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Maria Valéria Rezende apresenta o ‘Vasto Mundo’ num microcosmo

porMarilia Kubota
5 de dezembro de 2017
em Literatura
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Maria Valéria Rezende - Vasto Mundo

A escritora Maria Valéria Rezende. Foto: Adriana Franco/Reprodução.

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Vasto Mundo (Alfaguara, 2015), de Maria Valéria Rezende, foge a uma definição de gênero. Romance? Contos? São 18 histórias que têm em comum o povoado fictício de Farinhada, no interior da Paraíba. Cada uma revela um personagem e cada personagem reaparece como figurante em outras histórias. O livro marcou a estreia da autora na literatura, em 2001.

[highlight color=”yellow”]O tempo das narrativas é ambíguo.[/highlight] As citações da tevê em praça pública, a vinda do circo como grande acontecimento local e o domínio de um latifundiário leva a crer em eventos de um passado remoto. Também é possível que aconteçam no presente, nos grandes sertões desconhecidos do Brasil, onde a vida parece ter se cristalizado num tempo mítico.

Os eixos temáticos que ligam as histórias, além dos personagens e os arredores da vila – o Sítio Ventania, Itapagi, o município de Catavento – são a subversão e a utopia. A subversão atende a um apelo popular e instaura a utopia por um breve tempo. O suficiente para que o povo compreenda o sentido da justiça e alimente esperanças para lutar por uma vida melhor.

É o que se vê em “Não se vende jumento velho”. O Padre Franz, ao ser atingido por uma pedra, converte-se de missionário disciplinado em tipo inconveniente. Seu comportamento escandaloso convoca até a vinda do  bispo, disposto a expulsá-lo do vilarejo. O povo de Farinhada, em gratidão à sua devoção anterior, se une para que permaneça.

“Na sexta-feira, a estratégia já estava armada. No sábado, Farinhada despertou com as pisadas que chegavam do povaréu que chegava de todos os sítios ao redor. Vinham de caminhão, montados ou a pé. Vieram os mais velhos ou as crianças, tão pequenas algumas, dentro dos caçuás no lombo dos jumentos. Aprígio chegou a galope, logo de manhãzinha, acompanhado de mais três cavaleiros, oferecendo-se para interceptar o cortejo do bispo lá para diante, bem antes que chegasse a Farinhada, mas Padre Franz o proibiu , ‘só reze, Aprígio, reze que faz bem a você também!’. Aprígio obedeceu, mas foi engrossar o comitê popular que já tinha tomado em mãos outras rédeas, as dos acontecimentos.” (Página 30)

Os eixos temáticos que ligam as histórias, além dos personagens e os arredores da vila – o Sítio Ventania, Itapagi, o município de Catavento – são a subversão e a utopia.

“O tempo em que dona Eulália foi feliz” conta a história do antípoda de Franz, o deputado Assis Tenório. O latifundiário adoece de repente, de mal misterioso. Para se tratar, afasta-se de Farinhada. Quem assume o comando é a esposa Eulália, acovardada pela opressão cotidiana. A utopia começa com a libertação dos jagunços, que em vez de aterrorizar os meeiros, reumanizam-se. A partir daí, o povo, acostumado a ser subjugado, vem fazer pedidos à dona Eulália. Ela aproveita para corrigir os desmandos do marido.

“Em poucos dias desabrochou na fazendeira uma coragem insuspeitada de fazer o que lhe passasse pela cabeça e pelo coração, uma vontade de tudo resolver, ajeitar, melhorar, um desparramo de imaginação que fazia brotar ideias e mais ideias de como botar um final feliz a cada caso que lhe aparecia. Mandou chamar Padre Franz, que veio, meio contrafeito, atravessando pela primeira vez a cancela de seu inimigo declarado, e com os conselhos dele estabeleceu um rol de melhorias para Farinhada e os sítios em redor, que mandou executar imediatamente. Reconstruíram-se escolinhas e capelas arruinadas, os jagunços feitos pacíficos pedreiros e carpinteiros, passou-se o trator pelas estrada da serra, abriu-se curso de corte e costura, distribuíram-se óculos de ver de perto e de ver de longe, deram-se cabras de raça prenhe para as mulheres grávidas, veio doutor, veio dentista, veio enfermeira da puericultura e finalmente, ó maravilha, Eulália mandou abrir as terras incultas da fazenda para quem quisesse botar roçado.” (Página 76)

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[highlight color=”yellow”]Exemplar é a vingança que a narrativa imprime ao tirano.[/highlight] Além do cheiro fétido, que espanta a todos ao redor, o desespero o leva a buscar milagres em qualquer tipo de crença e cura. Para o mal imposto ao povo, a vingança não é a tragédia: é o humor.

As mulheres desempenham ora papéis tradicionais, como Eulália, ora transgressores, como Maria Raimunda e Aurora dos Prazeres. A sitiante Maria Raimunda e a freira Aurora representam lideranças femininas que convocam forças coletivas para lutar contra seus adversários. A cantoria de benditos de Maria Raimunda e Aurora atraem multidões de mulheres que se unem para lutar, a primeira, contra a prisão de um camponês e a segunda, levar adiante uma greve de canavieiros. Nas duas narrativas, cantos de cunho religioso são deslocados da função sacra para se constituírem como marchas de protesto. A mobilização política carnavalizada torna-se gozo e libertação: a cantoria da sitiante Maria Raimunda e das companheiras chega ao ouvido do governador, obrigado a libertar o prisioneiro político para dormir em paz; de tão engajada na causa dos grevistas, Aurora vai parar na boate Rabo de Gata.

Vasto Mundo é o primeiro livro publicado de Maria Valéria Rezende, pela editora Beca, por indicação de Frei Betto. A autora nasceu em Santos, em 1942. Entrou para a Congregação de Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho em 1965. Nos anos 60, começou a trabalhar com educação popular. Ganhou o Prêmio Jabuti de 2009 com o infantil No risco do caracol; em 2013, com o juvenil Ouro dentro da cabeça; e em 2015, foi premiada como romance e Livro do Ano com Quarenta dias. Em  2017, recebeu os prêmios Casa de las Américas e São Paulo por Outros Cantos.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]VASTO MUNDO | Maria Valéria Rezende

Editora: Alfaguara;
Tamanho: 168 págs;
Lançamento: Fevereiro, 2001.

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Tags: AlfaguaraCrítica LiteráriaLiteraturaLiteratura BrasileiraMaria Valéria RezendeOutros CantosPrêmio JabutiResenhaVasto Mundo

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