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Censura ao Teatro Oficina: quando borboletas provocam furacões

porBruno Zambelli
11 de agosto de 2016
em Teatro
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Ordens são ordens. A desculpa do carrasco por ter as mãos sujas de sangue é o cumprimento da sentença. O dever, essa retidão em honrar seu papel diante da sociedade, justifica até os mais odiosos atos. Torturadores remunerados para produzir a barbárie, censores pagos para calar. Os serviçais do horror estão sempre dispostos a executar o serviço sujo de seus senhores. Estraçalham, maltratam, destroem. Criam e diluem leis, respeitam apenas a sua própria ganância e gargalham fervorosamente diante da miséria humana que produzem enquanto obra. Aqueles que ousam desafiá-los possuem uma tarefa inglória pela frente. Seus inimigos além de controlarem os meios utilizam-se das mais variadas formas de violência para debilitar, humilhar e exterminar.

Apesar de exaustos, desacreditados e, muitas vezes, desanimados, os defensores da liberdade persistem pelo simples fato de que resistir é a única saída, já que a submissão é um estado permanente pertencente apenas aos covardes. É preciso lutar sempre, mesmo diante de batalhas perdidas. Lutar para se manter vivo, já que a existência padece onde a liberdade é violada.

A nova censura à página do facebook do Teat(r)o Oficina, grupo teatral comando por José Celso Martinez Corrêa, é só mais uma mostra de que tempos sombrios, feitos de mordaça e cintos de castidade, emergem no horizonte brasileiro.

Na última quinta, dia 04, a página no Facebook do Tea(r)o Oficina foi retirada do ar por conta de uma denúncia anônima. Em primeiro lugar, é preciso dizer algo sobre o anônimo, esse tipo que vem se espalhando feito peste pelas ondas digitais. Covarde por natureza e agente do ódio, o anônimo é um parasita que se esconde atrás de denuncias vazias. Na história específica o anônimo em questão voltou seu clique covarde contra os mamilos de uma das atrizes, ostentados em uma foto artística, publicada em fevereiro em um dos álbuns da trupe. A mensagem da rede social era clara: ou tira ou sofra as consequências. Sim, em tom de ameaça a tal “equipe” do Facebook exigia a retirada imediata da foto sem maiores explicações a não ser que a imagem feria os termos da rede social.

Em tempos onde o espaço dado ao teatro nos jornais impressos, e até mesmo em sites, é quase nulo, sabemos que a tal rede é de extrema importância para divulgação de espetáculos. Diante disso, os responsáveis pela página não tiveram escolha e, mesmo a contra gosto, atenderam a ordem travestida de pedido. Passados três dias, no domingo (07), nova mensagem aos responsáveis: a página havia sido removida por violar os tais termos de uso. Mesmo com o pronto atendimento a um pedido imoral, os mamilos do Teat(r)o Oficina continuavam banidos, excomungados do paraíso cibernético azul celeste de Mr. Zuckerberg. O mesmo paraíso que admite propagandas de garotões vestidos em trajes nada ortodoxos. Aparentemente, e pra começar o papo, o Facebook julga a liberdade feminina obscena, ameaçadora. Sintomático, não?

A extinção da página, com suas mais de trinta e três mil curtidas, é a  exemplificação perfeita dos tempos atuais onde os velhos fantasmas que nossa nação insistiu em varrer para dentro do tapete ao invés de combater começam a causar-nos novos pesadelos.

Fundada em 1958, a Oficina Uzyna Uzona é atualmente o grupo de teatro mais antigo em atividade ininterrupta no país. Responsável por espetáculos que reinventaram as artes cênicas, é desnecessário explicar a importância do grupo para o teatro, seja ele nacional ou mundial. O seu mais ilustre fundador, e talvez quase a personificação do próprio grupo, é o genial José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso.

Fundada em 1958, a Oficina Uzyna Uzona é atualmente o grupo de teatro mais antigo em atividade ininterrupta no país. Responsável por espetáculos que reinventaram as artes cênicas.

Zé sabe bem o que é lutar contra a barbárie. Foi preso e torturado na época da ditadura, enfrenta há anos uma furiosa especulação imobiliária que tenta a todo custo sufocar a revolução verde de seu teatro e teve o irmão, Luiz Antônio, assassinado de maneira brutal. A toda violência que recebeu a cacetadas, Zé Celso respondeu de maneira poética. Cada verso de seus espetáculos, cada corpo desnudo que corre pela pista do teatro, cada sorriso do público maravilhado é uma manifesto em defesa da beleza e da liberdade. O teatro Oficina sabe que resistir é preciso e não se deixa abater diante de mais uma porrada. Pelo contrário, vem a público denunciar essa situação absurda e mante-se firme como o teatro guerreiro que sempre foi e há de continuar sendo.

A população precisa estar atenta. A censura ronda novamente os palcos, os estádios e as redações; arrastando suas correntes, feito alma penada, amordaçando e ameaçando a liberdade que nos é tão cara, ela tem nos olhos a vontade de calar a todo custo. É preciso lembrar que somos uma nação conivente com a violência, já que nunca demos o devido tratamento aos canalhas que nos saquearam os direitos à época dos anos de chumbos. Não podemos novamente assumir o pacífico papel dos cidadãos impotentes. É preciso que façamos barulho, que defendamos incansavelmente o nosso direito de gritar e reagir diante dos abusos aos quais estamos submetidos.

Dizem, e creio nisso quase como uma religião, que as borboletas são as verdadeiras responsáveis por todo furacão. Com toda a sua fragilidade e beleza, as borboletas guardam em suas asas de seda uma violência poética capaz de estremecer toda a terra. Depois de amar, afogados em prazer e êxtase, esses animais perdem-se pelo ar em um bailado mortífero de uma beleza ímpar. Com corpos e asas entrelaçados, coreografam sua própria morte de maneira frenética antes de sumirem estraçalhadas pelos ares. Essa mórbida coreografia seria o origem de todo furacão: o ventar devastador nascido da beleza suicida do amor  entre duas borboletas.

O artista é também detentor de uma poesia acachapante que pode transformar o mundo em que vivemos,  por isso é natural que mesmo com toda a fragilidade de nosso atual estado também sejamos detentores de uma beleza devastadora. Como as borboletas, podemos provocar uma catástrofe poética de proporções incalculáveis, resta-nos aprender a ventar.

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Tags: censuraFacebookjose celso martines correaTeatroteatro Oficina

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