Quando membros do Pantera, Corrosion of Conformity, Crowbar e Superjoint Ritual se juntaram para formar o supergrupo Down lá em Nova Orleans, Estados Unidos, ainda estávamos em 1991. O mundo vivia o boom do grunge, enquanto outros grupos apostavam em uma levada um pouco mais densa.
Influenciados especialmente pela cena heavy metal da primeira metade dos anos 1970 (que tinha entre outros nomes, Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath), uma geração de bandas da costa oeste norte-americana começou a desenvolver uma cara diferenciada para o gênero, acrescentando elementos de hard rock, rock psicodélico e acid rock resultando no stoner rock, que marcou a carreira das californianas Kyuss e Sleep. Concomitantemente, outros músicos na região no entorno do Rio Mississipi, marcados pela música country e pelo southern rock, criavam uma sonoridade parecida com o que era feito na costa oeste, porém, com uma agressividade muito maior.
É nesta salada de frutas que são as infinitas vertentes do rock que a londrinense Red Mess está mergulhada. Douglas Villa, Thiago Franzim e Lucas Klepa parecem se multiplicar por 10 em cima do palco. Sem vê-los ao vivo, é impossível acreditar que aquela sonoridade, os riffs pesados, e o baixo encorpado em canções como “Daybreak’s Dope” sejam feitos por apenas três músicos.

Drowning in Red (2015), segundo EP lançado pelo grupo, puxou o melhor do período clássico do Black Sabbath, com as piruetas quase circenses que Tony Iommi compunha em sua guitarra. Crimson, o primeiro EP, de 2014, também tinha muito do Sabbath, mas era um pouco mais miscigenado, fazendo uma simbiose entre Led Zeppelin e Sleep.
O groove das linhas de baixo em “Stoneage Coopers”, terceira faixa de Crimson, talvez sejam das coisas mais belas e originais feitas nos últimos tempos na cena independente nacional. Aliás, Klepa e as baquetas assassinas de Villa criam todo um contexto ritmíco em que dificilmente você não se sinte abduzido.
A Red Mess soa como uma fonte inesgotável de notas acertadamente escolhidas, um vocal capaz de buscar cada nota necessária e distorções hipnóticas.
Se analisada a partir de sua organização como um power trio, a Red Mess soa como uma potente e madura banda de stoner. Analisada a partir do stoner produzido, a Red Mess soa como uma fonte inesgotável de notas acertadamente escolhidas, um vocal capaz de buscar cada nota necessária e distorções hipnóticas.
Se o cinema constrói direções de arte onde as cores, a textura, os cenários, objetos de cena e figurino contam uma parte abstrata da narrativa, toda essa intensidade proposta pelo conceito da banda londrinense amplia a percepção sensitiva causada por sua audição, acrescentando detalhes necessários a absorção dessa matéria viva que é a música.
Impossível não prever muita adrenalina pela frente, ainda mais com o trio em processo de composição de um novo disco, provavelmente para 2016. Enquanto isso, ouça os dois EPs da Red Mess no perfil da banda no Bandcamp.
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