• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Teatro

Mímica: a arte dos apóstolos do silêncio – parte 2

porBruno Zambelli
18 de maio de 2017
em Teatro
A A
Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

A poesia do mínimo: A mímica nasce solitária, simples e, justamente por conta disso, já rebenta livre diante dos olhos. Sem cenários, sem elementos, sem acompanhamento musical; tratamos de uma forma de expressão complexa, que exige extrema dedicação e uma precisão cirúrgica do intérprete. Por conta dessa particularidade, é gigantesca a diferença entre um ator de teatro dramático e um ator de mímica. De acordo com a obra de Dorcy, a atitude no ator de teatro é regulada, pontual. Acontece invariavelmente no fim das frases executadas e serve enquanto “método auxiliar” da atuação propriamente dita. No caso do ator mímico, a atitude passa a ser a própria essência do trabalho desenvolvido.

É fato que a mímica moderna se expressa quase que exclusivamente através do corpo do ator, esquecendo-se, por exemplo, da face. Por conta disso, pode deixar-se confundir novamente por essa idéia de arte auxiliar. Essa confusão pode ser explicada pela dificuldade dos atores modernos em dominar perfeitamente os movimentos do rosto em sincronia com o movimento corporal. Isso ocorre por diversos fatores, e seria impossível enumerá-los, todos, nesse espaço. Um desses motivos, talvez o principal deles, seja a velocidade de produção atual, que prioriza a quantidade e não a qualidade e faz com que os atores precisem se “especializar” ao invés de se entregarem aos encantos da atuação em todas as suas possibilidades. É por isso, também, que temos no inconsciente a figura do mímico de aniversário, com sua face esbranquiçada e sua boina característica. Completam o figurino a famosa camisa listrada e as luvas características.

É por isso, também, que temos no inconsciente a figura do mímico de aniversário, com sua face esbranquiçada e sua boina característica.

Sem desmerecer ou reduzir a importância de qualquer ofício, a mímica está muita além do entretenimento infantil e é uma forma de poesia das mais completas.

O futuro, desconhecido e impreciso: Ao fim do livro, segundo Fernando Peixoto, Jean Dorcy faz a seguinte indagação: sobreviverá a mímica ao ballet e ao teatro como gênero puro? A este que vos escreve, é difícil responder a pergunta. Evidentemente que a mímica ainda faz parte de nossos dias e de nossos palcos. Dario Fo, por exemplo, foi um gênio dessa arte. Burnier, na cidade de Campinas, dedicou-se aos estudos da mímica e o Lume Teatro ainda hoje utiliza os métodos de Luis para criar seus espetáculos.

https://www.youtube.com/watch?v=Sst32XThipM

Pelo Brasil e pelo mundo, sobram exemplos de companhias e atores que tem na mímica sua base; no entanto, a mímica, tal qual define Jean e seus mestres, talvez não exista mais. A arte passa por transformações através do tempo e aqueles que fecham os olhos para essas transformações, e carregam na retina um purismo intocável, correm o risco de tornarem-se tão ultrapassados quanto as idéias que preservam no altar cênico.

Leia também
» Fernando Peixoto e o teatro em luta
» O que pode o corpo?

O mundo hoje não para! Somos metralhados por outdoors e comerciais, vivemos reféns de telas luminosas e já não temos mais tempo para desperdiçar com a contemplação. O teatro, feliz ou infelizmente,  não foge disso. Hoje, a boca de cena é reinado de projeções, de efeitos visuais dignos de filmes hollywoodianos, e esse caminho parece não ter volta. Diante desse cenário catastrófico para os sentidos, é possível reconhecer na mímica uma forma de resistência poética. Uma ode à imaginação.

Como escreve Fernando Peixoto, a mímica tem o importantíssimo dever, e essa tarefa é eterna, de trazer de volta ao público a possibilidade de imaginar, de sonhar diante do nada. Segundo ele, “a mímica faz com que o espectador sinta todo um cenário inexistente materialmente. Traz para a imaginação do espectador toda uma planície, um oceano ou uma jaula de leões”. Portanto, a única conclusão possível talvez seja através dessa expressão que descobriremos como escapar da jaula do próprio teatro moderno, ao menos para este ator. Pois como disse o grande Marcel Marceau, o ator de mímica coloca o problema do homem em sua essência. É o homem preso pelo silêncio, o mais eloqüente e eficiente de todos os discursos humanos.

Leia a primeira parte deste texto clicando aqui.

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: A La Rencontre de La MimeAntoineAtelier DullinBurnierCompagnie des QuinzeDario FoEliane GuyonEscola de CopeauEtienne DecrouxGilles e julienJean DasteJean DorcyJean-Louis BarraultLe MasqueLes Comédients - RoutiersLume TeatroMarcel MarceauMímicaProsceniumVieux Colombier

VEJA TAMBÉM

Kauê Persona vive Paulo Leminski. Imagem: Zuca Alvino / Divulgação.
Teatro

Kauê Persona encontra Leminski pela palavra em ‘Línguas de Dragões’

9 de setembro de 2026
Espetáculo celebra 25 anos da companhia curitibana. Imagem: Ethel Braga / Divulgação.
Teatro

‘História’ traz memória como campo de batalha

12 de junho de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Divisão familiar surge quando novo momvimento toma conta dos Estados Unidos. Imagem: Lionsgate / Divulgação.

Em ‘O Aniversário: Mudança Radical’, o autoritarismo começa dentro de casa

24 de setembro de 2026
O escritor Alexandre Vidal Porto. Imagem: Alexia Fidalgo / Divulgação.

Alexandre Vidal Porto investiga os vestígios do amor em ‘Só Depois Entenderei’

10 de setembro de 2026
Kauê Persona vive Paulo Leminski. Imagem: Zuca Alvino / Divulgação.

Kauê Persona encontra Leminski pela palavra em ‘Línguas de Dragões’

9 de setembro de 2026
Nova série da Globoplay já foi renovada para uma segunda temporada. Imagem: Conspiração Filmes / Divulgação.

‘Emergência 53’ encontra nas ruas um retrato de um Brasil que precisa ser cuidado

4 de setembro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.