• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Minha Luta’ e a questão da ética

O anúncio da publicação de 'Minha Luta', de Adolf Hitler, tem causado furor entre os que concordam e aqueles que não apoiam a comercialização.

porJonatan Silva
12 de fevereiro de 2016
em Literatura
A A
O anúncio da publicação de 'Minha Luta', de Adolf Hitler, tem causado furor entre os que concordam e aqueles que não apoiam a comercialização.

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Ignorar a recente “demanda” pela publicação de Minha Luta – ideário nazista escrito por Adolf Hitler e que acaba de entrar em domínio público – é como fechar os olhos para a fumaça de um incêndio que se alastra. O livro, após passar sete décadas com os direitos de publicação bloqueados e sob tutela do Estado da Baviera, está prestas a se tornar um novo fenômeno editorial no Brasil, com edições confirmadas pela Geração (comentada) e Centauro (texto integral). A Edipro, que também havia programado a sua edição para esse mês, cancelou a publicação e disse que a empreitada poderia ser mal interpretada.

O escritor Ricardo Lísias, autor de Divórcio e O Céu dos Suicidas, tem encabeçado a luta contra a publicação do livro no Brasil. Em um texto escrito para o UOL, Lísias é categórico ao definir Hitler como um “desgraçado”. “A questão não é a interpretação que alguém possa dar a um texto. O fato é que o autor de Minha Luta é um desgraçado. Ele é mais que um desgraçado. Ele é alguma coisa que as palavras não podem transmitir. Hitler é o responsável direto pelo assassinato de dezenas de milhões de pessoas”, afirmou.

A questão ficou ainda mais intensa depois que algumas redes de livrarias se recusaram a vender as novas edições da autobiografia do líder alemão ou de não promovê-la enquanto produto. Obviamente, Minha Luta circula há tempos clandestinamente na internet e não é nem um pouco difícil encontrar a obra para download gratuito.

Para tentar driblar a recusa do mercado livreiro, a Geração adotou uma técnica simples: interessados em comprar o livro devem entrar em contato com a editora e “reservar” o exemplar durante a pré-venda.

Na Alemanha, por exemplo, o livro já está esgotado na Amazon e faz parte de diversas listas de mais vendidos. Coincidência ou não, O Diário de Anne Frank, relato de uma adolescente judia que se escondeu com sua família no sótão de casa durante a Segunda Guerra e acabou morta pelas tropas de Hitler, está 6º lugar na lista dos mais vendidos do site PublishNews.

Entre o ‘publicar’ e o ‘não publicar’ um livro como Minha Luta, a linha do bom senso e da censura parecem muito tênues – a menos que a sua pele tenha sido cravada pelas insígnias de uma ideologia que, apesar de todo o esclarecimento, teima em reaparecer.

Democracia

Quem defende que o livro ganhe as prateleiras das lojas diz que a publicação é um ato de democracia. O escritor paranaense Miguel Sanches Neto, em texto também para o UOL, afirmou que “Minha Luta deve ser publicado comercialmente porque é pilar da democracia o acesso universal a todos os conteúdos, porque a proibição cria uma atração nociva e porque este livro se converteu numa peça de acusação contra os próprios nazistas.”

O que se tem deixando de lado é a questão ética – já que o escrito de Hitler foi usado para embasar as ideias que permitiram o assassinato daqueles que eram considerados inferiores. Para as lideranças judaicas no Brasil, o livro pode – facilmente – se encaixar na categoria de textos que promovem o racismo e, portanto, ter a circulação proibida.

Proibição

No começo deste mês, uma decisão da 33ª Vara Criminal proibiu a venda do livro e emitiu mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro. Por enquanto, essa foi a única medida judicial a impedir o comércio do ideário nazista. Luiz Fernando Emediato, em entrevista ao Estadão, classificou a decisão como “inócua”.

“O livro de Hitler pode ser baixado grátis pela internet, em vários idiomas, inclusive português. No nosso caso, vamos esperar a citação e recorrer, porque a Constituição Federal nos garante o direito da livre expressão. Acredito que o próprio juiz poderá rever sua decisão, ao verificar e confirmar que nossa edição, crítica e comentada, presta um serviço à humanidade, pois desmente, refuta e condena as ideias de Hitler”, disse.

Entre o “publicar” e o “não publicar” um livro como Minha Luta, a linha do bom senso e da censura parecem muito tênues – a menos que a sua pele tenha sido cravada pelas insígnias de uma ideologia que, apesar de todo o esclarecimento, teima em reaparecer.

Tags: Adolf HitlerCentauroEdiproGeração editorialLiteraturaMein KampfMiguel Sanches NetoMinha lutaRicardo Lísias

VEJA TAMBÉM

A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.
Literatura

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Juliana Belo Diniz desafia o biologicismo e recoloca o sofrimento mental em seu contexto humano. Imagem: Juliana Veronese / Divulgação.
Literatura

‘O que os psiquiatras não te contam’ e a urgência de devolver complexidade à saúde mental

19 de dezembro de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.