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Home Música

Mario Benedetti indicaria Ataque Chino

Misturando diferentes referências estéticas, grupo uruguaio Ataque Chino é um mergulho na forma poética do país vizinho enxergar a vida.

porAlejandro Mercado
12 de janeiro de 2016
em Música
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Ataque Chino junta poesia e música. Foto: Reprodução / Facebook.

Ataque Chino junta poesia e música. Foto: Reprodução / Facebook.

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Mario Benedetti é, entre tantas coisas, um dos maiores poetas uruguaios, quiçá do mundo. Poemas de Oficina, uma de suas obras mais famosas, é um marco na poesia latino-americana, e na literatura uruguaia.

Se fosse vivo, Benedetti teria um tremendo orgulho do grupo uruguaio Ataque Chino. Formada em 2012, e com um disco lançado em 2014, o poético Archivo 1, o grupo faz um minucioso trabalho de juntar música e poesia (se é que ambas conseguem viver dissociadas), criando uma experiência estética única, no qual letra e música tem um mesmo peso, e encantam de maneiras distintas seus ouvintes.

Musicalmente, o grupo uruguaio faz algo próximo do post-rock e do shoegaze. Ruídos, distorções e notas precisamente soadas compõe o espetáculo propiciado pela Ataque Chino, formada por Diego Cunha (vocalista e letrista), Juan Manuel Herszhorn (guitarra), Gérman Pérez (teclados), Nicólas Rodríguez (baixo) e Guillermo Zubeldía (bateria e percussão).

Ataque Chino
Banda durante apresentação, em Montevidéu. Imagem: Reprodução / Facebook.

Archivo 1 é um disco para ser apreciado, degustado, tal como um vinho. Sua carga poética por vezes nos faz crer que não estejamos vendo apenas uma banda de rock, mas sim um supergrupo formado para uma trilha sonora. Ataque Chino é Woody Allen, é Wes Anderson, é Jean-Pierre Jeunet. É doce, porém amargo. Instintivamente você será caminhado por suas estrofes, criando cidades imaginárias, nas quais está diante de conflitos internos, de uma fuga da urgência e do caos urbano, sendo levado a uma mesa, um trago, um cigarro. Em 9 faixas, você está em Montevidéu.

Ataque Chino é Woody Allen, é Wes Anderson, é Jean-Pierre Jeunet. É doce, porém amargo.

Há na Ataque Chino boas pitadas do subtropicalismo, de templadismo. A “Estética do Frio”, que Vitor Ramil formulou, aqui faz todo sentido. Mesmo que a milonga não esteja verdadeiramente presente, você sente as camadas campestres, um casamento entre a essência introspectiva do frio com a expansividade do calor, um calor que nós, latinos, bem conhecemos.

Essa poesia do grupo, belamente traduzida na faixa “En la Distancia de Dos Metros”, a canção mais linda e poeticamente dolorosa do disco, encontra em nós que habitamos o sul do mundo, uma forma muito particular de enxergá-lo, de ver as relações humanas, de pensar o amor, a morte, a dor, a solidão e, por isso, é bela, ainda que sofrida.

Toda essa loucura da vida, os conflitos existenciais (dos mais simples aos mais complicados) estão expressos em suas canções. Cunha e companhia ultrapassam os limites possíveis de serem impostos pelas diferenças idiomáticas, tão pequenas diante de nossa cumplicidade latina, humana e tropical. O Uruguai cada vez mais nos cativa. Por motivos distintos, somos hipnotizados por esse país tão pequeno territorialmente e tão gigante cultural e historicamente, a ponto de, talvez, finalmente compreendermos que somos tão iguais, ainda que nossas diferenças (tão poucas na realidade) pareçam por vezes maiores. A Ataque Chino, então, funciona como mais um laço, uma ponte nessa poética vida musical, nesta existência ao sul do mundo, onde viver é lutar, onde cada dia é uma batalha, e onde encontramos poesia em tudo, até na música.

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Tags: Album ReviewArchivo 1Ataque Chinobanda uruguaiaMario BenedettiMusic Reviewpost-rockResenhaRockshoegazesubtropicalismoUruguai

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