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Benjamin Clementine lança segundo álbum de estúdio, ‘I Tell A Fly’

‘I Tell A Fly’, de Benjamin Clementine, segundo álbum do músico britânico, apresenta um trabalho mais experimental e amplia o escopo temático do artista, abordando conflitos contemporâneos e questões sociais.

porFernanda Maldonado
20 de outubro de 2017
em Música
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Capa do álbum lançado pelo britânico. Imagem: Divulgação.

Capa do álbum lançado pelo britânico. Imagem: Divulgação.

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“Essa é a primeira vez que eu choro por admiração”, diz um usuário no topo da lista de comentários do vídeo de “Cornerstone”, um dos clipes mais visualizados da carreira do pianista, cantor e poeta Benjamin Clementine no YouTube. O vídeo é extremamente cru e apresenta apenas Clementine cantando ao piano – nada mais é necessário. Se Nina Simone e Jacques Brel parissem um filho no mundo da música com suas respectivas heranças artísticas, esse filho seguramente seria ele. Tem a alma de ambos, mas um sangue vital que não pode ser confundido com o trabalho de ninguém mais além do seu próprio.

Mesmo com o estouro do single “Cornerstone” e especificamente de seu vídeo, frutos de seu primeiro álbum de estúdio lançado em 2016, muitas pessoas passaram a conhecê-lo apenas depois de sua participação em uma das faixas do novo disco do Gorillaz, Humanz, a convite de Damon Albarn para cantar “Hallelujah Money”.

Benjamin Clementine tem 28 anos e gera a impressão de ter uma alma velha, vindo de outros tempos, e vivido muito mais do que é possível com menos de três décadas de vida. Nascido no Norte de Londres, seus pais vieram de Gana, na África, e mantinham uma rigorosa educação católica dentro e fora de casa, banindo a cultura pop para “proteger” os filhos de sua influência corruptora sobre a moral e a fé.

Ao passo em que todas as crianças de sua época usavam jeans e camisetas, Clementine e seus irmãos viam o pai cortar com tesoura as camisas de times de futebol que eles de alguma forma conseguiam levar para dentro de casa, e recebiam suéteres e calças de alfaiataria para usar no dia a dia. É provável que a rígida educação na infância tenha influenciado até mesmo no estilo indumentário do artista, algo meio old-fashioned  – o que colabora para sua imagem de alma antiga da música, com muita personalidade.

Benjamin Clementine tem 28 anos e gera a impressão de ter uma alma velha, vindo de outros tempos, e vivido muito mais do que é possível com menos de três décadas de vida.

Aos 19 anos, abandonou a casa dos pais em Londres e foi tentar a vida nas ruas de Paris, mas ficou literalmente na rua, vivendo como um adolescente sem-teto. Para ganhar a vida, começou a apresentar-se em estações de metrô, nas ruas e em bares irlandeses que o pagavam mal e não exatamente o ofereciam um público. Mas foi nesse período que o artista foi descoberto.

Um ano depois do seu primeiro álbum lançado, At Least For Now, com o qual Benjamin Clementine ganhou um Mercury Prize Awards (melhor álbum do Reino Unido e Irlanda), o artista divulgou essa semana seu segundo disco: I Tell A Fly. Se no primeiro disco dominavam baladas melancólicas e doloridas ao piano, declamações esporádicas entre um verso cantado e outro, neste nota-se um resultado bem mais contemporâneo e um tanto experimental. Uma mudança radical nas texturas, apesar do seu lirismo sofisticado continuar presente nesse segundo trabalho.

Por crescer em uma família que em casa pouco falava, e seus gostos peculiares para uma criança (ele gostava de ópera) o tornavam uma figura distante dos garotos de sua idade, as músicas de Clementine são marcadas por um vocabulário de solidão. Mas, em I Tell A Fly, ele desloca sua narrativa particular e autobiográfica para uma série de configurações de conflitos internacionais: hora fala sobre a experiência de crianças na guerra e crianças vítimas de opressão e bullying, hora sobre crises de povos refugiados e trajetórias nômades. É como uma expansão da sua própria solidão espelhada em centenas de outros indivíduos.

A estrutura musical dessas canções são bem mais ousadas do que no primeiro disco. As baladas ao piano continuam presentes, mas dessa vez são composições ainda menos ortodoxas e mais teatrais, mas mesmo assim é consideravelmente menos impactante que o seu álbum de estreia. I Tell A Fly demanda mais tempo para digerir faixa a faixa. O próprio cantor afirmou à imprensa que não espera que seu segundo trabalho de estúdio “venda tanto quanto o primeiro”, mas com certeza reforça que Benjamin Clementine é uma joia rara na música contemporânea. Vale a pena tomar periódicas doses de brilhantismo humano ouvindo o que Benjamin Clementine tem a dizer.

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Tags: Benjamin ClementineCrítica MusicalGorillazI Tell A FlyMúsica

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