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Home Literatura

‘Vitória’: dançando em campo minado

'Vitória', estreia de Giovanni Arceno, lançada pela Oito e Meio, reacende a chama da literatura que caminha pelas bordas.

porJonatan Silva
2 de junho de 2017
em Literatura
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'Vitória': dançando em campo minado

Imagem: Reprodução.

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O sonho se foi, mas o bebê é real. A lição dada pela dramaturga inglesa Shelagh Delaney (1938 – 2011) na pobre Jo, em sua obra-prima Um gosto de mel, ainda faz herdeiros – mesmo após quase seis décadas da peça estrear em Manchester. E um desses herdeiros é a novela Vitória, estreia do escritor catarinense Giovanni Arceno, que faz de seus personagens verdadeiros dançarinos de campos minados.

A gravidez de Vitória, uma menina negra e que não consegue se libertar do fantasma do seu antigo namorado, morto em um acidente de carro, é o estopim para que a vida de Danilo se transforme uma roda-gigante. Com crueza e sensibilidade, Arceno dá voz às angústias da juventude, sempre perdida como o verme kafkiano que constrói a sua própria toca tentando escapar do inimigo que, pouco a pouco, e inexoravelmente, se aproxima para o juízo final.

Vitória, a mulher, se avoluma capítulo a capítulo, deixando Danilo como um homem inacabado. Enquanto procuram subterfúgios para esquecer a gravidez, o casal – que a essa altura já está separado – opta pelo mais óbvio: o aborto. Há uma certa nuvem negra entre os dois, algo que atrapalha o diálogo daqueles que um dia pensaram em seguir juntos – ou não. Arceno aproveita esse cenário claustrofóbico para fisgar e manipular o leitor, levando o livro às últimas consequências. Simultaneamente à rejeição da criança e ao ex-namorado, Vitória tenta encontrar sua própria identidade que, em geral, a carrega para um turbilhão emocional ligado ao ex morto.

A novela se ramifica e outros personagens aparecem – como é normal na vida – e uma teia se cria, uma relação rizomática entre realidade e ficção, como se uma precisasse da outra para ser (re)inventada em um ciclo perpétuo de retroalimentação.

Bonsai

Arceno é um escritor de seu tempo. Como os nomes mais proeminentes da literatura brasileira contemporânea, narra sua história em primeira pessoa. A estratégia pode parecer manjada ou calcada naquilo que se tornou, até certo ponto, um lugar comum no que encontramos nas livrarias. No entanto, Giovanni usa o decoro que lhe cabe para traçar o perfil de Danilo, evitando o olhar endêmico para o próprio umbigo. Mais uma vez: o campo é minado e autor consegue escapar ileso.

Carlos Henrique Schroeder, espécie de guia de Arceno, estabelece um paralelo interessante entre Vitória e Bonsai, do chileno Alejandro Zambra. As histórias são óbvias, mas as suas conduções são o grande destaque do texto. Ambas são construídas como se fossem realmente bonsais, traçadas com delicadeza – que não deve ser confundida com suavidade – e com o crescimento praticamente controlado.

Ainda assim, a novela se ramifica e outros personagens aparecem – como é normal na vida – e uma teia se cria, uma relação rizomática entre realidade e ficção, como se uma precisasse da outra para ser (re)inventada em um ciclo perpétuo de retroalimentação.

VITÓRIA | Giovanni Arceno

Editora: Oito e Meio;
Tamanho: 98 págs.;
Lançamento: Fevereiro, 2017.

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Tags: Alejandro ZambraBonsaiCríticaCrítica LiteráriaEditora Oito e MeioGiovanni ArcenoLiteraturaLiteratura BrasileiraLiteratura ContemporâneaLiteratura IndependentesextaShelagh DelaneyUm Gosto de MelVitória

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