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Home Literatura

Socorro Acioli e o realismo mágico no Nordeste brasileiro

porTamlyn Ghannam
4 de junho de 2017
em Literatura
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Socorro Acioli - a cabeça do santo

Socorro Acioli. Foto: Reprodução.

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Antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz dois pedidos: que ele acenda velas aos santos e que procure conhecer seu pai e sua avó paterna. Ele cede aos pedidos da mãe, não sem relutância, e empreende uma jornada a pé de Juazeiro do Norte até Candeia, cidade onde habitam seus familiares desconhecidos. Para descrever a viagem do protagonista, a autora Socorro Acioli adota um discurso que representa a secura sertaneja à moda de Graciliano Ramos. Dura, animalesca e pungentemente seguimos o personagem por seu caminho rumo ao incógnito.

“Ele não tinha mais sapatos e seus pés, àquela altura, já eram outra coisa: um par de bichos disformes. Dois animais dentados e imundos. Duas bestas, presas aos tornozelos, incansáveis, avante, um depois do outro, avante, conduzindo Samuel por dezesseis longos e dolorosos dias sob o sol”.

Chegando em Candeia, Samuel, desabrigado, encontra pousada em uma caverna solitária, sem imaginar que se tratava da cabeça gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, dentro da qual repousava o fantástico. A existência de um verdadeiro ícone inconcluso na cidade de Caridade, a 100 km de Fortaleza, onde nasceu Socorro Acioli, garante uma verossimilhança quase tangível ao refúgio inabitual do protagonista, mote de A cabeça do santo (Companhia das Letras, 2014), que o guiará a descobrimentos ainda maiores.

A temática de busca pela própria identidade, de reconhecimento das próprias origens, mobiliza o livro em vários níveis. Samuel é impelido pela mãe a conhecer a si mesmo, mas nessa marcha o protagonista vai além da sua interioridade e auxilia toda uma comunidade a conceber seu autoconhecimento. Ao entrar inesperadamente na cabeça do santo casamenteiro, monumento distintivo de Candeia, o personagem principia um gesto de união da cidade que tem como ponto de origem a grande escultura, representante da religião e do fantástico, dois princípios fundamentais à constituição da face daquele povo.

A temática de busca pela própria identidade, de reconhecimento das próprias origens, mobiliza o livro em vários níveis.

Pouco a pouco vamos sendo capazes de delinear a cartografia da cidadezinha nordestina que exploraremos ao lado de Samuel. Os episódios, narrados sempre por uma linguagem apurada que acompanha a atmosfera dos acontecimentos, ora cerimoniosa, ora prazenteira, ora romântica, são retratos da cultura regional em que predominam a fé católica e as crenças supersticiosas que propiciam o nascimento do realismo mágico. Bebendo na fonte de Gabriel García Márquez, de quem foi aluna e recebeu a benção para a realização do romance, Socorro Acioli recupera o fantástico no território brasileiro mais profícuo para o gênero: o Nordeste, muito bem conhecido e explorado pela autora.

A vinda de Samuel ao município movido pelas preces, sobretudo das moças solteiras requestando matrimônio, unida à retomada da estátua de Santo Antônio como objeto milagroso, transforma o rapaz em uma espécie de Messias que incorpora a sabedoria sertaneja e revitaliza Candeia, atraindo com suas ações miraculosas fiéis de diversas localidades. As personalidades do protagonista e da cidade fundam-se no fantástico, o mágico fundido ao real estimula suas ações e propicia a autognose.

Os capítulos curtos, repletos de personagens que desde os próprios nomes são muito bem caracterizados, propõem reviravoltas que envolvem o leitor na trama de modo descontraído, do início ao final do livro. Acioli vale-se da oralidade típica dos causos sertanejos e mesmo das literaturas africanas, que serviram de inspiração confessa à autora, desse modo projetando-se, como que de corpo presente, em frente ao interlocutor que bebe sedento da fonte mágica de Candeia.

A construção leve da narrativa, a presença encantadora do mágico e o aproveitamento de aspectos tão peculiares da realidade nordestina consagram A cabeça do santo como um dos principais expoentes da literatura brasileira contemporânea, capaz de agradar aos mais variados públicos.

A CABEÇA DO SANTO | Socorro Acioli

Editora: Companhia das Letras;
Tamanho: 176 págs;
Lançamento: Fevereiro, 2014.

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