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‘Quarenta Dias’ apresenta uma cidade invisível

Em 'Quarenta Dias', de Maria Valéria Rezende, romance premiado com Jabuti em 2015, narradora experiencia a exclusão social.

porMarilia Kubota
16 de maio de 2017
em Literatura
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'Quarenta Dias' apresenta uma cidade invisível

Imagem: Reprodução.

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Quarenta Dias, de Maria Valeria Rezende, que recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance de 2015, é uma ficção sobre a migração dos nordestinos ao Sul do país. Em vez de um relato realista, a autora preferiu um simulacro. A protagonista Alice, professora de francês aposentada, é obrigada pela filha a se mudar de João Pessoa, na Paraíba, para Porto Alegre. A filha manipula a mudança de cidade com o objetivo de fazê-la cuidar de um neto, que ainda está por vir. Chegando ao Sul, Alice é surpreendida pela notícia de que a filha e o genro passarão 6 meses fora do país.

Alice se revolta por ter aceito mudar toda a sua vida e começa uma descida ao fundo do poço. A pretexto de procurar um conterrâneo, Cícero Araújo, empreende uma aventura na periferia da capital gaúcha. Favelas, becos, pronto socorro, praças e rodoviária tornam-se seus pontos de referência. Alice percorre os labirintos conhecidos por seus conterrâneos na grande cidade.

A história difere do drama do migrante que busca melhores oportunidades no Sul, porque o deslocamento de Alice foi uma coação afetiva. Mas ao dar-se conta de sua extrema solidão, Alice busca refúgio entre iguais. Na Vila João Pessoa, numa favela gaúcha, encontra outros “brasileirinhos” como ela, entrevendo uma realidade pouco divulgada nas metrópoles do Sul e do Sudeste: a exclusão e segregação geográfica de nordestinos e negros, empurrados para a periferia da  cidade.

Barbie representa a alienação de Norinha e outras mulheres e homens que desconhecem a realidade profunda do país em que vivem.

Não por acaso, a protagonista tem como uma interlocutora a boneca Barbie. Personagem da capa de um caderno escolar que Alice toma como diário, Barbie representa a alienação de Norinha e outras mulheres e homens que desconhecem a realidade profunda do país em que vivem. As duas personagens fictícias evocadas, Barbie e Alice (de Alice no Pais das Maravilhas), são alienígenas ao universo dos moradores em situação de rua e dos excluídos da vida urbana.

Interessante perceber o jogo de desenraizamento e estranhamento em que Alice é envolvida. Ela se orgulha da identidade paraibana e ao ceder aos apelos da filha, perde não só o apartamento em que morava em João Pessoa. Também sua história de vida e a identidade desmoronam. Em Porto Alegre, ela chega como integrante da classe média. Logo após o choque por receber a notícia da viagem da filha, ela vai se transformando em moradora da rua.

Em busca de um semelhante, Alice vai encontrar anônimos (muitos perdem seus nomes e passam a usar apenas os apelidos) que, apesar de marginalizados, têm um senso de humanidade ampliado pelas duras condições econômicas. Não desconfiam da pobreza artificial de Alice, para quem a busca de Cícero Araújo é um pretexto para ela se esconder do abuso familiar. Eis um ponto de contato com as histórias dos sem teto. Só quando encontra alguns deles, com nome e um passado – um, como seu marido, ex-guerrilheiro -, é que Alice é resgatada de seu deserto existencial, retornando a Porto Alegre das barbies.

QUARENTA DIAS | Maria Valéria Rezende

Editora: Alfaguara;
Tamanho: 248 págs.;
Lançamento: Março, 2014.

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Tags: Alfaguaraautoras brasileirasCrítica Literáriaescritoras brasileirasJabuti 2015LiteraturaLiteratura BrasileiraLiteratura ContemporâneaMaria Valéria RezendePrêmio JabutiQuarenta diasResenhaReviewRomance

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