo flui e evolui: ao término da trama, ninguém permanece igual ao que era no início – assim como o leitor.

Apesar de protagonizar o conflito central, Marianinho não é o único protagonista da história. No realismo mágico de Mia Couto, o próprio cenário chora e ganha vida. A ilha de Luar-de-Chão respira, pulsa, sente e – o mais importante – reage aos acontecimentos da trama. O autor dá personalidade própria à terra sem jamais antropomorfizá-la. São as forças da natureza que compõem o corpo e a mente muda da pequena ilha moçambicana.

Ainda, o vilarejo transcende fronteiras geográficas, adquirindo um aspecto quase cósmico, universal. Luar-de-Chão tem tons de Macondo, a Colômbia metafórica de Gabriel García Márquez. Representa, nos limites de seus becos e ruelas, a herança de todo um país.

UM RIO CHAMADO TEMPO, UMA CASA CHAMADA TERRA | Mia Couto

Editora: Companhia das Letras;
Tamanho: 264 págs.;
Edição: Dezembro, 2016.

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Tags: Book ReviewCompanhia das LetrasCrítica LiteráriaGabriel García MarquezHaruki MurakamiLiteraturaMia Coutorealismo mágicoResenhaUm Rio Chamado Tempo Uma Casa Chamada Terra

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