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Home Literatura

‘O Vilarejo’: horror à brasileira

Em 'O Vilarejo', Raphael Montes explora o potencial de violência e insanidade escondido dentro de pessoas aparentemente normais.

porEder Alex
9 de setembro de 2015
em Literatura
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Raphael Montes - O Vilarejo

Imagem: Divulgação.

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Raphael Montes é um jovem escritor (jovem mesmo, ele nasceu em 1990, vê se pode?) que vem se destacando no meio literário voltado ao entretenimento. Seu ótimo livro de estreia, Suicidas, foi finalista do Prêmio São Paulo em 2013 e Dias Perfeitos, sua obra mais badalada, foi traduzida em diversos países. Ele começou com a literatura policial, depois enveredou para o suspense e agora, com O Vilarejo, lançado pelo selo Suma de Letras, o autor fincou o pé de vez no horror e se saiu muito bem.

O livro é composto por sete contos que se passam num vilarejo nos cafundós do leste europeu, durante um período de guerra que devastou e isolou a região. Em meio à miséria e à falta de esperança, os moradores do local se defrontam com todo o tipo de maldade e insanidade que as pessoas comuns são capazes de cometer umas contra as outras.

Diferentemente de seus dois livros anteriores, O Vilarejo é uma obra mais genérica (ou seria universal?) que não possui uma assinatura identificável. Aqui o autor deixa de lado a classe média alta carioca tão presente em seus livros anteriores e explora um enredo mais gótico, geograficamente indefinido e com carinha de Lovecraft. Não é exatamente o seu melhor trabalho, mas para quem gosta da literatura de gênero, o livro é um prato cheio (de vísceras).

O autor parece se divertir com o jogo de conexões que estabelece entre as histórias e, por conseguinte, o leitor também acaba entrando nessa dança, tentando juntar as peças do quebra cabeça macabro.

As histórias são bem fofas, tem canibalismo, doenças degenerativas, estupros, assassinatos, infanticídio, etc. Toda perversidade humana serve de material para que Raphael Montes destile as bizarrices que compõem a sua curiosa imaginação. O autor parece se divertir com o jogo de conexões que estabelece entre as histórias e, por conseguinte, o leitor também acaba entrando nessa dança, tentando juntar as peças do quebra cabeça macabro, através dos personagens que se repetem, ora como protagonistas, ora como coadjuvantes (a internet me ensinou que o nome chique desse dificílimo recurso narrativo de conectar todos os contos é fix-up).

O livro ainda conta com belas ilustrações de Marcelo Damm, que corroboram o tom sombrio da obra, ao mesmo tempo em que a aproxima de um modelo mais infanto-juvenil. A linguagem também segue essa linha, pois a despeito dos temas imundos, flui de maneira límpida e sem palavrões. Aliás, por se tratar de um livro com narrativas curtas, me pareceu que houve uma atenção um pouco maior por parte do autor com relação à forma, com frases mais lapidadas e com redução de lugares-comuns, o que representa uma evolução em relação à sua obra anterior.

Tudo é muito bem amarrado e calculado, parece até redondinho demais, mas isso não chega a incomodar, pelo contrário, as reviravoltas e os finais surpreendentes são o que tornam o livro tão divertido. Em “As Irmãs Vália, Velma e Vonda”, por exemplo, que fala sobre os limites entre ficção e realidade, temos pelo menos dois plot twists e uma amostra interessante da mente macabra do autor. É a minha história favorita do livro.

Há quem ainda discuta “literatura de gênero X literatura séria” em termos de “valor” cultural. O próprio Raphael escreveu um texto alfinetando meio mundo sobre isso, que foi até engraçado, mas que, assim como o discurso combatido, reduziu tudo a estereótipos. Creio que haja espaços para todo mundo e isso de literatura melhor ou pior meio que nem importa muito. Posso ler um livro do Michel Laub (para ficarmos na mesma casa editorial de Montes) e me deparar com reflexões que me comovem, com sentimentos que me marcam profundamente, que podem até mudar a minha maneira de enxergar a vida, assim como também posso ler Suicidas e me divertir pra caralho momentaneamente, com algo leve e que nem me faz pensar em muita coisa (e às vezes o objetivo é bem esse). Enfim, cada obra tem sua importância e seu significado, bem como o seu próprio público. A partir de critérios técnicos ou pessoais, posso classificá-las numa ordem de preferência e relevância, mas não vejo problema nelas convivendo numa mesma prateleira.

Raphael Montes, assim como Ivan Mizanzuk (Até o Fim da Queda, também lançado este ano), mostra que nem só de reinos medievais e dragões vive a fantasia brasileira. Fica a torcida para que mais autores se arrisquem nesse gênero tão divertido. Os fãs do terror agradecem.

O VILAREJO | Raphael Montes

Editora: Suma;
Tamanho: 96 págs.;
Lançamento: Agosto, 2015.

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Tags: Crítica LiteráriaLiteraturaLiteratura BrasileiraRaphael MontesSuma de LetrasSuspenseterror

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