• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Teatro

‘Tchekhov’ e ‘Ilíada’: tudo o que é clássico desmancha no ar

Encerrando os escritos sobre o Festival de Curitiba, dois trabalhos para se pensar o “clássico”: a peça 'Tchekhov', da companhia Ave Lola; e o projeto 'Ilíada', da Cia Iliadahomero de Teatro.

porFrancisco Mallmann
12 de maio de 2015
em Teatro
A A
Espetáculo da Ave Lola. Imagem: José Tezza / Divulgação.

Espetáculo da Ave Lola. Imagem: José Tezza / Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Quando, nas artes cênicas, se discorre sobre obras clássicas, frequentemente, são as contribuições da dramaturgia que assumem o espaço central. O pensamento, nesse sentido, costuma se restringir a palavra escrita. A distância entre o teatro e a literatura, há muito, foi alargada, em um movimento de “independência” (ou ainda, de “não-dependência” ), afastando a ideia de que o palco seria “submisso” ao papel. A noção de que uma obra dramatúrgica existe, de fato, quando em cena, passou a ser o argumento considerado mais coerente – aos olhos do teatro.

Ainda que pareça corroborar a um preconceito antigo, a análise de “obras clássicas”, consideradas sinônimos para “textos clássicos” é feita a partir de algumas explicações: a questão do tempo e do registro são as principais delas. Para considerar um “espetáculo clássico”, no lugar de um “texto clássico”, é necessário levar em conta a imaterialidade e a maneira com que esse evento é “eternizado”. É difícil acessar montagens de teatro em formatos diferentes que não o próprio evento, mas é possível, ainda assim. A teoria do teatro examina e explora montagens a partir de seu valor histórico, documental e estético (e daí surgem tantas formas de se analisar quanto se é possível imaginar). Muitas vezes, a dificuldade parece residir na própria definição do que é “clássico”. Para além da etimologia (que pode indicar relações “classistas”, com uma direta influência nas categorizações de arte “clássica/erudita”, indicando que existam autores/artistas de “classes mais altas”), o termo “clássico” remete a vocábulos tais como “permanência” ,“universalidade”, algo que torna-se “inesquecível” e que “consegue atravessar gerações, fronteiras e nacionalidades, sem perder as suas características”. É uma grande discussão que, na literatura, mobilizou autores tais como  Charles Augustin Sainte-Beuve , Ezra Pound, Italo Calvino e Mark Twain.

“Para considerar um “espetáculo clássico”, no lugar de um “texto clássico”, é necessário levar em conta a imaterialidade e a maneira com que esse evento é ‘eternizado’.”

Alguns pontos parecer ser comuns entre as possíveis análises, ainda que distintas, com graus de especificidade e verticalização diferentes. No teatro, no universo “clássico”, surgem temas como a “vitalidade”, de algo que é “inesgotável”, cuja “atemporalidade” promove uma significação direta e expressiva com os contextos e circunstâncias em que se produz.

No Festival de Curitiba, dois projetos, de alguma maneira, instigavam essa temática.  A peça Tchekhov, da companhia Ave Lola, e o projeto, em contínuo processo, Ilíada, da Cia Iliadahomero de Teatro.

Em Tchekhov, cuja direção e dramaturgia são assinadas por Ana Rosa Tezza, o universo do dramaturgo russo Anton Tchekhov é apresentado em uma narrativa (dividida em dois atos) que mescla dados biográficos e a produção do autor (especialmente o conto Aniuta e a peça A Gaivota). A montagem explora uma porção de questões próprias ao teatro – inclusive em perspectivas históricas. O nascimento do teatro do século XX é revelado a medida em que as metodologias e as técnicas teatrais são expostas e compartilhadas – a metalinguagem é executada com precisão, em um espaço milimetricamente bem utilizado. A peça indica uma relação interessante para o que sugiro sobre “a definição de um clássico”: A Gaivota, texto “clássico” de Techekov teve uma desastrosa primeira montagem e, no entanto, quando encenada por Stanislavski, alcançou também este lugar “clássico” – por quê? A resposta parece estar contida na própria montagem: as identificações se apresentam duradouras.

Ilíada é um projeto que pretende encenar, na íntegra, Iliada de Homero na tradução de Manoel Odorico Mendes. O projeto tem mais de dez anos e na última edição do Festival de Teatro de Curitiba, foram apresentados os cantos 1, 3, 7, 8, 13, 14, 15, 16, 22 e 24. A companhia pretende apresentar os 24 cantos que compõem a Ilíada, na Grécia, em 2016, durante as Olimpíadas. O elenco é composto por 24 grandes nomes do teatro paranaense e a direção é de Octávio Camargo. Em uma das apresentações do Canto 7, com atuação de Helena Portela, no Festival, Octavio Camargo, antes da apresentação, em uma breve exposição sobre o projeto e o canto em questão, revelou um dos motivos pelos quais considera importante a montagem de Ilíada:  “o texto erudito pode transformar alguns paradigmas atuais” – indicando aqui, talvez, uma concepção de “classico/erudito” que contemple as ideias de “permanência” e “universalidade” já referidos. A montagem, absolutamente centrada no intérprete, do qual a eloquência e a vitalidade são guias, tem a iluminação como elemento essencial , que se apresenta enquanto recurso para ambientação e também com o intuito de diferenciar os personagens. Os poucos elementos sugerem uma recepção que não seja carregada por referenciais.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Que tal apoiar a Escotilha? Assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 15,00 mensais. Se preferir, pode enviar uma contribuição avulsa por PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: Ana Rosa TezzaAve LolaCia IliadahomeroCríticaCrítica TeatralFestival de CuritibaIlíadaOctávio CamargoTcheckhovTeatro

VEJA TAMBÉM

Kauê Persona vive Paulo Leminski. Imagem: Zuca Alvino / Divulgação.
Teatro

Kauê Persona encontra Leminski pela palavra em ‘Línguas de Dragões’

9 de setembro de 2026
Espetáculo celebra 25 anos da companhia curitibana. Imagem: Ethel Braga / Divulgação.
Teatro

‘História’ traz memória como campo de batalha

12 de junho de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Nova adaptação do romance de John Steinbeck foi conduzida por neta de Elia Kazan. Imagem: Netflix Studios / Divulgação.

‘A Leste do Éden’ renova Steinbeck em adaptação excepcional

19 de outubro de 2026
Imagem: Unsplash.

Editorial: veículos de jornalismo se unem pela democracia

14 de outubro de 2026
As participantes de 'Sua Mãe Te Conhece?'. Imagem: Nat Odenbreit / Netflix.

‘Sua Mãe Te Conhece?’ diverte ao explorar as neuroses da maternidade

7 de outubro de 2026
Jornalista é repórter na revista piauí. Imagem: Diego Bresani / Divulgação.

‘Filho’ faz da memória materna uma denúncia social

28 de setembro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.