• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Música

The Hotelier: cru, poético e necessário

porLucas Paraizo
1 de dezembro de 2016
em Música
A A
Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

“Me conte do desespero, o seu, e eu lhe contarei do meu. Enquanto isso, o mundo gira”. No poema “Wild Geese”, a norte-americana Mary Oliver fala sobre encontrar o seu lugar em meio aos problemas, sobre deixar o lado leve aparecer e apreciar o mundo: “seja que você for, quão grande sua solidão, o mundo está ali para sua imaginação, lhe chamando como o fazem os gansos selvagens, tão duro quanto excitante”.

É desse poema parte das referências de “Soft Animal”, uma das canções de Goodness (2016), terceiro disco de estúdio da banda de Massachusetts The Hotelier. E as palavras de Mary Oliver dizem muito sobre as palavras dos artistas aqui, que são grandes representantes de uma nova safra do rock dos Estados Unidos que não teme ser poética.

O The Hotelier (que nasceu The Hotel Year) é uma das bandas de mais destaque na cena do emo revival norte-americana. Hoje como um trio, eles são responsáveis por um dos discos que devem constar em qualquer lista que pretende definir tal movimento: Home, Like No Place Is There (2014). Um álbum de rock direto, cru e urgente que bebe das fontes do emo/pop punk/hardcore dos anos 90 para criar um dos melhores e mais pesados discos de rock contemporâneo dos últimos anos. Sobre suicídios, depressão e relacionamentos abusivos (em “Housebroken”, uma das melhores músicas sobre o tema já escritas até hoje), foi um trabalho fundamental para mostrar o The Hotelier ao mundo e o estabelecer o estilo idiossincrático de escrita do vocalista Christian Holden. Letras longas, fora de padrões e com escrita quase em prosa poética dão o tom.

the_hotelier_goodness_capa
A capa original de “Goodness”, com um grupo de adultos nus, acabou sendo censurada em vários locais. Foto: Reprodução.

Se o disco anterior era pesado e cheio de assombrações, o novo registro do The Hotelier é uma busca pela luz.

Goodness é a sequência que Home… merecia ao ampliar o leque de harmonias do trio e mergulhar ainda mais na criatividade de Holden. Se o disco anterior era pesado e cheio de assombrações, o novo registro do The Hotelier é uma busca pela luz. Com a temática recorrente da reconstrução após um relacionamento rompido, a banda consegue criar algo bem diferente do que já existe. As guitarras seguem urgentes, o vocal continua cru e as guitarras parecem se enfrentar em melodias contra qualquer padrão convencional. São heranças do gênero que vêm lá do math-rock, influenciaram o emo e vivem tão claras em bandas como Algernon Cadwallader e The World Is a Beautiful Place & I am no Longer Afraid to Die. O The Hotelier usa toda essa bagagem aliada às letras inteligentes para se destacar não só em sua cena alternativa, mas no rock em geral.

Ao lado de bandas como o Modern Baseball, que também lançou um grande disco em 2016, o The Hotelier mostra bem como o emo cresceu nos últimos anos. São bandas que vivem em uma cena fechada e extremamente forte – inclusive no Brasil -, e que se adaptaram bem aos temas atuais. Era um meio que costumava ser quase que exclusivamente masculino e que hoje debate as próprias vivências e costumes para melhorar a comunidade e eventos como o Vans Warped Tour, que move boa parte da cena. Se o The Hotelier não grita contra a ex-namorada em suas canções de término e expõe relacionamentos abusivos nas letras, é por não querer repetir 20 anos depois o que algumas bandas tão importantes fizeram nos anos 90 ao consolidar o gênero. Um exemplo? O Brand New, banda tão relevante que serve de inspiração até hoje, que cantava sobre o desejo de ver a garota morta.

É com os sentimentos humanos que o The Hotelier lida bem. É com a mortalidade tratada em “Opening Mail for My Grandmother”, sobre os lados escondidos que cada pessoa guarda e se tornam visíveis à luz da lua, sobre um desejo simples e único de viver. Trata-se de uma banda necessária e relevante na música atual, em uma cena que – como já repeti em vários textos – mantém viva uma fagulha de originalidade no rock atual. O The Hotelier é um dos melhores da safra e merece ser ouvido.

Ouça “Goodness” na íntegra no Spotify

fb-post-cta

Tags: Algernon CadwalladerCrítica MusicalemoGoodnessHome Like No Place Is ThereModern BaseballMúsicamúsica internacionalRockThe HotelierThe World Is a Beautiful Place & I am No Longer Afraid to DieVans Warped Tour

VEJA TAMBÉM

Da esquerda para a direita: Cameron Winter, Max Bassin, Dominic DiGesu, Emily Green. Imagem: Jeremy Liebman / Reprodução.
Música

Geese transforma exaustão em movimento em ‘Getting Killed’

22 de dezembro de 2025
Imagem: Divulgação.
Música

‘Sharon Van Etten & The Attachment Theory’ abre uma nova fresta emocional em meio ao caos

15 de dezembro de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.