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‘A Noiva!’ revisita o mito de Frankenstein pela ótica feminista

Filme de Maggie Gyllenhaal, 'A Noiva!' imagina uma noiva para Frankenstein com agência e despudor perante a sua nova vida.

porMaura Martins
18 de maio de 2026
em Cinema
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Christian Bale e Jessie Buckley: amor além da vida. Imagem: Warner Bros. / Divulgação.

Christian Bale e Jessie Buckley: amor além da vida. Imagem: Warner Bros. / Divulgação.

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Maggie Gyllenhaal não está para brincadeira. Conhecida pelo grande público por sua atuação em longas como Secretária (2002) e Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), ela demonstrou ser também uma diretora promissora já na sua estreia em A Filha Perdida (2021), a adaptação cultuada do livro de Elena Ferrante, com Olivia Colman no papel principal.

Seu segundo longa, A Noiva!, chegou cheio de expectativa – e comprovou a capacidade de Gyllenhaal de continuar surpreendendo, sem cair no risco de se repetir. Aqui, ela faz uma releitura de A Noiva de Frankenstein, o filme de 1935 que dá sequência à história original do monstro imaginado por Mary Shelley. Mas ela o faz de maneira totalmente condizente com sua visão de mundo e artística, centralizada nas mulheres.

Na nova história, o foco está na Noiva, e não tanto em Frankenstein. Em 1935, uma mulher chamada Ida (Jessie Buckley, de Hamnet, sempre espetacular), convive com um grupo composto por homens meio suspeitos. Eles estão em um restaurante, e Ida parece estar possuída por algo. Nós, os espectadores, sabemos que ela está tomada pelo espírito de Mary Shelley.

Ida é vítima de várias violências nas mãos desses sujeitos, que são capangas de um gângster chamado Lupino (Zlatko Burić), famoso por colecionar línguas cortadas das mulheres que o desagradam. Após sofrer vários assédios, que tiram proveito de sua postura sexualizada, Ida acaba assassinada depois de ser empurrada de uma escada. Seu corpo, na sequência, é jogado em uma vala.

Corta-se então para outra cena em que Frank, o famoso monstro criado a partir de corpos mortos (aqui vivido de forma inspirada por Christian Bale) bate na porta de uma cientista (Annette Bening). Depois de mais de um século de existência, Frank quer sentir novas emoções, incluindo os prazeres da carne. Em suma, o romântico Frankenstein quer uma parceira para se casar.

Isso acaba levando à cova abandonada de Ida. Solidária, a doutora Cornelia Euphronious acaba cedendo aos apelos de Frank e traz a mulher de volta à vida. Mas, desde os primeiros momentos, já dá para ver que ela não será uma mera noiva.

Muito além da noiva de Frankenstein

De fato, já nos primeiros respiros, entendemos que esta é uma mulher prolixa, algo confusa, que está imersa em uma vida interior limitada por palavras que lhe escapam. Seu sofrimento parece fugir do léxico que ela não encontra para se expressar – uma interpretação possível é de que estamos diante de uma mulher que nunca foi ouvida e agora se esparrama. Tida como uma prostituta, sempre alvo de abusos diversos, depois da morte, esta mulher agora busca algo que lhe parece essencial: um nome.

Essa pergunta é repetida a todo instante. O novo parceiro a batiza de Penelope (o que pode remeter à mulher de Ulisses na Odisseia, aquela que o espera pacientemente enquanto ele vive suas aventuras) ou Pretty Penny. Mas ao fim, conclui-se: ela é a Noiva, simplesmente (e não a Noiva de Frankenstein). Uma adaptação bonita de Gyllenhaal ao universo gótico oriundo da obra de Mary Shelley, agora iluminada por uma ótica que empodera aos mulheres, ao invés de reduzi-las a acompanhantes de homens.

Indo além das superfícies do mito, e transitando entre o horror e a comédia, A Noiva! entrega uma obra provocativa e ousada, que merece toda a atenção.

E, de fato, a Noiva ressuscitada parece indomável. Frente ao sensível Frank, que tudo o que deseja é deixar de ser visto como um monstro, ela percorre o país enquanto comete vários crimes. Enquanto isso, o parceiro apenas segue fiel ao seu lado, tentando protegê-las das roubadas, dando ares de Bonnie e Clyde para essa dupla.

Tudo isto é embalado por uma fotografia apurada, com ares de quadrinhos, remetendo ao universo de Sin City, e por maquiagem e figurinos impecáveis. Mas a mensagem que Maggie Gyllenhaal parece transmitir em A Noiva! está sempre pulsando: ao se tornar livre, dona de si e do seu corpo, Ida / Penelope / A Noiva continua sendo violada pelos homens. Não por acaso, ela os mata e encoraja outras mulheres para tomarem as rédeas de suas vidas.

Indo além das superfícies do mito, e transitando entre o horror e a comédia, A Noiva! entrega uma obra provocativa e ousada, que merece toda a atenção. Um assombro.

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Tags: A Noiva!Annette BeningChristian BaleCinemaFrankensteinMaggie GyllenhaalMary Shelley

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