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Atualidade e resistência: Teatro do Oprimido

Técnicas, produções e potencialidades na arte de Augusto Boal, o criador do método Teatro do Oprimido.

porLeticia Queiroz
29 de outubro de 2018
em Teatro
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Atualidade e resistência: Teatro do Oprimido

Centro Cultural Banco do Brasil fez exposição retrospectiva sobre a vida e obra do dramaturgo carioca, Augusto Boal. Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil.

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Formulado por Augusto Boal, o Teatro do Oprimido (TO) é um método teatral criado nos anos 1970. Solidariedade, empatia, ética, conhecimento e transformação da realidade são algumas das características deste método que ultrapassa anos e gerações, e continua sendo uma metodologia potente em sua razão política, social e cultural na história mundial do teatro.

O Centro do Teatro do Oprimido, espaço criado por Augusto Boal, está localizado na Lapa, no Rio de Janeiro, e conta com equipes associadas, que juntas compõem e retratam uma pluralidade de questões e realidades sociais do Brasil.

Entre os grupos estão Marias do Brasil: fundado em 1998, o grupo é formado por trabalhadoras domésticas; e Pirei na Cenna: criado em 1997, é uma equipe formada por portadores de problemas psíquicos. Já Encenando Direitos Humanos; Jovem Comunica e Entra Em Cena; e Dialogar para aproximar são alguns dos grupos que constituem o GTO (Grupos Populares de Teatro do Oprimido).

Além da metodologia do Teatro do Oprimido, os textos e ensaios do dramaturgo são representados em todo o mundo. Em 2017, o Espaço Cênico, de Curitiba, realizou uma temporada da peça Murro em Ponta de Faca, espetáculo com texto de Boal e direção de Paulo José. Murro em Ponta de Faca retrata a vida de um grupo de exilados na época da ditadura militar.

Conhecido internacionalmente por sua metodologia teatral, que une ação e inclusão social com o teatro, Augusto Boal integrou e liderou o Teatro de Arena, quando cria, na década de 1950, o Seminário de Dramaturgia do Arena. O autor, dramaturgo e diretor teatral também dirigiu inúmeros espetáculos, entre eles o Show Opinião, com Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão, espetáculo em formato de um protesto público; O Noviço; A Mandrágora; Tártufo, entre outros.

O método do Teatro do Oprimido se caracteriza como um mecanismo teatral que busca a transformação da realidade.

Em 2009, ano de seu falecimento, Augusto Boal foi nomeado como Embaixador Mundial do Teatro pela Unesco. (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Augusto Boal e o Teatro do Oprimido, vídeo documentário de 2010, apresenta suas produções, métodos e criações. O documentário, que reúne personalidades como Ferreira Gullar e Chico Buarque, também apresenta um retrato potente do Brasil na época da ditadura, assim como as perdas culturais e censuras que a época trouxe para as esferas sociais, principalmente para a cultura.

O longa-metragem, sob direção de Zelito Viana, demonstra a trajetória do teatrólogo, assim como suas contribuições para o teatro mundial. Sua metodologia se apresenta como uma discussão central na obra. O método do Teatro do Oprimido se caracteriza como um mecanismo teatral que busca a transformação da realidade. Distingue-se de ideias pré-estabelecidas e configura o personagem como uma potencialidade da esfera do próprio ator, em sua vida fora dos palcos.

O objetivo do método reflete uma ideia de que o ator participe de todos os processos de produção do ofício, portanto, lança luz de um papel da dramaturgia que seja o de multiplicador, não apenas o de representação cênica. Entre sua história, memória e contribuições, o próprio Augusto Boal relata no documentário as características de suas técnicas como o Teatro Jornal, Teatro Imagem, Teatro Fórum, Teatro invisível, entre outras produções que refletem o espetáculo teatral como um momento de introspecção, troca e diálogo.

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Tags: Augusto BoalDocumentárioopiniãoResenhaTeatro do Oprimido

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